<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775</id><updated>2012-01-27T22:42:59.486-02:00</updated><title type='text'>Entrelugares</title><subtitle type='html'>Histórias sempre estão na fronteira; por mais que tentemos acomodá-las elas esbarram no real vivido, ouvido, lembrado; elas esbarram no imaginado, sonhado, criado...por isso evocamos os entrelugares, onde cabem o contraditório, o surpreendente e até o esperado...todos eles permissíveis à intromissão do eu e também à sua ausência, mesmo disfarçada.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>338</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3653921520633090554</id><published>2012-01-25T17:15:00.001-02:00</published><updated>2012-01-25T17:50:36.822-02:00</updated><title type='text'>Não me peça</title><content type='html'>Não me peça pra racionalizar essa questão. Por favor, não me peça! Não se trata de lógica, de pertinência, de padrões esperados, de conjunturas convenientes. Por isso, não me peça para evitar sucumbir a qualquer chamado que me abra o sorriso de alegria, a qualquer sensação que anseio por descobrir, a qualquer tristeza. Por isso, eu lhe peço; não me peça! É justo e digno meu pedido! Não compreendes, bem sei... E quem poderá do outro saber por dentro o que vai? A perfusão de percepções inauditas, por inexistência de vocábulos precisos? Não adianta; já lhe disse. Não tenho como explicar os redemoinhos que me levam, os assombros instantâneos que me pegam inerte, sem pensamentos cabíveis, de antemão postos para a ação esperada. Não, não se trata de automatismo vão. Trata-se do voluntarioso inconsciente que abafa as obviedades de fazer. Não, não sei fazer, por hora tento aprender fazer o que em minha alma fala. E por que me diz assim, tão duramente, sobre cegueira? Pois que vejo tanta claridade nesses descaminhos encontrados? Talvez me valha mais os descaminhos do que esses já trilhados nas imaginações de expectativas. Compreendo você. De verdade! Não são falsas minhas afirmações, minhas concordâncias. Quando falo com você busco a sua razão, o seu entendimento. Não refuto, até concordo. Mas dura o instante esse meu assentir. O segundo que vem após é um emaranhado de sensações ilimitadas, potenciais. Então me diz; é cega a emoção, como uma condenação. Que dureza nessas palavras; cegueira e cega emoção. Como se os olhos em todo momento se mirassem em um único objeto, perfeitamente limitado, sem ângulos, inexistente. Sempre essa tentativa de fazer ver o que convém, o que os seus olhos vêem. Não, não quero dizer que haja más intenções. Até as vejo benévolas. Mas de novo lhe peço, não me peça pra racionalizar essa questão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3653921520633090554?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3653921520633090554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3653921520633090554' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3653921520633090554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3653921520633090554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2012/01/nao-me-peca.html' title='Não me peça'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7487540573306971436</id><published>2011-12-22T14:20:00.001-02:00</published><updated>2011-12-22T14:23:13.740-02:00</updated><title type='text'>Cena Mal Dita</title><content type='html'>Aos meus sentimentos dou impropriedades do dizer;&lt;br /&gt;Subverto as expressões como se nelas não houvesse a lógica da objetividade;&lt;br /&gt;Perco os significados dicionarizados, encalacrados de assujeitamento;&lt;br /&gt;Confundo-me no instante de compreender;&lt;br /&gt;Questiono-me, questionas-me por isso;&lt;br /&gt;Pela falta da imediata compreensão de mim mesma e do outro outros por meio do verbo e do substantivo, nessa única tradução possível para o sentir;&lt;br /&gt;Das palavras em arbítrio;&lt;br /&gt;Incompreendes-me, e culpo-me pela pouca perspicácia;&lt;br /&gt;Volto tantas vezes a refletir a linguagem misturada à natureza,que submetem o mundo;&lt;br /&gt;O meu escasso mundo de fazer palavra onde poderia haver só ação a revelar o instante;&lt;br /&gt;Quis dizer da cena, pra dizer do detalhe, não da superfície; e falei na angústia de fazer-te ver a intensidade que procuro no meu linguajar insuficiente;&lt;br /&gt;Para dizer que só consigo ver sentido no encadeamento dos pormenores, na soma a fazer cena;&lt;br /&gt;Mas eu também, como mero detalhe que sou, faço apenas a composicão do cenário; não tenho o controle exato dele;&lt;br /&gt;Sou componente da peça maior que me convém e não me convém por estar, muitas vezes, fora da lógica da razão;&lt;br /&gt;Pensei em todos os pequenos mínimos gigantescos de compartilhar;&lt;br /&gt;No desnudamento que desvela qualquer alma entorpecida pelos pressupostos de existir;&lt;br /&gt;Fiz com eles todos um cenário pra lembrar, pra montar uma peça de dizer amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7487540573306971436?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7487540573306971436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7487540573306971436' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7487540573306971436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7487540573306971436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/12/cena-mal-dita.html' title='Cena Mal Dita'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3135354272302105582</id><published>2011-12-19T17:47:00.000-02:00</published><updated>2011-12-19T17:48:09.808-02:00</updated><title type='text'>Face em tato</title><content type='html'>Ela percebera-se sem face. Subitamente seus sentidos ,manifestos nos traços, decaiam e se rebelavam contra qualquer expressão bem vista ou mal vista. Era uma involução de qualquer comportamento expresso, como se uma maldição a rondasse; a ausência de face. Os cheiros a sumir no nariz diminuto; os gostos a se perderem na boca invertida, fechada pro mundo; a música dos instrumentos e das vozes a bater em ouvidos de orifícios colabados; a visão, dada a parcas sombras, como alcolizada. Só o tato vigorava, na sua ânsia desesperada por sentir o som da superfície, como a buscar qualquer profundidade. Suas mãos eram como sanguessugas a sorver sangue, suores, ou qualquer outra fluidez que denotasse vida. E toda aquela transformação de perda, era um ganho de sentir a escultura da vida em reentrâncias de encanto e assombro; solos úmidos e arenosos; peles em paz e desatino. Seu corpo também se avolumava de tantas impressões em registro no tato, que gritavam na alma de um rosto sem face. Depois, a face não importava tanto, senão os terminais nervosos de seus membros superiores que pareciam agora ouvir, cheirar, falar, ver. Sua face reapareceu na forma de mãos. Toda sua face era uma mão em apego, em chamado, do dito em movimento, do gesto que a face escondia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3135354272302105582?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3135354272302105582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3135354272302105582' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3135354272302105582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3135354272302105582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/12/face-em-tato.html' title='Face em tato'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2651574706964280532</id><published>2011-11-20T12:57:00.003-02:00</published><updated>2011-11-20T14:12:45.503-02:00</updated><title type='text'>Sacolão e 'selvageria'</title><content type='html'>Foi inaugurada a grande festa da bicharada, da selvageria. Basta ires a um sacolão da rede ABC em alguns recantos da leste Belo Horizontina e terá a seu dispor um perfeito laboratório para estudos de antropologia, sociologia e filosofia. Expresso-me deste lugar, de dentro, e não de quem espreita uma vitrine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na superfície, são verduras, legumes, frutas e alguns congêneres embalados para alimentar alguns humanos, a maioria. Por não terem o privilégio de freqüentar as redes multinacionais de gôndolas bem organizadas e corredores bem apropriados para a circulação de gente, tudo muito bem dimensionado no estilo pague mais e tenha conforto, civilidade; eles se esfregam, acotovelam-se e trombam na faminta ordem do salve-se quem puder, pegue quem puder, quem suportar as incivilidades por alguns alimentos a R$0,79 ou R$0,99 o quilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundaram essas alternativas de venda de hortifrutigranjeiros supostamente mais econômicas a servir os ‘populares’, a servir também a classe média trabalhadora que economiza para gozar um pouco de lazer ou entretenimento nos intervalos laborais. ‘Tá barato, é pacabá’, grita ao fim do expediente o carregador-funcionário, resfestalando-se daquela disputa ‘inumana’ para alimentar o corpo, porque a alma gentil, cooperativa, já há muito se perdeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A logística se resume em algumas estratégias ‘curiosas’. Primeiro as prateleiras gigantescas para caber o excesso armazenado, para caber também os deteriorados a contaminar a vizinhança, mas principalmente para gerar o famoso excedente quantidade, porém, de qualidade duvidosa.  Segundo, os espaços reduzidos a subsumir o poder de escolha, a gerar as desavenças na filas. Depois, as lixeiras abarrotadas de ‘estragados’, acuados pelo volume e pelo alto preço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O excesso de gente faz o mesmo, é multidão insana em um processo de contaminação incontrolável. Por uma ilusão de preço baixo em troca de um saco de alimento, manifesta a sua ação irrefletida, manifesta seu despreparo diante dos processos tão bem criados de alienação, sobrevive e se debate a despeito da educação, do respeito pelo outro. Então o lado bicho e primitivo aflora, mas não para a caça ou a coleta daquilo que a natureza oferece e o instinto submete, mas para a coleta artificial, forjada no capital.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2651574706964280532?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2651574706964280532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2651574706964280532' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2651574706964280532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2651574706964280532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/11/sacolao-e-selvageria.html' title='Sacolão e &apos;selvageria&apos;'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-886718393134772684</id><published>2011-11-16T10:14:00.002-02:00</published><updated>2011-11-16T11:05:36.176-02:00</updated><title type='text'>'Meu menino lindo'</title><content type='html'>Achei que o menino lindo era meu, mas entre tantos haveria um e mais outro e ainda mais... Estava lá transcrito na página de relacionamentos; ‘Meu menino lindo’. Então não era só meu, era de tantos quanto houvesse amor. Assim, era eu mais um a amar na repetição das linguagens, dos dizeres que se repetem, embora lá no íntimo houvesse uma interpretação própria, um sentir ‘irrepetível’, de uma densidade de receita escondida e indecifrável. Porque o ‘Meu menino lindo’ fazia em mim o que eu deixasse, e nesse fazer dele um tanto meu, em verdade, o que eu queria, construía esse prazer estético indizível que apelava para as palavras simples e corriqueiras de qualquer um que amasse. Para o amor, criamos palavreados arbóreos, espontâneos e fluidos, saídos de instâncias coletivas. Contudo, apelamos para misturas de linguagens improváveis, por vezes, até nos perdermos nos silêncios e nos gestos de mais amar. Mas ‘meu menino lindo’ sempre estará para dizer do pronome de possuir imaginário, do pueril de amar, da beleza que se devota.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-886718393134772684?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/886718393134772684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=886718393134772684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/886718393134772684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/886718393134772684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/11/meu-menino-lindo.html' title='&apos;Meu menino lindo&apos;'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8021400514063166593</id><published>2011-11-10T16:38:00.000-02:00</published><updated>2011-11-10T16:39:15.687-02:00</updated><title type='text'>Sacro pagão</title><content type='html'>Faria um sacramento por ti&lt;br /&gt;Não tu ai distante objeto&lt;br /&gt;Faria um sacramento pagão&lt;br /&gt;Pegar-te-ia em dedos sem comiseração&lt;br /&gt;Num toque sagrado de quem descobre&lt;br /&gt;E num susto se apercebe das doces nuances do sentir&lt;br /&gt;Faria um sacramento tribal&lt;br /&gt;E benzeria todas suas partes&lt;br /&gt;Até alcançar o todo em banho redentor&lt;br /&gt;Far-te-ia o próprio sacramento&lt;br /&gt;O instante eterno das sutilezas&lt;br /&gt;Daquilo que sempre se renova&lt;br /&gt;Embora em parecença já tenha havido&lt;br /&gt;Faria um sacramento por ti&lt;br /&gt;Embebido em cheiros e secreções e audições controversas&lt;br /&gt;Um caos a se ordenar por força natural&lt;br /&gt;Uma força de desordenar para morrer no caos&lt;br /&gt;Para renascer no caos&lt;br /&gt;Faria um sacramento por ti&lt;br /&gt;Desatinado por não conhecer-te&lt;br /&gt;Na ânsia de compreender a parte pelo todo&lt;br /&gt;O todo pela parte&lt;br /&gt;Seria eu o próprio sacramento&lt;br /&gt;Em sacramento por ti&lt;br /&gt;Por querer fazer-te delicadezas&lt;br /&gt;Do gesto, do ouvir, do falar em notas suaves&lt;br /&gt;Do dar e receber como um sacramento&lt;br /&gt;Faria um sacramento por ti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8021400514063166593?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8021400514063166593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8021400514063166593' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8021400514063166593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8021400514063166593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/11/sacro-pagao.html' title='Sacro pagão'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1191809229577331572</id><published>2011-11-07T13:49:00.001-02:00</published><updated>2011-11-07T13:49:52.703-02:00</updated><title type='text'>Chega...</title><content type='html'>Chega um momento que não se apercebe, mas já se está adestrado, acostumado às rotinas de horário laboral, às contas a pagar, aos supérfluos indeléveis como a maçã grudada na barata kafkaniana. Chega um momento que a saída se estreita de tal forma, que a ilusão de liberdade se desfaz na prisão de não ser e não saber aonde ir. Chega esse momento em desacalento de segurança sórdida e frágil na sensação da alma. Chega esse momento repetido, desvencilhado de qualquer espírito nobre, criativo. Chega esse momento como aperto no peito, angina malfazeja, somática por pensamentos de compressão. Chega um choro, chega um soluço pós-prandial a sufocar a modorra da tarde, o calor do alimento. Chegam esses metabólitos monstruosos de uma vida mesquinha, medíocre, na acidez da saliva, no ardor estomacal, na paralisia intestinal. Chega também o suspiro de não suportar esse limite contraditório de não ser e ser. Chega vem imperativo, pegajoso nas palavras mal ditas, reprimidas, confusas, a buscar ressonância em ouvidos cavos, rasos. Chega se perde, chega é incompreendido, chega some, chega vai feito animal de circo em picadeiro teatral, em performances bem ditas, santas por olhos cegos, deletérios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1191809229577331572?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1191809229577331572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1191809229577331572' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1191809229577331572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1191809229577331572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/11/chega.html' title='Chega...'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1461231976370214229</id><published>2011-10-25T10:56:00.000-02:00</published><updated>2011-10-25T10:57:24.343-02:00</updated><title type='text'>Localiz(ar)</title><content type='html'>Gosto-te daqui, de lá, desse (des)lugar que sou, estou;&lt;br /&gt;Sinto em mim por ti inexato, ‘desabença’;&lt;br /&gt;Não diria amor, porque não há sentir que tenha dizer, que toda palavra fica vazia em peito cheio; &lt;br /&gt;Sobra o pequenino grande gostar, livre, leal;&lt;br /&gt;Esse canto conhecido do amanhecer;&lt;br /&gt;Esse querer bem;&lt;br /&gt;Deixar voar, palavra amor leve por ti em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1461231976370214229?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1461231976370214229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1461231976370214229' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1461231976370214229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1461231976370214229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/10/localizar.html' title='Localiz(ar)'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1261279499125560375</id><published>2011-10-07T17:42:00.002-03:00</published><updated>2011-10-09T14:03:27.928-03:00</updated><title type='text'>Sorriso</title><content type='html'>Ela quisera ser a razão daquele sorriso dele. Aquele sorriso solto com os braços a se fechar quase em abraço de chegar perto, muito antes de chegar. Aquele sorriso incontido da visão que se espera, da ansiedade indisfarçada, da curiosidade de conhecer e amar no início dos tempos. Ela quisera aquele instante espontâneo de novo, de intenções de estar sem objetivos determinados, senão ser ela o motivo de um sorriso. Ele veio assim a poucos metros, amiudado de amor, que amor é miúdo por fazer um enlace penitente a olhar do meio pra cima em forma de alcance.  Amor é grande também na claridade do lábio em fissura incontida a verter um hálito de calor. Onde fora parar aquele sorriso, por que sumira daquela forma tão estranhamente bela? Ela sonhara aquele sorriso em retorno porque o guardara com mimo, sorriso biscuit.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1261279499125560375?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1261279499125560375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1261279499125560375' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1261279499125560375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1261279499125560375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/10/sorriso.html' title='Sorriso'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-9117880907403593643</id><published>2011-09-15T16:10:00.001-03:00</published><updated>2011-09-15T16:10:46.499-03:00</updated><title type='text'>'Onuírica'</title><content type='html'>Aquela situação onírica repetia-se. Aquele nu envergonhado, desprotegido. E se todos os olhares não viam, era como se estivessem lá a vê-la sem quaisquer vestes, por convenção ou redenção. Não havia; simplesmente não havia nada passível de encobrir, posto que o sentir, a vergonha era desvelada, erótica e caótica. Quem saberia daquelas motivações íntimas ruminadas num regurgito ácido e atemporal? Quem saberia dos incapazes momentos? Não que fossem rápidos. Sabia que não eram, pois duravam por dentro, eram genéticos. Os instantes na duplicação nuclear de cada célula, enquanto a epiderme se perdia inelutável, cascas para ácaros monstruosos. Enquanto isso, restavam falhas, fossos em linhas rasas e profundas, às vezes lesões de arrasto, do beijo em acalento, do desprezo que soma, fixa e corrói. Mas havia algo abismal, inerte e sem fundo, um inexplicável indelével além da superfície. Então vinha o sonho avisar, vinha a lembrança ao acordar de tempos imemoriais, desses mesmos tempos vividos e revividos num suspirar e respirar sem ar. Lugares em fronteira a disputarem cada naco de pensamento e de agir. Ah, se todas as convenções fossem demolidas e restassem os escombros inertes; que liberdade! O nu seria cálido e constante, sem apegos às idéias, às disposições do espírito. Passantes nus a comporem harmonias em melodias dissonantes, surpreendentes. Passantes bem vestidos, sem têxteis, senão gestos de identidade, adereços sem medida e padrão. Nus em forma e sentidos. Aquela situação onírica teimava...teimava... ‘Onuírica’...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-9117880907403593643?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/9117880907403593643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=9117880907403593643' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/9117880907403593643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/9117880907403593643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/09/onuirica.html' title='&apos;Onuírica&apos;'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3385509446928025044</id><published>2011-09-02T10:20:00.002-03:00</published><updated>2011-09-02T10:22:49.186-03:00</updated><title type='text'>Vacila</title><content type='html'>Como decai o homem de um dia para o outro. Em certo tempo está vigoroso, de voz potente e sorriso sarcástico.  Depois vem vacilante, com uma típica impaciência de quem não traz o corpo bem aprumado, as articulações suficientemente flexíveis. A visão também não obedece, “preenche o cheque para mim?” Vai pela vida nessa cantinela dos negócios, das vendas e trocas financeiras, assina quantos mil papéis monetários; continua a assinar, pois não se desgruda da sua identidade bancária, utilitária. Não se desgruda das suas parafernálias de viver enquanto ser de valores arbitrários, abstratos, mas de uma realidade interior sólida que só esboroa no instante de morte das partes; a matéria que se desfaz.  Até um dia paralisar de vez, cegar de vez...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3385509446928025044?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3385509446928025044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3385509446928025044' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3385509446928025044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3385509446928025044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/09/vacila.html' title='Vacila'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7152457525040886529</id><published>2011-08-10T13:16:00.004-03:00</published><updated>2011-08-10T13:23:16.569-03:00</updated><title type='text'>'Ilusionados'</title><content type='html'>Eu sinto essa imobilidade, minha e de todos. Sinto arder em meu estômago, uma das vísceras da alma. Onde estarão as virtudes? Se as soubéssemos...que bálsamo teríamos. É que hoje tanto faz, posto que tudo é perdoado, embora a tortura seja lenta e silenciosa para quem não quer sentir, ouvir. Torturados de vendas, a não ver o carrasco nem forca, senão um imaginário torto sem os encantos surreais, mas invertido, carcomido, como uma cicatriz, viva cicatriz. Se tudo quanto queremos está lá na prateleira, basta colher sem os esforços primitivos da coleta, basta pegar e trocar por papel inerte, um engôdo engenhoso pra nos livrar do peso mineral, um engôdo fosco de brilhos em personagens e natureza morta. Sentes essa imobilidade? Essa sedução ilusão? Crês talvez na incompreendida luta de conjecturar saídas para onde não há saída, labirintos minotáuricos, essa fusão tão apropriada ao humano enganador.  Não, não sentes a imobilidade, posto que avanças irrefreável ao gosto de pegar pois qualquer beneficiado à venda, agregados ilusórios de valor, apêndices criados em avanços de narcisos, cheios de vontade de poder.  Mas não queres colher amor, posto que este pressupõe o primitivismo da troca.  Pressupõe também o trocar em abstrato, para além do objeto. Há nuances maravilhosas nisso, imprecisões raras, acertos inimagináveis de sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESCREVI ESSE TEXTINHO, COM CARINHO, PARA OS AMIGOS DO http://www.pessoasatoa.blogspot.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7152457525040886529?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7152457525040886529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7152457525040886529' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7152457525040886529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7152457525040886529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/08/ilusionados.html' title='&apos;Ilusionados&apos;'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7781723192814666389</id><published>2011-08-09T16:49:00.001-03:00</published><updated>2011-08-09T16:52:00.597-03:00</updated><title type='text'>Apontamentos filosófico-culinários?!</title><content type='html'>Apontar não é pôr ponta, senão dizer da ponta, da ponta da língua, amiga do gosto, filosoficamente palpitante por papilas descobertas, amigas, receptáculos engenhosos de sentir gostos, o tempero de cada alimento, sofrimento e gozo.  Temperar não é moderar, é antes tirar vantagem e ultrapassar o gosto original, sem temperança, posto que tempero é saliva abundante, rio de sabor. Outro dia desses Mariazinha aguou na boca de tanto sabor irreal pelo tempero de alecrim.  Alecrim veio doce na berinjela ao vapor, veio doce em conserva no azeite;  alecrim declinou o amargor do jiló. Alecrim não era mais dourado de campo, cantado na corda do violão, vinha só na sensação da cor pelo gosto.  Alecrim temperou, Mariazinha gozou, gozou no sabor nem doce, nem salgado, gozou no entrelugar de suas papilas de memórias vãs e outras recuperadas, inteligentes, vivas papilas a temperar sua alma de (im)puro alecrim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7781723192814666389?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7781723192814666389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7781723192814666389' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7781723192814666389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7781723192814666389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/08/apontamentos-filosofico-culinarios.html' title='Apontamentos filosófico-culinários?!'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6259425827446366670</id><published>2011-07-29T09:50:00.010-03:00</published><updated>2011-07-29T10:18:22.042-03:00</updated><title type='text'>Epílogo Arco Solidão</title><content type='html'>Após ouvir de você tantos descalabros, ponho-me ferrenha a defender-me como K. ou como qualquer outra figura feminina, que antes de desejar os ouros, desejou o ouro maior da cumplicidade, do afeto além do desejo, mas contaminado pelo maior desejo que houvesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual seria este o desejo, o maior? Essa percepção do outro em si nesse espelho de reconhecer que a muitos pode parecer grotesco ou ameaçador, mas que é a única razão de existir. O não ver o outro como outro, mas como parte de si próprio. E tanto me foi negado esse desejo, que os ouros então vieram fazer companhia por pura solidão de tanto encontro negado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sofres de solidão meu caro é porque não foi raro nesse reflexo de mim mesma, mas se pôs a espelhar-me da maneira enviesada de quem se defende de fantasmas de outrora e desse hoje desatino. Não me culpes por essa natureza maligna, medieval, pois sou somente contradição benévola, vontade de saber-te qual uma cientista, vontade de sentir-te qual pessoa comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DÊEM UMA PASSADA NO CHUVA PERGRINA E VEJAM O ARCO COMPLETO COM MEUS COMPANHEIROS DE CHUVA ELIÉSER E FABIANO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.chuvaperegrina.wordpress.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6259425827446366670?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6259425827446366670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6259425827446366670' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6259425827446366670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6259425827446366670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/07/epilogo-arco-solidao.html' title='Epílogo Arco Solidão'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8670133331856535534</id><published>2011-07-12T17:17:00.001-03:00</published><updated>2011-07-12T17:17:49.490-03:00</updated><title type='text'>Textos eles</title><content type='html'>Era uma nuvem a esfumaçar por toda lembrança dele. Um certo ar de dia desértico, quase a soprar um vapor morno, acolhedor, mas modorrento, como a cozinhar memórias, palimpsestos. Ele era um texto, ela também. Faziam textos sós. Faziam textos juntos. Textuavam pois, em versos e prosas, em peles por conjunção em verbos de amar, amigar, sofrer também. Os textos se conheciam. Os textos se digladiavam. E vinha um susto de incompreensão de gramáticas e vocabulários de emoção impensada; pensada também. Ah como textuavam por caminhos de textos registros, textos pensados em registros, no após, no deglutir e fazer o texto sós, fazer o texto juntos. Em todo lugar que tocavam também se fazia texto de acalento e desejo.  Eles eram como meninos do dedo verde, mas o que tocavam virava mesmo só texto em silêncio e grito, um linguajar próprio e universal, um dialogar e romper, por ponto, vírgula, ponto e vírgula, dois pontos. Tiveram que fazer pontuações em seus textos para dirimir os conflitos, acertar o entendimento. Abusaram das interrogações e exclamações para enfatizar o teatro que é o próprio sentimento e dúvida. Fizeram tantas reticências...reticentes que eram... Também negaram toda pontuação a emitir gemidos e grunhidos, que eram o mais apropriado texto por certas horas. Textos eles foram, textos eles são e sempre estarão um texto qualquer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8670133331856535534?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8670133331856535534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8670133331856535534' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8670133331856535534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8670133331856535534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/07/textos-eles.html' title='Textos eles'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2944403861364209140</id><published>2011-07-11T15:19:00.003-03:00</published><updated>2011-07-12T12:46:46.083-03:00</updated><title type='text'>Acaso vistes o ocaso?</title><content type='html'>Acaso vistes o ocaso? Como foi breve naquele dia, num piscar de olhos. Dessas transições pequenas no tempo como a fundir dia e noite. Naquele intervalo de sobreposição os cumes dos prédios quase alcançavam aquela montanha a circundar o vale. Estávamos assim, entre montanhas e arrancéus e menores, apenas arremedos de morar, afundados, mortificados pela altura do relevo e pela engenharia humana. Estávamos assim, trancafiados sob luzes artificiais, enquanto o sol frio e brilhante de inverno fazia raios de aquecer, lânguidos e queimantes, até se despedir. Foi então que veio a noite do eclipse com lua de dentro em moldura rosada a escapar. Foi então que seu coração num disparo de conduzir aquele sangue coagulado teimou em querer parar. O caminho era de tempo curto como o ocaso, mas tempo não deu. Não deu pra se despedir da lua branca que por hora estava sumida. Não deu pra dizer do amor que fervia por dentro e de toda pressão cavitária a anunciar a morte. Acaso vistes o ocaso? De dia com noite deu, de vida com morte não diria que deu. Com o ocaso veio esse mundo de nada que alguns supunham de tudo. Gúnnar vivia já cansado de tantos ocasos em desalento. Disseram de chofre em uma consulta cardiológica que não havia tanta força mais em seu coração e que seu sangue assumira lentamente um aspecto viscoso, daquilo que teima em petrificar. Talvez virasse estátua, um deus de amor no ocaso naquele vale de cimento a avançar. Quem sabe todos os ocasos valeriam. Mas não, seria enterrado como qualquer um e quem sabe em sua lápide colocariam alguns de seus versos mais amorosos, ou angustiados, ou injuriados. Qualquer um que fosse. Ajuda; gritava a moça sobre Gúnnar caído na rua em descida. Ela tateava os números no seu celular sem saber escolher entre o chamado e a acolhida do ocaso. O rosto um pouco avermelhado, os traços em labuta; o nariz de ventas alargadas a pedir ar, os olhos castanhos de sobrancelhas espessas a querer ver, os ouvidos a ensurdecer. Naquele momento todo o  aparato biológico de Gúnnar se punha a certificar de suas percepções e ilusões, tudo era claro por instantes; por outros, era uma camada densa de poeira de pontos cintilantes a plainar e escorregar como a brincarem de pássaro e criança. Eram assim seus últimos suspiros, de vôo e brincadeira, enquanto a ambulância chegava resfolegando também com sua sirene infernal, tal qual uma trance entre o dia e a noite, entre a vida e a morte. E a moça constatou depois daqueles saltos sobressaltados do peito pelos paramédicos, o peito desaninhado, dolorido; dera-se o ocaso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2944403861364209140?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2944403861364209140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2944403861364209140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2944403861364209140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2944403861364209140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/07/acaso-vistes-o-ocaso.html' title='Acaso vistes o ocaso?'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5550418259423901070</id><published>2011-06-27T10:12:00.001-03:00</published><updated>2011-06-27T10:12:54.909-03:00</updated><title type='text'>Além do inesperado</title><content type='html'>Nada pode ser mais aterrador que o vazio dos dias, enquanto em vã tentativa se busca um sentido qualquer de apoio ou faísca de luz. Ela vagava assim entre sorrisos impensados, de momentos para sorrir a quem não merecia sua tristeza...Ela seguia sem seguir, pois não havia caminho que lhe condicionasse os pés já cansados, tanto que tonteou pela vida a tropeçar enquanto parecia a alguns que pisava firme.  Mas seus pés doíam desde o primeiro pisar dos dias e durante a noite já anteviam a dor no contato com o chão, posto que pés têm também a inteligência da alma...A inteligência da alma...Haveria? Ela não distinguia mais corpo e alma, que os reflexos se misturavam de tal maneira, que não havia fronteira clara, apenas um entrelaçar que de súbito se parecia com uma luta de permanência em lugar qualquer, de desejo de encontro...Era esse encontro que lhe doía, que não vinha com o outro, que não vinha consigo mesma...E acreditava piamente que já estivera nesse lugar mais preciso de sentido e o perdera por ter os olhos anuviados, a alma enfraquecida dos valores verdadeiros que trazem alegria...Ela se esforçara, mas como sempre resvalara em incompreensão do outro e de si própria...Caíra nesse buraco abismal e tinha em si essa sensação de queda que dispara o coração e o deixa fraco, dolorido de tanto resistir ao inusitado do fundo impreciso...Ela queria de volta pés de músculos bem conformados, de artérias pulsantes e veias gentis...Ela queria seus pés de volta...firmes...e um coração forte, que amasse além do inesperado...além do inesperado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5550418259423901070?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5550418259423901070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5550418259423901070' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5550418259423901070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5550418259423901070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/06/alem-do-inesperado.html' title='Além do inesperado'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6733574935543602516</id><published>2011-06-15T11:52:00.001-03:00</published><updated>2011-06-15T11:52:22.941-03:00</updated><title type='text'>Volver?!</title><content type='html'>Vinha nela essa estranha sensação de que tudo devia se acabar, as horas, os dias, os meses. Mas quando esbarrava nos anos, vinha uma sofreguidão, um sentimento de querer voltar, feito ave migratória. Ela, porém, não tinha asas bem conformadas, e toda tentativa de retorno, doía, e sobre ela olhos de julgo vertiam uma enormidade de sensações nela sentidas, e ela não sabia bem desse retorno; se onde não chegou, finalmente, poderia chegar.  E se fosse possível essa incrível transmutação do tempo em começo e fim indistintos como um todo coeso e, por isso, cambiante? E se sua matéria fosse soluto em solvente morno de acalento? Vinha-lhe esses sonhos de dissolver e em praia de sol reconfortante ganhar nova vida a evaporar todos os miasmas que a contiveram em mistura.  E o volver seria esse passo permanente da marcha até conseguir realizar os irrealizados, sumir os desatinos, os impensados, fazer os pensados cheios de emoção e poesia sem olhos para verter, agir em não pensamento, agir em coração. Esse natural perdido era a dor dos anos, que horas, dias e meses não tinham a medida exata da perda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6733574935543602516?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6733574935543602516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6733574935543602516' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6733574935543602516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6733574935543602516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/06/volver.html' title='Volver?!'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2440649939030738734</id><published>2011-06-07T17:45:00.007-03:00</published><updated>2011-06-08T12:20:53.285-03:00</updated><title type='text'>'Desabedoria'</title><content type='html'>Meu caminho é te acompanhar de olhos, a sentir quando tu vais em aclive, quando vens, mesmo  que em sono, em declive. É como eu fosse o abismo de onde tu emerges e onde cais e submerge, ainda que em relutância protetora. Tu em mim como uma salvação e uma perdição. E então vais sempre em despedida e deixa-me o despertar da percepção de tudo o que antes não sabia, sequer entrevia nas linguagens que me rodeiam. Uma surpresa sempre, uma parte ou reentrância de ti descoberta em angústia de lembrar, em alegria incontida, que jamais saberás. Que o amor é essa desabedoria do outro por mais que se queira, que se espreite. É desaber da gente mesmo e repetir pra saber e continuar duvidoso na ânsia de mais amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2440649939030738734?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2440649939030738734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2440649939030738734' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2440649939030738734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2440649939030738734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/06/desabedoria.html' title='&apos;Desabedoria&apos;'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5146266343078593525</id><published>2011-05-24T17:12:00.000-03:00</published><updated>2011-05-24T17:12:31.663-03:00</updated><title type='text'>elvis presley - in the ghetto</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/2Ox1Tore9nw?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5146266343078593525?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5146266343078593525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5146266343078593525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5146266343078593525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5146266343078593525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/05/elvis-presley-in-ghetto.html' title='elvis presley - in the ghetto'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/2Ox1Tore9nw/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5735309588588529099</id><published>2011-05-18T17:39:00.005-03:00</published><updated>2011-05-18T17:45:07.840-03:00</updated><title type='text'>Origens vertigens</title><content type='html'>&lt;em&gt;Por sugestão de Eliéser do http://chuvaperegrina.wordpress.com/! &lt;br /&gt;Vale visitar!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se lembra certo daquele dia em que saíra sanguinolenta e chorosa por entre as pernas de sua mãe. Não se lembra que lugar de terra gretada e depois vermelha esteve em suas primeiras incursões nesse mundo, a que alguns adjetivam de todos, e que, no entanto, é o mundo de cada um, o mundinho das ‘(im)percepções’.  Talvez fosse esse momento de origem o ponto em que tudo se fundou, nas solidões e fraternidades.  O ninho quente e aquoso, depois revelado em ar sem fim a forçar os pulmões e o diafragma ainda imaturos. As primeiras sensações desavisadas e os avisos de aprender para sobreviver. E tudo era inóspito se não fosse por essa eterna companhia, a fraterna maternidade. E ainda hoje a pergunta ecoa pela verdadeira fraternidade em uma enormidade de passagens por si e pelo outro. Onde estará essa amiga faminta, fraternidade, que só existe pelo outro e se extingue numa vertigem, num escape de amar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5735309588588529099?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5735309588588529099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5735309588588529099' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5735309588588529099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5735309588588529099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/05/origens-vertigens.html' title='Origens vertigens'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8856076901661674729</id><published>2011-05-16T12:58:00.001-03:00</published><updated>2011-05-16T15:54:22.505-03:00</updated><title type='text'>Olhos gordos magros</title><content type='html'>Eram gordos os olhos dele, como a perscrutar algo de nutritivo no olhar dela.  Ele buscava um gesto qualquer de acolhimento para aqueles movimentos dela desajustados, de querença e de fuga. Ele não se confundia sobre ela. Esperava com cautela a hora exata em que os olhos dela se enterneceriam, quase num piscar, como se ali ela finalmente sempre estivesse, presa àqueles olhos famintos prestes a se saciar. E esse banquete seria todo o deleite dele, e para ela restaria uma consumição da alma, de todas as energias que ela cuidadosamente havia resguardado, e ele não saberia, não imaginaria aquele deslize premeditado dela, aquele deslize certeiro, para aquele feitiço a que ela havia se entregado, o feitiço dele. Depois da consumição, restariam aqueles olhos magros dele e os dela ganhariam uma fome retumbante de volver aquele olhar de novo pra si como toda a razão de sua existência. E seu olhar pra ele seria sempre obeso, de uma morbidade assustadora e paradoxalmente desnutrida, de querer indizível de pupilas dilatadas em realidade, em sonho, em imaginação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8856076901661674729?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8856076901661674729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8856076901661674729' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8856076901661674729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8856076901661674729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/05/olhos-gordos-magros.html' title='Olhos gordos magros'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1080599104300691250</id><published>2011-05-02T17:21:00.001-03:00</published><updated>2011-05-02T17:21:48.976-03:00</updated><title type='text'>Perspectivas sobre o processo avaliativo na escola</title><content type='html'>Podemos considerar que a avaliação dos estudantes na história da educação atual conforma-se muito mais na perspectiva competitiva do mercado de trabalho, tendo em vista uma política cada vez mais exclusivista. Assim, as avaliações constituem-se em mais um dos instrumentos de manutenção do sistema capitalista, com a finalidade de garantir a estabilidade das suas ‘engrenagens’. Contraditoriamente, a escola que deveria estar envolvida com a humanização e a busca da cidadania, afigura-se muito mais como uma instituição a serviço da alimentação e incentivo da fixação dos conhecimentos necessários e, basicamente, operacionais, técnicos, e menos reflexivos, críticos. &lt;br /&gt;A noção de competição, característica das empresas, migrou delas e se firmou em inúmeras instituições. E a escola, que deveria ser um lugar de troca de experiências e saberes, tornou-se um espaço para a obtenção de títulos que garantem a entrada no mercado de trabalho ou ainda um treino para a participação nos vestibulares. Dessa maneira, ‘os melhores’ avaliados são identificados, separados. Quem sabe não serão autônomos e poderão sonhar com uma vida mais digna? A criticidade então vira reserva de poucos, até porque é necessário sobreviver, pagar o preço, consumir. Assim, incentiva-se cada vez mais a educação para o trabalho e não para o exercício da cidadania.&lt;br /&gt;Ora, como podemos conceituar, compreender a avaliação? Bem, podemos considerá-la sob vários aspectos. Contudo, em linhas gerais, podemos e devemos considerá-la como um processo e não apenas como uma ação terminativa, definitiva. No ensino baseado na concepção dialogal, a finitude é somente um ponto de apoio para o reinício de uma nova discussão. Nenhuma questão ou assunto se extingue. A avaliação é um passo para reconhecer, reconsiderar, recomeçar sempre. Não pode ser instrumento de coação e nem de acirramento das diferenças, mas de encontro de experiências e motivação do ensino e do aprendizado.&lt;br /&gt;É fundamental que o conhecimento prévio dos estudantes e a característica de cada um seja observada para se estabelecer um processo racional e idealmente justo. Assim, compreender avaliação como um processo permanente e sensível se faz urgente. Cada dia de aula é dia de avaliar. Deve-se avaliar postura, participação, atitudes. Deve-se ultrapassar os conteúdos, pois que eles não são entes solitários, deslocados da realidade de cada estudante. A percepção de cada indivíduo é que constrói a riqueza do conhecimento, do aprender, posto que nada é absoluto, pois carece sempre e obrigatoriamente de um contexto. Submeter os estudantes aos tradicionais testes que apelam tão e somente à memorização e saberes curriculares, desconsiderando as particularidades e os esforços, é limitar as possibilidades de crescimento dos aprendizes.&lt;br /&gt;O sistema avaliativo integra o processo de aprendizagem, é um instrumento importante para perceber, compreender o aprendiz em sua condição humana, que engloba limitações e possibilidades. Sendo assim, deve ser contínuo, flexível e coerente com a realidade do indivíduo, da escola, da comunidade. O pressuposto essencial da relação de ensino e aprendizagem deve ser o respeito pelo outro, a valorização. E nesta esteira, o processo avaliativo é um componente que pode subsidiar de forma positiva o intercâmbio de vivências, a compreensão de conceitos e processos, a retificação de procedimentos, mas, principalmente, provocar o reconhecimento do estudante de si próprio por meio do outro e de sua realidade, avivar suas habilidades e horizontes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1080599104300691250?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1080599104300691250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1080599104300691250' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1080599104300691250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1080599104300691250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/05/perspectivas-sobre-o-processo.html' title='Perspectivas sobre o processo avaliativo na escola'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1381258346275449027</id><published>2011-04-28T17:33:00.001-03:00</published><updated>2011-04-28T17:37:54.302-03:00</updated><title type='text'>Pátio do abandono</title><content type='html'>Enquanto a viagem seguia o menino ia a perguntar ao pai os porquês daquela máquina alada, o que a fazia voar; porquês e mais porquês, até que avistou algumas máquinas maravilhosas daquelas abandonadas no pátio do aeroporto. ‘O que aconteceu com elas papai?’ ‘Estão abandonadas, respondeu.’ ‘E por quê?’ Bem, talvez algumas partes ou peças envelheceram e outras não puderam ser substituídas.' ‘Papai...esse avião em que estamos também vai ser abandonado um dia?’ Papai olhou fundo nos olhos do menino e pela primeira vez naquele diálogo que seguia fluido, constante, interrompeu-se em pensamento...e vagamente  respondeu; ‘não sei meu filho, pode ser...’Talvez tenha pensado na máquina humana abandonada, na possibilidade do espírito ausente ou carente de atenção, ou acreditasse que alguma máquina ou humano poderia eternizar-se em constantes manutenções. Quem dirá sua percepção de finitude tenha sublimado por instantes, ou mesmo soprado em seu peito como uma dor, mas o menino não tardou a perguntar mais e mais, e ele a responder sem nenhuma subestima pelo pequeno, até chegarem ao pátio de destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1381258346275449027?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1381258346275449027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1381258346275449027' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1381258346275449027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1381258346275449027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/04/patio-do-abandono.html' title='Pátio do abandono'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-10536121920702486</id><published>2011-04-26T11:51:00.002-03:00</published><updated>2011-04-26T11:55:22.199-03:00</updated><title type='text'>Perceber</title><content type='html'>Se me coloco a te perceber, ponho-me a me perceber, e quanto mais me aguças a percepção, mais me desapercebo por intensa angústia de perceber. Se tudo quanto me dizes parece-me claro por instantes, por um refletir que se segue, coloca-se diante de mim como um escuro clarão, uma sensação de busca de claridade na escuridão. É um movimento constante, no qual fico submersa, no qual pareço flutuar, como um peixe nas profundezas e que vem à tona na busca de ar. Se penso já conhecer-te, engano-me, e engano-me mais por me desconhecer, posto que o conhecimento de mim só se faz por ti, que só me meço e me desconstruo no susto de te perceber. E na vida toda que se segue sou esse clarão na escuridão, um tatear com gosto de descoberta e perda que me fazes, que me faço. E se não me provocas esse perceber, contigo não estive, foi somente ilusão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-10536121920702486?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/10536121920702486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=10536121920702486' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/10536121920702486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/10536121920702486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/04/perceber.html' title='Perceber'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5486331409417829988</id><published>2011-04-12T23:19:00.006-03:00</published><updated>2011-04-12T23:26:00.986-03:00</updated><title type='text'>Sexta Beat</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-0Oe1bZj95Qk/TaUJXXN61qI/AAAAAAAAANg/YRU2g4GQ66M/s1600/capa_bb6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 222px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-0Oe1bZj95Qk/TaUJXXN61qI/AAAAAAAAANg/YRU2g4GQ66M/s320/capa_bb6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594888409051748002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler...degustar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://"&gt;http://beatbrasilis.wordpress.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5486331409417829988?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5486331409417829988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5486331409417829988' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5486331409417829988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5486331409417829988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/04/sexta-beat_12.html' title='Sexta Beat'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-0Oe1bZj95Qk/TaUJXXN61qI/AAAAAAAAANg/YRU2g4GQ66M/s72-c/capa_bb6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5931642930175429954</id><published>2011-03-28T09:24:00.004-03:00</published><updated>2011-03-31T08:13:14.986-03:00</updated><title type='text'>Uma arqueologia</title><content type='html'>Amor poderia se chamar curiosidade, curiosidade de cada parte não tocada, não anunciada;&lt;br /&gt;Cada parte usurpada por pura e simples natureza inacabada de cada instante;&lt;br /&gt;Se te colocas a encontrar e registrar cada espaço de superfície e falha do outro;&lt;br /&gt;Se te incumbes dessa arqueologia amorosa, falhas por entre as falhas;&lt;br /&gt;E crias um abismo de profundidade oca a ressoar infinitas canções de desatino;&lt;br /&gt;E em vão procuras a origem das cicatrizes visíveis e invisíveis;&lt;br /&gt;E a constituição dos suores, rios do enlevo e do labor, os fluidos de todo dia;&lt;br /&gt;Porque queres todas as rotinas, todos os relevos e planuras naquele corpo, naquela mente;&lt;br /&gt;Todos os volteios, as barreiras intransponíveis, os limites do céu, os magmas do subsolo daquela alma que sonhas completa, mas que aceitas humildemente incompleta;&lt;br /&gt;E os sons que o outro entoa fazem-se signos de presença, de ausência;&lt;br /&gt;São odes, são louvores e gritos sufocados, ainda que embalados por sussurros;&lt;br /&gt;Amor poderia se chamar uma disposição arqueológica;&lt;br /&gt;Posto que qualquer um é solo, é rocha de outros tempos em camadas datadas e indecisas, os limites a flutuar; &lt;br /&gt;Amor é um caminho para o encontro de um ponto qualquer desencontrado;&lt;br /&gt;Aquela reentrância jamais vista, percebida pelo tato, pela intuição; &lt;br /&gt;A descoberta das descobertas;&lt;br /&gt;Quase uma pureza e uma alegria da alma de saber do outro aquela pequena grandiosidade desconhecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5931642930175429954?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5931642930175429954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5931642930175429954' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5931642930175429954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5931642930175429954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/03/uma-arqueologia.html' title='Uma arqueologia'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6214910674147436855</id><published>2011-03-25T15:17:00.001-03:00</published><updated>2011-03-25T16:30:42.453-03:00</updated><title type='text'>'Compridez' e finitude</title><content type='html'>A vida é essa mistura de ‘compridez’ e finitude, pensava Liria. É comprida quando se faz cansativa, a despeito de inúmeras possibilidades e nenhuma a que se queira realmente acolher. É finita porque a morte sempre à espreita; vem fatal ou vem de um jeito mau, lenta e dolorosa.  Esses dias Liria recebeu a notícia da morte do tio Senhorzinho, quase só conhecido pelo apelido parecido com ele, um senhor pequenino. Talvez uma delicada paródia para o seu jeito distinto e para uma terra de coronéis, sempre de coronéis. Mas ele não era coronel e sua morte seguramente não fora pequenina, como nenhuma outra. A dele em especial, nessas cidadelas do interior, eram não festejadas, mas gentilmente acompanhadas num velar de casa a receber parentes e amigos. O aconchego dos almoços e das festas era o mesmo aconchego do descanso, qualquer que fosse ele.  Seguramente, intuía Liria, o morto ali estaria menos intimidado, cercado pelos objetos assujeitados de uma vida. Nada mais impessoal que um velório numerado repleto de coroas de flores enviadas apenas por pura formalidade. É certo que em qualquer lugar existem os comparecimentos ‘obrigatórios’, mas certamente o morto velado no interior das suas próprias casas é mais respeitado, posto que continua a ser o anfitrião mais importante daquele espaço; não é deslocado de seu ambiente por rejeição da morte; continua querido, acolhido. Senhorzinho é grande em sua casa; no velório 1, 2 ou 3...seria apenas mais um, disputado por empresas funerárias, ausente na morte, comercializado até em ausência. Liria se perguntava: porque aumentar a morte em lugares tão impessoais, porque querer retirar a pessoa de seu espaço com tanta pressa se o usual enterro já era tão definitivo e árido. Senhorzinho nasceu no semi-árido, em terra gretada de sol, cercado de vegetação rala e arbustiva, sem as frondosidades do clima úmido. Senhorzinho viveu seu lado criança, seu lado moço, seu lado senhor(inho). Senhorzinho morreu em casa e lá foi velado ausente presente, nesse entrelugar mais confortável, mais amoroso, distante dos grandes centros urbanos em que morte e vida são anônimas, seriadas e objetualizadas, informes. Pelos relatos sobre tio Senhorzinho, que quase alcançou a oitava década, a vida relativamente comprida não era cansativa; houve alegria, flores e danças.  Houve também dor. A vida talvez fosse uma mistura mais cheia de elementos, concluía Liria: ‘compridez’, finitute inevitável e finitude de momentos diversos, tristes e alegres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6214910674147436855?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6214910674147436855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6214910674147436855' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6214910674147436855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6214910674147436855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/03/compridez-e-finitude.html' title='&apos;Compridez&apos; e finitude'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4561480471236446956</id><published>2011-03-16T14:13:00.001-03:00</published><updated>2011-03-16T17:38:03.628-03:00</updated><title type='text'>Fome de ar</title><content type='html'>Ela lutava para encontrar uma paz que fosse no redemoinho em que se enredara. Ela lutava, enquanto as perguntas sem respostas se multiplicavam, enquanto a ausência se instalava silenciosa ao olhar de qualquer um que fosse. Ela lutava nessa imperceptível luta solitária, sobre a qual ninguém sabia, ninguém perguntava; ninguém poderia, em verdade, perguntar sob risco eminente de se frustar diante de respostas tão evasivas, desorientadas.  Ela parecia que não lutava, mas seu coração saltava sem saída dentro do peito, chocava-se com seu frágil tórax, que aos poucos ia se fechando para a atmosfera cheia de miasmas, partículas indecifráveis, incapazes de aplacar sua fome de ar. A densidade era tanta e pouca; faltava e transbordava a densidade. Então o ar não se segurava; ele escapava enquanto seu peito multiplicava as contrações, ainda que em disfarce de face.  A fome de ar era de sentir a claridade do mundo, a razão do mundo. Nada poderia ser tão dolorido como a fome de ar. Ela lembrava-se da gata Potira no instante de morte, de sua fome de ar a arfar pela vida. Lembrava-se que nada pôde fazer, enquanto os olhos saltados de Potira imploravam por um pouco de ar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4561480471236446956?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4561480471236446956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4561480471236446956' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4561480471236446956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4561480471236446956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/03/fome-de-ar.html' title='Fome de ar'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2307716666112772471</id><published>2011-03-14T11:23:00.001-03:00</published><updated>2011-03-15T15:15:28.184-03:00</updated><title type='text'>Manhã aterradora</title><content type='html'>Não lembrava a ela uma manhã tão aterradora. As imagens descoladas do cenário como em um filme fantasmagórico. A igreja atrás da praça sobre aquele céu cinza macilento, como a flutuar, enquanto a cruz central se impunha sobre sua cabeça. Aquelas tantas pessoas a passar em direção ao trabalho, nas suas rotinas solitárias, com seus rostos entristecidos, mas nem todos. Os lixeiros passavam em três no caminhão a recolher os resíduos da vila num dinamismo e num sorriso de surpreender, após a chuva copiosa da noite última que passara. Deram de estourar alguns sacos cheios de ar e fazer um som tão estrondoso que o coração dela disparou e as costelas subitamente comprimiram seu tórax e abdômen que já vinham acossados por todos os lados. O ar a faltar nela e induzir as lágrimas; os intestinos a se retorcerem como a quererem expelir toda a angústia de uma vida, que agora lhe parecia mais angústia pela finitude do tempo, pelas escolhas que aviltavam seu pouco poder de decisão. Enquanto isso, ela avançava em ziguezague para se desviar da sujeira que não fora lavada pela tempestade; e a despeito de todos os esforços dos coletores de lixo, tudo permanecia lama misturada a uma grande variedade de substâncias a que chamam restos, mas tudo vivo com aqueles cheiros e cores fortes. Enquanto isso uma cadelinha no cio seguia também acossada por um macho, e tudo à volta não existia, senão aquela imprevisão de um ato necessário, urgente.  E ela? Ela ia novamente naquele caminho repetido, ao passo que outros caminhos a sabatinavam como fantasmas intrometidos. O dia iluminado timidamente chegava para abrandar aquela noite escura dentro dela. Mas a cruz suspensa em sua mente permanecia, como uma busca qualquer de redenção; até que logo à frente aquela menina de vestidinho goiaba aparecia no amanhecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2307716666112772471?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2307716666112772471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2307716666112772471' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2307716666112772471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2307716666112772471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/03/manha-aterradora.html' title='Manhã aterradora'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7010190264279066266</id><published>2011-03-10T11:06:00.002-03:00</published><updated>2011-03-10T20:01:34.260-03:00</updated><title type='text'>De tanto querer voar</title><content type='html'>A mesa era grande, e os bancos paralelos estendidos, de forma a permitir maior proximidade da fala e dos olhares. Esses momentos à mesa, geralmente, davam-se por ocasião do café da manhã daqueles dias chuvosos de um carnaval em que decidimos sair da rotina lá na serra; mas a chuva foi tanta que a diversão foi preterida por longas conversas. Os pousos de fato foram mais comuns que os vôos. Papos largos e nem por isso rasos davam-nos a sensação de nos conhecermos havia tempos, embora somente há pouco tivéssemos nos visto.  Os rios da fala escorriam e transbordavam de bocas femininas cheias de histórias, cheias de vida, como o rio e as quedas d’água lá de fora. E foi em um desses dias que dois beija-flores estrearam seu vôo. Pequeninos e delicados em um salto suicida, eles resolveram sair em busca das flores ou qualquer outro néctar que houvesse. Resolveram testar suas asas e deram de cair exatamente na mesa dos quitutes já vazia da comilança que se findava.  Após baterem no espelho logo acima da bancada, certamente confundiram-se ao ver sua própria imagem em meio há tantos apetrechos, e os limites acabaram por endurecer aquela primeira queda. Ficaram lá paradinhos sobre a madeira, como mortos, enquanto as vozes femininas se ressentiam do ocorrido. Levantei-me para ver se ainda restava qualquer sopro de beijar a flor, qualquer asa em desalinho na tentativa de alinho. Aproximei-me e toquei um deles, que saiu em polvorosa. Havia simplesmente levado um grande susto, habitara por instantes o entrelugar do início e do fim, e fizera do tombo um novo vôo. Mas o outro não se movia, tinha os olhinhos semicerrados, as asinhas inertes e aquelas cores de nuances laminadas a sair do preto, ir para o musgo, e morrer no azul céu de iniciar a noite ainda vivas; coisa linda de se ver. Aquele corpinho quente em ânsia de voar com o biquinho entreaberto ali na minha mão me deu vontade de chorar, até que alguém falou ‘coloca ele na grama’.  Aplaquei um pouco da minha curiosidade de ver de perto, imóvel, o corpo daquela criatura mágica; conformei-me parcialmente com esse velar de susto, rápido como a própria magia de beijar a flor, e o coloquei sobre a grama em um espaço de relativa proteção, para que ele se sentisse arejado e aconchegado. Sua imagem não sai da minha mente desde então. Fico a pensar nos vôos de gente de asas em braços e pernas, e suas máquinas de andar e voar. Fico a pensar na vida que por vezes morre quente de tanto querer voar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7010190264279066266?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7010190264279066266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7010190264279066266' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7010190264279066266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7010190264279066266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/03/de-tanto-querer-voar.html' title='De tanto querer voar'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4183214107908418114</id><published>2011-03-03T17:06:00.000-03:00</published><updated>2011-03-03T17:06:20.285-03:00</updated><title type='text'>Lynyrd Skynyrd - Simple Man</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/sHQ_aTjXObs?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4183214107908418114?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4183214107908418114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4183214107908418114' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4183214107908418114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4183214107908418114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/03/lynyrd-skynyrd-simple-man.html' title='Lynyrd Skynyrd - Simple Man'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/sHQ_aTjXObs/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6894509382137653755</id><published>2011-02-21T17:35:00.001-03:00</published><updated>2011-02-21T17:35:23.991-03:00</updated><title type='text'>'Impaladar'</title><content type='html'>O passar das horas era-lhe cada vez mais ’impalatável’. Ficava aquele sobejo sem gosto na boca e sobre os dentes uma camada oleosa enjoativa a impermeabilizar outros sabores vindouros. Vinha só esse ‘impaladar’ do tempo de palatabilidade espúria. Porque o tempo era ido e vindo; não dava tempo pro eu pensamento e pro seu despertar de sabores.  As papilas da língua doíam, não se conformavam com o costume dos gostos, e perdiam aquela habilidade surpreendente de amar o doce, o salgado, as bases, os ácidos e até os amargos. Era urgente aquele tempo de gosto, gostar do tempo, mastigá-lo delicadamente e engoli-lo cheio de saliva, mas a sua oralidade secava, não havia palavra boa no tempo. O tempo declinava da boca, do sabor na boca, da alma da boca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6894509382137653755?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6894509382137653755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6894509382137653755' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6894509382137653755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6894509382137653755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/02/impaladar.html' title='&apos;Impaladar&apos;'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3604974824222091965</id><published>2011-02-18T12:06:00.000-02:00</published><updated>2011-02-18T12:07:07.790-02:00</updated><title type='text'>Breve</title><content type='html'>Ela sonhara desconexo como sempre. Alguém jovem, franzino e de jeito alegre furtara algo de alguém mais velho e a entregara em segredo.  Era um relógio informe feito de substância siliconada, onde os números, as horas nadavam vez por outra. Com medo de pegar o tempo, pensando não ser mesmo coisa dela, ela apertara a estrutura com tanta força que os algarismos se contorciam, mas logo voltavam a sua forma original. Acordara em pensamento desse tempo que ganhara, que apertara, e que resistira sempre a despeito de toda aquela manipulação desregrada, escondida. Porque aquele tempo furtado viera parar na sua mão? De onde viera aquele tempo materializado, que ficava disforme no contato com ela? Foram apenas instantes de um sonho breve, como o escorrer do tempo, breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3604974824222091965?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3604974824222091965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3604974824222091965' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3604974824222091965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3604974824222091965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/02/breve.html' title='Breve'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1478713862194006804</id><published>2011-02-09T09:45:00.001-02:00</published><updated>2011-02-09T09:45:23.935-02:00</updated><title type='text'>Lucidez</title><content type='html'>Clara chegara à conclusão que a lucidez era o próprio desatino, e tino mesmo era coisa de gente sonhadora. ‘Porque sonho, mesmo parecendo desatinado, é cheio de verdade’, pensava ela . ‘Agora, na Lucidez cabe tudo, verdade e mentira.’ Por isso a lucidez nela doía e causava tanta confusão, paralisia. A lucidez se ria dela sarcasticamente e o que restava era um movimento de abandono, de dúvida e angústia. Ela jurava que amara com sinceridade, que se doara, que fora confessa, translúcida. Mas quando tentava se ver no olhar do outro, confundia-se e voltava-se pra si como uma estranha, alguém que nunca vira, ela mesma tão ela a transbordar seu próprio eu, seus desejos bem e mal conformados. Percebia que o ver do outro não estava tão à mostra, que na mente do outro ela era um externo inatingível, e que tudo se misturava no outro e fazia uma outra forma dela. Clara estava só e seu amor e temia que amor fosse coisa só de um mesmo, que amores eram sempre diferentes de um pro outro. A prima Lucinha dizia ‘acho que eu amo o amor. Mas creio que o verdadeiro amor é ágape, dedicado e sem egoísmos.’ Talvez Clara amasse também o amor e o outro como personificação desse amor jamais alcançaria esse sentimento tão subjetivo dela, que não soubera ainda fazer avançar em direção ao sentido ágape, de um dar sem limites e exigências, de uma calmaria de sereno, quando a claridade do dia ainda não ofusca. Clara era clara e obtusa, amava sem limites, mas carregava em si limites irreprimíveis. Eram esses limites que doíam, a razão da distância do outro. Embora ela tivesse crença pia na pureza de seus sentimentos, sentia máculas insondáveis em sua natureza já acometida pela razão mais desarrazoada. Intentava possibilidades de desgarramento dela mesma, porque sabia que a dor vinha de dentro muito mais forte que de fora, porque o outro era sempre um motivo a despertar o de dentro, porque sabia e não sabia, mas queria descobrir, viver o sonho lúcido, um desatino de verdade, um amor ágape.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1478713862194006804?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1478713862194006804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1478713862194006804' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1478713862194006804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1478713862194006804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/02/lucidez.html' title='Lucidez'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5108438065016063340</id><published>2011-01-26T16:02:00.004-02:00</published><updated>2011-01-26T16:11:40.922-02:00</updated><title type='text'>Gavetas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TUBiDUPfvLI/AAAAAAAAAMs/oGJAe5n-Kl4/s1600/dali-girafa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 227px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TUBiDUPfvLI/AAAAAAAAAMs/oGJAe5n-Kl4/s320/dali-girafa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566556948542766258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Girafas em Fogo' (Salvador Dali)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa imagem sempre me inspira...mas depois de algum tempo foi o nome a causa de tanta intriga em mim...o nome do quadro no plano de fundo da imagem...a personagem no foco desfocada do nome...sem nome...mas ali tão imponente e frágil, o primeiro plano...e esses compartimentos vazios a dilacerar a carne...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5108438065016063340?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5108438065016063340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5108438065016063340' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5108438065016063340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5108438065016063340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/gavetas.html' title='Gavetas'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TUBiDUPfvLI/AAAAAAAAAMs/oGJAe5n-Kl4/s72-c/dali-girafa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2946620055256895628</id><published>2011-01-25T15:15:00.006-02:00</published><updated>2011-01-26T15:41:49.459-02:00</updated><title type='text'>Sem saída</title><content type='html'>Não lembrava a ela ter vivido um momento em que sua sobrevivência fora tão ameaçada, um momento em que houvesse tanta fragilidade e inconstância diante de tudo, do outro e de si mesma. Era o lugar do próprio labirinto de si, e a fera ameaçadora não tinha formas híbridas, o minotauro, 'parte homem e parte touro' , senão uma sombra que se adensava e escapava, também uma aberração. Diziam a ela que era um período de crise, dessas vertigens produtivas que provocam mudanças de atitudes, embaraços e acertos. Pessoas, certamente positivas, pelo menos no discurso.  Mas ela tinha por dentro desde que nascera apenas uma pálida solidez, uma ‘solidez a se desmanchar no ar’, um esvaecer dos sentidos, como se a própria sombra a rondar fosse ela mesma, inconsistente pelos caminhos, a desviar sempre sem destino, num afastamento do lugar de encontro; ânsia de encontrar, dor de desencontrar. Estava encurralada pela expectativa daquilo que sequer precisava, compreendia. Não tinha identidade, não percorrera lugares em escalas pertinentes, a que chamavam avançar; simplesmente caminhara sem rumo e fora acumulando não lugares sem sincronia uns com os outros, meros fragmentos. Abandonara possibilidades; em realidade tinha aversão delas, posto que as compreendia muito mais como impossíveis. Amigos e familiares a rodearam de atenção e perspectivas, crentes de sua força, dessa imanência que atribuem a todo ser. Porém, nela o imanente se desfazia antes da ação, pois que se colocava em dúvida permanente, e sempre entre dois propósitos com os quais não simpatizava tanto assim, até que procurava um terceiro, e mais outro, até o significado sublimar, esse desmanche de mágica da química; sublimação, naftalina. Ela era a própria sublimação, mas não guardava em si nada de divino, sublime, de luz; era apenas um pedaço de carne emburrecido, embrutecido, melancólico e, por vezes, afetado de alegria, enlouquecido. Uma louca a fazer análises sucessivas de si, sem alcance qualquer, e tantos alcances às vezes, que a lógica explicativa se perdia.  Essa incompreensão de si para si causava no outro um desatino a virar desafeto, e ninguém mais queria se aproximar dela sob pena de também se perder. Então, ela ficava só, a pensar sobre os caminhos e lugares em que nunca estaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2946620055256895628?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2946620055256895628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2946620055256895628' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2946620055256895628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2946620055256895628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/sem-saida.html' title='Sem saída'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8568149314981125415</id><published>2011-01-23T10:28:00.001-02:00</published><updated>2011-01-25T11:17:13.720-02:00</updated><title type='text'>Nebulosas</title><content type='html'>Quando vira a floresta pela primeira vez rondava uma certa nebulosa à frente de seus olhos, como se fosse realidade e sonho  imbricados, inevitavelmente unidos naquela noite. Era uma noite suspeita. De início não deixava ver estrelas. O chão de grama estava úmido da chuva ao toque de seus pés parcialmente nus. Ia ao encontro de alguém, onde um aglomerado de pessoas em burburinhos se formara, ao som de música, no balanço alguns corpos, enquanto o céu aos poucos se abria em estrelas. Enquanto isso, a floresta ia adiante, na calmaria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não se lembrava bem da lua naquele dia, mas certamente ela aparecera, ainda que discreta, pois que no caminho da floresta os contornos dos troncos e galhos das árvores eram perceptíveis, embora, por vezes, se confundissem com a cor da noite. Umas mãos a guiavam, as mesmas que a acomodaram naquele pedaço de tronco, que mais se parecia um barco em espera. Muitos, certamente já teriam se sentando ali a silenciar, a conversar, a se tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos que a guiaram disseram que o lugar era de seu agrado, porque era tranqüilo e levava a outro lugar que lhe inspirava. ‘Nunca levara ninguém até ali’, aquelas mãos lhe confessaram. Ela sentira aquela afirmação como um segredo. Não foi longa a visita, apenas o suficiente para que ela guardasse na memória. Eram as mãos que mais lhe valeram naqueles instantes de nebulosa, e também os olhos das mãos, porque o lugar seria para ela um tanto inóspito, e quem sabe jamais visitado com pouca claridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela voltara àquelas imediações da floresta depois de algum tempo à luz do dia. Não fora com o intuito de vê-la, mas ao finalizar seus propósitos naquele dia, resolveu retornar, reconhecer aquele lugar tão próximo que nunca avistara e que finalmente alguém a apresentara. Custou um pouco a reconhecer a entrada, o caminho, intimidou-se com supostos olhares, mas o encontrou sem pergunta alguma a qualquer um que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhou que a floresta encantada fosse meio rala, de árvores menos numerosas.  O noturno havia lhe concedido uma atmosfera mais densa, um silêncio de esconderijo.  Mas ali na claridade a floresta não provocara desencanto, apenas lhe mostrara sua outra face. Naquele dia em que fora apresentada a ela, ficara pelo meio do caminho. Desta vez resolveu ir mais adiante, até o princípio de qualquer fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu lentamente pelo passeiozinho calçado, e não pôde avistar com clareza todos os detalhes. Redimiu-se da tentativa, desculpou-se pela nebulosa do outro dia. Avistou uma moça fardada vindo em sua direção e ficou meio receosa por ser o caminho bastante ermo, porém, não houve qualquer olhar de reprimenda ou curiosidade para ela. Continuou seguindo, até que o som invadiu seus ouvidos. Embora parcialmente misturados, foi possível perceber com nitidez a quase exata localização de onde vinham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sons ressoavam de um prédio dividido em duas metades; de um lado, um instrumento de sopro a entoar uma música um tanto melancólica, de outro, a música de um piano, esta mais incisiva, forte, com ritmo mais rápido. Foi uma nítida sensação de entrelugar. Mas fora também o princípio do fim, pois que chegara ao fim daquele caminho guiada por uma lembrança, que neste dia veio-lhe muito imponente. O sentimento da especialidade daquelas mãos a guiá-la pelo caminho escuro, que finalmente daria em um lugar de sonoridade tão variada a provocar tantas sensações.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ela percebera que a nebulosa eram aquelas mãos que a guiavam; porque elas existiam é que sua visão não se mirou no detalhe, não se potencializou na escuridão, e o momento era de criação, caótico. E essa segunda visão fora de magia diversa, de encanto em potência, posto que de descoberta autônoma e de retomada, de uma prévia visão, que dizia; ‘preste atenção a esse lugar, ele leva a outro lugar, sinta o encantamento desse lugar, desse lugar que se faz no nosso existir’...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras nebulosas viriam, as necessárias que fossem, mas aquele momento de nebulosa que vivera, sua explosão em estrelas, era absolutamente original ainda que aparentemente ordinário. Ela constatara que sempre surgiriam novas criações, incontáveis constelações no céu e na alma, e que os olhos nus seriam sempre frágeis, débeis para perceber tamanha grandiosidade...Era preciso estar atento às nebulosas, senti-las; era preciso estar muito atento, pois elas eram a própria alegria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8568149314981125415?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8568149314981125415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8568149314981125415' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8568149314981125415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8568149314981125415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/nebulosas.html' title='Nebulosas'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7763067332834729209</id><published>2011-01-23T10:21:00.000-02:00</published><updated>2011-01-23T10:22:27.290-02:00</updated><title type='text'>Lagartos 7</title><content type='html'>Pensava Liria: “E se pudéssemos nos metamorfosear em lagarto?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7763067332834729209?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7763067332834729209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7763067332834729209' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7763067332834729209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7763067332834729209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/lagartos-7.html' title='Lagartos 7'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8555028902003560108</id><published>2011-01-23T09:24:00.000-02:00</published><updated>2011-01-23T09:25:19.445-02:00</updated><title type='text'>Lagartos 6</title><content type='html'>Uma lagartixa emoldurada naquele espelho de banheiro. Sim, um quadro vivo, de contornos precisos, a cauda enrolada como um arabesco, como uma pose, ou simplesmente um descuido do parar em estética surpreendente. Liria estava ali deitada naquele aparelho em forma de cama e já ouvira muitos a comentarem daquela forma ali grudada, adesivada. O que aquele ser esperava? A penumbra da sala para especular o lugar, alimentar-se, viver? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liria e a mãe há algum tempo freqüentavam aquela sala, onde recebiam puxões restauradores de molas e braços, onde mãos as ajudavam a reconhecer o toque, cada superfície desconhecida do próprio corpo, do anestesiado corpo de todo dia, alijado pelos pensamentos inconfessos e confessos. E porque ali estaria aquela imagem recorrente? Aquele lacertídio prestes a fugir, mas que nesse instante era estanque, como a mover só pensamento? Que convivência dura aquela com os humanos, que faziam aquele ser converter-se em mera figuração sem, contudo, ser camaleão? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quereria ela, certamente, ser camaleão, mas quaisquer olhos que lhe vissem reconheceriam seu disfarce. Entretanto, volviam seu olhar com admiração e perguntas, quase como a vê-la como humanizada, com intenções bem conformadas. Fosse um lagarto menos doméstico, não seria tão bem vista por todos, sequer admirada. Um atrapalhado fujão, assim seria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era esse contraponto entre o doméstico e o selvagem que admirava e afrontava Liria. Essa contaminação do humano na lagartixa, essas fugas menos prementes, essas estratégias comoventes por puro engano, como se ela finalmente não estivesse ali, fosse tão somente um desenho no espelho, como muitos humanos, sem qualquer profundidade em relação ao outro, tamanha a aderência do corpo sobre sua própria imagem, a ver somente e só a si mesmos, sempre nesse espelhamento a farejar o de si no outro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8555028902003560108?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8555028902003560108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8555028902003560108' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8555028902003560108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8555028902003560108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/lagartos-6.html' title='Lagartos 6'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2542678558469832249</id><published>2011-01-22T08:36:00.000-02:00</published><updated>2011-01-22T08:37:20.481-02:00</updated><title type='text'>Lagartos 5</title><content type='html'>A visão daquela lagartixa ali esmagada no portão, rodeada de formigas de traseiro cor de ouro foi um tormento para elas. ‘Que dó’, lamentou a mãe de Liria. Primeiro espremida sem ninguém que a avistasse, depois comida lentamente por aqueles insetos carnívoros. Que sina mais triste, morrer assim num fechar de porta, num trancar displicente. E toda morte não é mesmo um fechar de portas e não se dá de susto, por acidente, muitas vezes?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Elas também poderiam ir desse mundo nesse piscar de olhos. Agora pior que piscar e não ver mais seria olhar e não ver. Não ver mais os lagartos em suas fugas vertiginosas. E nesse não ver definitivo, serem carcomidas por quaisquer insetos ou organismos microscópicos sem qualquer salvação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lagartixas sempre foram bem vindas naquela casa, sobretudo, é claro, por seu adorável gosto por baratas; um inseticida natural e ágil. Além disso, esses pequenos lacertídeos lembravam a elas réplicas diminutas e delicadas de répteis pré-históricos, quase míticos a vagar por florestas distantes. Só que estranhamente vieram conviver nas casas. Em que momento teria se dado esse movimento lacertídeo para um ambiente tão hostil, em que portas e trancas podem os esmagar quase sem chance de fuga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas se sentiam assim; sem chance de fuga. Esmagadas e rodeadas por formigas famintas a roer suas idéias e sonhos simples, seus olhares deslocados na multidão. Talvez outros também se sentissem assim e vagassem por pensamentos inconclusos, por terras desconhecidas, alienígenas. Por isso, os lagartos as encantavam, e as lagartixas, em habitat tão antinatural, intrigavam-nas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2542678558469832249?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2542678558469832249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2542678558469832249' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2542678558469832249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2542678558469832249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/lagartos-5.html' title='Lagartos 5'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4008155723262635838</id><published>2011-01-21T08:38:00.000-02:00</published><updated>2011-01-21T08:42:17.290-02:00</updated><title type='text'>Lagartos 4</title><content type='html'>Os lagartos em fuga, um desejo profundo em Liria. Eles pareciam a ela nunca contingentes, obrigatórios. Sua permanência nos lugares era fugaz, eles não se demoravam e raramente deixavam rastros. Pareciam uma névoa que passou. E Liria queria esse passar que passou; queria mais; queria que tudo passasse sem deixar marcas, um mundo dela imemorial. O sofrimento apagado, a lembrança feliz não interrogada, só o porvir sem planos, acidental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia a ela que lagartos estavam no entrelugar, porque nem rastejavam propriamente, nem voavam. E podiam botar ovos e ainda tê-los, os filhotes, já prontos. E não se apegavam às crias. Criavam-se sozinhos, e talvez, por isso, não faziam morada, não assentavam em lugar qualquer, somente iam. De fato, não eram animais disponíveis à domesticação, embora fosse possível criá-los em cativeiro. Agora, querer afagá-los com carinhos e conversas, quase improvável. Mas a mãe de Liria cria nessa possibilidade, pensava somente que o afeto era rejeitado por falta de tato, a gentileza ideal no momento certo, uma abordagem lenta e permanente a cada dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse o mundo cruel o tanto que fosse, se o espírito do lagarto grudasse em gente, não haveria sofrer, perder, regressar. Era isso que encantava Liria, esse inevitável existir assim, um lagarto que chega e vai veloz pelos muros, a criar novas divisas, a indivisar-se por estar apenas ali e em nenhum outro lugar do pensamento, sem deslumbramentos, senão o tiro certeiro, a língua bumerangue na direção do alimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Absolutamente naturais, sem razão que se considerar, os largartos apareciam para Liria e sua mãe como a adensar o fosso de seus sentimentos, de seus tormentos diante do oposto cheio de nada, de uma vida sem considerações razoáveis, apenas o movimento de viver, nascer, se proteger, fugir, comer, reproduzir. E então, pensavam elas que isso era o verdadeiro encanto, e que apareciam assim nos caminhos, nas encruzilhadas de suas mentes para dizer exatamente da necessidade de retomar esse natural perdido, acometido da moléstia do julgo, pura artificialidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4008155723262635838?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4008155723262635838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4008155723262635838' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4008155723262635838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4008155723262635838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/lagartos-4.html' title='Lagartos 4'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4751367086271250907</id><published>2011-01-20T08:15:00.002-02:00</published><updated>2011-01-20T08:18:50.692-02:00</updated><title type='text'>Lagartos 3</title><content type='html'>Liria como a mãe não vivenciara o afeto paterno desde o início, mas teria a mãe sempre próxima. As duas seguramente não viram os lagartos no começo, mas tiveram visão reveladora tempos depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certo tempo de suas vidas apareceram vários lagartos no quintal, já em cidade longíncua dos tempos do sertão, dos tempos da vila. Elas descobriram que os lagartos estavam em todos os lugares, e sempre naquele andar vertiginoso de fuga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos fundos da casa resolveram fazer morada nos buracos do canteiro. Botavam ovos, e dos ovos pequeninos nasciam diminutos lagartos de olhos gigantes, como desnutridos do sertão naqueles corpinhos fininhos, frágeis, naquelas barriguinhas protuberantes a mostrar linhas de assombro, sanguíneas e digestivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De toda aquela vertigem rastejante, sobrou apenas um lagartinho no ninho, ao lado do ovinho quebrado. A mãe de Liria quis criar o pequenino mágico saído do ovo; tentou alimentar com comida e afeto, mas ele insistia repetidas vezes na fuga pelo corredor em direção à rua. Um dia ele conseguiu e foi dar no jardim sem que nada elas pudessem fazer. No dia seguinte estava lá ressecado, rodeado de formigas famintas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Liria achava que essa fixação da mãe em criar um lagarto era a lembrança do ovo da infância, ainda que só lembrasse por alguém contar. Algumas histórias eram como sombras, passados eternizados, e viriam em sonho e vida com diversos disfarces, faces.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4751367086271250907?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4751367086271250907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4751367086271250907' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4751367086271250907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4751367086271250907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/lagartos-3.html' title='Lagartos 3'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1184634272125619548</id><published>2011-01-19T08:30:00.002-02:00</published><updated>2011-01-19T09:56:29.715-02:00</updated><title type='text'>Lagartos 2</title><content type='html'>Antes da vila foram outras cidadelas e sua mãe, suas origens mais remotas do sertão, dos lagartos camaleões, rápidos no movimento dos membros e das cores, bem mais espertos que os lagartos do tempo de Liria. Sua mãe dizia que eram muitos e que a carne era tenra e saborosa. E naquelas terras onde a carne era escassa, o lagarto fazia a festa no almoço matutino e vespertino. Era comum almoçar ao levantar feijão com milho e vez por outra um pedaço de carne, de passarinho morto a estilingue, de lagarto morto a tiro e raramente alguma criação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ovo também era fonte de proteína e energia importantes, mas não eram muitas as aves chocadeiras, e muitas eram as pessoas carentes do alimento, as cozinheiras a fazer bolos. Assim, sua mãe se punha a vigiar o descenso do ovo, aquele parto maravilhoso que lhe dava água na boca. Por vezes, vasculhava os ninhos, e saía feliz com o ovo nas mãos, como se sua sobrevivência e alegria estivesse ali naquela esfera mágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal qual Liria não se lembrava dos lagartos no começo do seu tempo, sua mãe não se lembrava de sua própria mãe, a avó, senão por uma pequena fotografia, em que ela fechava o cenho diante do sol ardente, os braços pendentes e curtinhos apoiados em um vestido de chita a dar nos joelhos. Diziam que sofria dos nervos, teimava em não conseguir andar, e no dia do casamento recusara levar qualquer pessoa na garupa do cavalo, sob pena de amassar o traje. Terminou por levar uma sobrinha, depois de obter a garantia de que a mocinha, em hipótese alguma, seguraria-se nela. Casou-se, mas pouco durou o matrimônio, vítima que foi de um parto difícil e mal curado feito em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de Liria fora a primeira nascida e já com três anos não havia mãe que lembrar e nem pai, que este abdicou da função.  Foi então que toda fuga sem destino começou. Ela retornaria àquelas terras e veria os camaleões nos troncos tortuosos, veria a terra ressecada cheia de falhas, veria as cabras a beber no açude e os moinhos a moer a cana pra dar rapadura e o ‘fininho’, o puxento doce dos dias de moagem. A casa do pai ficava cheia de cortador de cana e o carro de boi fazia aquele som retinente, enquanto os pobres animais alinhados, presos pelo pescoço, por obra do homem, faziam aquele monótono e duro movimento circular. Via tudo enquanto o pai permanecia calado, os olhos inexpressivos naquela mansidão estranha, naquele fugir do afeto paternal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1184634272125619548?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1184634272125619548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1184634272125619548' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1184634272125619548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1184634272125619548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/lagartos-2.html' title='Lagartos 2'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4718948718541544404</id><published>2011-01-18T17:20:00.006-02:00</published><updated>2011-01-18T22:10:18.068-02:00</updated><title type='text'>Lagartos 1</title><content type='html'>Não que fossem eles os únicos fugitivos, mas Liria sempre se surpreendia com aquele movimento rápido dos lagartos pelo chão, pelos muros; surpreendia-se com a agilidade do arrastar frente a qualquer perigo, verdadeiro ou falso. Isso sempre ocorria a ela; largartos de todos os tamanhos e nuances nem tão distintas pelas ruas que caminhava, pelos muros que margeava, pelas matas que visitava e mesmo nos quintais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Liria nascera em uma casa que não se lembrava e só vira por fotos de um álbum de infância. O quintal tinha ibiscos vermelhos, assim aparentavam, posto serem as imagens em preto e branco. O lugar tinha terra vermelha, a que o tom de cinza precariamente tentava imitar, embora muito atiçasse a imaginação. A casa também era de pisar em vermelho, daquele vermelhão de concreto tingido, sedento por cera pegajosa, lindo sangue a brilhar por baixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo, esse de que ela não se recordava, os lagartos deveriam estar, e talvez Liria corresse atrás deles, ou mesmo se aproximasse enquanto eles fugiam. Liria não se lembra deles naquela vila distante de sua infância primeira, de seu primeiro ano de vida. E foram tumultuados esses instantes, contava sua mãe. As duas migraram para aquela pequena cidade em formação, cidade em busca do encontro ou do desencontro, do povoamento. Fora talvez uma viagem de fuga aquela ida, fuga para encontrar? Ela ainda ia barriga adentro, naquele rio morno, amniótico. E foi com esse ventre repleto que sua mãe navegou também no largo rio de nome também largo, rio do norte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pouco tempo Liria permanecera ali, e nunca mais retornaria. Talvez toda a angústia do seu nascimento estivesse guardada naquele lugar, fincada naquela terra encarnada, naqueles momentos de chegada e largada para o mundo, quando os lagartos ainda não apareciam para ela.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4718948718541544404?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4718948718541544404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4718948718541544404' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4718948718541544404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4718948718541544404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/lagartos.html' title='Lagartos 1'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5387231460860421643</id><published>2011-01-05T19:36:00.004-02:00</published><updated>2011-01-05T19:48:06.564-02:00</updated><title type='text'>por vir...porvir...</title><content type='html'>Estou no exato meio do caminho, fincada no sentimento inquieto do que está por vir. Por enquanto, abstenho-me das minhas e das histórias dos outros que, por vezes, são minhas também, para esperançar e medir as possibilidades do porvir, para agir e ser agida. Que seja de fim ou recomeço, mas que esteja a inaugurar algo findo em recomeço, esquecido dos tempos de nuance de parca cor, de escuro inesperado.Que seja um momento espelhado não de luz intensa cega de ilusão, mas de mansidão da alma e do corpo, de calmaria não isenta dos redemoinhos que se vão, de alegria vivida em plenitude e de tristeza bem motivada.Que seja eu diante do outro e pelo outro, um olhar de admiração sincera, a angústia que não paralisa, mas que ativa contornos de sobriedade e claridade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5387231460860421643?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5387231460860421643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5387231460860421643' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5387231460860421643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5387231460860421643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2011/01/estou-no-exato-meio-do-caminho-fincada.html' title='por vir...porvir...'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8789601294514015950</id><published>2010-12-10T17:20:00.000-02:00</published><updated>2010-12-10T17:21:20.170-02:00</updated><title type='text'>Casabarco</title><content type='html'>Ela sonhara que morava numa casabarco, e nesse navegar sem fim em oceano, sem porto qualquer, ela se perdia e se encontrava apenas por instantes. Eram tão insolentes, porém, esses momentos, tão absurdamente graves, que nela ficavam marcas de encontros e desencontros, tão precisos e precisados. E se o mar avançava por terra ou cruzava um rio a beirar o continente, ela de súbito pressentia uma idéia vaga qualquer de solo firme, estranhamente movediço, cheio de angústia. E a sensação de tanta prisão por ficar, aportar, fazia com que ela volvesse o leme pra no mar ficar. E a casabarco já era parte dela, exatamente por não ser casa, apenas barco intruso na imensidão, enquanto seu corpo era corpo que passou, como o barco passou. Sua casa se fingia de barco, ela se fingia de navegante, enquanto toda fluidez por si passava, toda fluidez de si escapava e caía no mar. Então ela era mar, era amar cada vaivém pra se aprumar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8789601294514015950?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8789601294514015950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8789601294514015950' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8789601294514015950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8789601294514015950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/12/casabarco.html' title='Casabarco'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2089838889214003990</id><published>2010-12-02T13:33:00.002-02:00</published><updated>2010-12-02T13:36:21.077-02:00</updated><title type='text'>Quisera</title><content type='html'>Quisera escrever um texto de fôlego. Quisera construir uma história em que os personagens caíssem feito estrelas cadentes na trama de infinitos nós. Quisera imaginar todos os possíveis fatos, até os inimagináveis, e fazer deles matéria prima de enredo, sem arremedos, sem medos. E colocar em cada fato o personagem mais embrenhado, cúmplice sem restrições, e que por pensamentos e atos se fizesse tão humano, frágil e forte, sempre no entrelugar, na oscilação, na contradição inerente ao viver. Quisera fazer um longo texto que coubesse a  prosa e a poesia, todas suas fusões e incongruências, até vir o real, até beirar a irrealidade. Quisera conduzir o leitor nesse caminho sem volta, nessas vidas cheias de voltas, até vir o começo, até chegar o fim. Quisera escrever um texto de fôlego. Que fosse longo o suficiente para cobrir dias e noites de dedicação por puro envolvimento voluntário. Mas que fosse na medida oposta a qualquer monotonia, senão àquela que viesse no momento exato, que monotonia é parte natural de qualquer movimento que se espere mais extenso, prolongado. Quisera ter essa respiração profunda a inspirar todos os poros, a inundar todos os vasos, a exalar perfumes doces e ácidos. Quisera, quisera tanto, que ansiava não fechar qualquer texto, qualquer vida grudada nele, e deixar uma reticência depois de conclusões inconclusas, diálogos intermináveis a germinar na alma do leitor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2089838889214003990?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2089838889214003990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2089838889214003990' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2089838889214003990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2089838889214003990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/12/quisera.html' title='Quisera'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6171011164422233052</id><published>2010-11-30T11:36:00.000-02:00</published><updated>2010-11-30T11:41:33.520-02:00</updated><title type='text'>Temia</title><content type='html'>Temia que o amor fosse apenas um discurso ou uma afirmação por absoluta teimosia de dizer o que se diz, o que se espera que se diga.  O retórico amor, um discurso aparentemente cheio, mas sobretudo persuasivo, bem ao estilo dominador, mas em forma de  fragmento, de maneira que palavra não poderia se converter em ação, amor sem amar, puro dizer... Temia que o amor fosse apenas um miasma a rondar os corpos até evaporar sobre poros de pele impermeável, a traduzir toda dureza da alma...Temia ser o encanto um momento qualquer de desatino da percepção, por simples desconhecer e se colocar curioso diante de visão, prestes a migrar em desilusão...E temia mais exatamente por temer tanto esse dizer, relutar no dito o mover da palavra em direção à realidade, posto ser o amor um capricho do dizer, um diálogo a envolver um e outro na tentativa da própria essência do discurso em ação, porque palavra é o confeito da alma, essa mistura que se enche em desatino, embora esteja sempre e sempre só, até vir um alento de ternura, um ouvido atento, um pensamento ainda que distante...Essa palavra amor temida e ousada seria então essa superfície de proteção em torno da dispersão pela  própria sobrevivência, um retorno, um ponto de equilíbrio...Por isso temia não dizer, mas ainda que dissesse temia também a indisposição sobre essa palavra amor, esse agir amor...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6171011164422233052?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6171011164422233052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6171011164422233052' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6171011164422233052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6171011164422233052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/11/temia.html' title='Temia'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6101296413592636103</id><published>2010-11-18T16:26:00.002-02:00</published><updated>2011-01-09T21:21:01.315-02:00</updated><title type='text'>Indelével</title><content type='html'>Depois que o conhecera, vivia em abraço. Ninguém a compreendia quando chegavam perto e ela, subitamente, rejeitava outro abraço, quando então dizia: ‘Já estou em abraço’.  Tudo começou quando reconheceu os braços dele e fundiu-se de forma irrefreável como num enlace inevitável. Era incompreensível o dizer dela para os olhares em redor: ´Já estou em abraço’.  Nada se via grudado nela, senão a cena, o mimetismo do abraço vez por outra. Era indelével, já parte dela o abraço. Fora permissível demais, em exagero, tanto que o abraço pregara de forma irremediável. Os familiares começaram a se preocupar seriamente com aquela moça em abraço; pensaram em coisa de espírito, em uma espécie de síndrome siamesa invisível mesmo tardia, que haveria alguma séria afecção do pulmão ou do coração que tornava o peito dolorido a rejeitar outros braços. Pensaram muitas possibilidades, visitaram especialistas, e nenhum observara nada de anormal, senão o afastamento súbito, amedrontado. Com o passar do tempo os braços dela começaram a volver outro corpo ‘inexistente’, ficavam em arco permanente e os dedos das mãos tensos; de tempos em tempos fazia uns movimentos de dança com a mãos, resguardados os limites de círculo, um abraço, talvez no entorno do corpo dele.  Ninguém jamais o vira, embora ela jurasse que o abraçara e que ele jamais a soltara. No tempo em que o abraço tomara aquela conformação tão evidente e fixa de braços em abraço, ela não pôde mais saciar a sede, a fome, pôde sequer satisfazer as necessidades funcionais do corpo, os apelos fisiológicos, sem a ajuda de sua mãe.  Viveu assim por algum tempo, como a carregar outro corpo consigo aonde fosse. Morreu assim. Nada foi possível fazer quanto às suas mãos. Por nenhum esforço manifesto elas se colocaram no peito em forma entrecruzada para a habitual vigília dos familiares e amigos após a morte. Entre ela e as mãos estava ele, ele no entrelugar do coração dela, dos braços e das mãos...Forçoso foi aumentar as medidas da caixa grande em que ela descansava e enterrá-los assim, em abraço...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6101296413592636103?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6101296413592636103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6101296413592636103' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6101296413592636103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6101296413592636103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/11/indelevel.html' title='Indelével'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3473444274463176467</id><published>2010-11-11T11:55:00.000-02:00</published><updated>2010-11-11T11:57:53.160-02:00</updated><title type='text'>O que o beijo tem</title><content type='html'>A boca dela tinha um olho, e cada vez que a língua dele se intrometia , vinha visão em via de transitar rápido, como se todo caminho se desnudasse na janela ao lado; a cena corrida das paisagens que ficam pra trás, das paisagens que se renovam e atropelam as outras. O beijo deveria ser o estável esquecimento frente a todos os dilacerantes instantes de incompreensão, os momentos superpostos de ação e inanição. Mas o olho da boca se abria adensado feito rio e vertia saliva em forma de lágrima. A boca chorava em momentos de solidão, como faminta a revelar o vazio gástrico, uma fome da alma. O beijo era também o acalento da visão, uma venda irrefreável que ela buscava insolente, sem pudores, sem limites. Mas o limite não tardava a interromper o beijo de olhos abertos, visionários. Entre vendado e desnudado, na maquínica percepção de disjunção, embora todo o desejo fosse de unir, colar irremediavelmente, o olho da boca se debatia.  A separação era nítida e jamais ela se faria decifrar e sequer decifraria aquela languidez ou rigidez muscular do beijar, do ver, do olho que o beijo tem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3473444274463176467?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3473444274463176467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3473444274463176467' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3473444274463176467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3473444274463176467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/11/o-que-o-beijo-tem.html' title='O que o beijo tem'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6989573595440704182</id><published>2010-11-09T14:54:00.002-02:00</published><updated>2010-11-09T15:25:38.752-02:00</updated><title type='text'>Mãos</title><content type='html'>Estranhas mãos essas que não se aquietam&lt;br /&gt;Mãos em ti forçosamente a reconhecer&lt;br /&gt;Mesmo em lembrança&lt;br /&gt;Cada traço, cada mormaço, cada embaraço&lt;br /&gt;Estranhas mãos essas em quietude&lt;br /&gt;Mãos em lembrança de ti, por ti&lt;br /&gt;À espera de decifrar&lt;br /&gt;Cada passo, cada queda, cada enlevo&lt;br /&gt;Estranhas mãos a desejar&lt;br /&gt;Mãos em fogo e remanso&lt;br /&gt;De alternâncias súbitas a percorrer&lt;br /&gt;A delinear suas faces de prazer e angústia&lt;br /&gt;Mãos que não se podem conter&lt;br /&gt;Ainda que por palavras a verter&lt;br /&gt;Sentidos inapreensíveis, sensíveis&lt;br /&gt;Tanto que dizem e não dizem&lt;br /&gt;Tanto que sentem&lt;br /&gt;Mãos apessoadas em seus dedos &lt;br /&gt;Entrelaçadas e fadigadas de tanto conter&lt;br /&gt;Por querer em ti fazer arte do momento&lt;br /&gt;Fazer memoriais instantâneos de permanecer&lt;br /&gt;Mãos incontidas que tanto contém&lt;br /&gt;Feito mente abarrotada&lt;br /&gt;Em registro de pensamento de estarem em ti&lt;br /&gt;Um negativo prestes a se revelar&lt;br /&gt;Mas por fantasma ser&lt;br /&gt;Apenas mãos em oferenda&lt;br /&gt;Em apreensão pelo toque de conhecer&lt;br /&gt;E encanto de desconhecer&lt;br /&gt;Mãos de entranhas&lt;br /&gt;Quase digestivas mãos&lt;br /&gt;De gestos que não bastam&lt;br /&gt;Incompletas mãos&lt;br /&gt;Doloridas mãos&lt;br /&gt;Teimosas mãos de carne crua&lt;br /&gt;Cruas em sentir outras mãos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6989573595440704182?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6989573595440704182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6989573595440704182' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6989573595440704182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6989573595440704182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/11/maos.html' title='Mãos'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3357861497992813083</id><published>2010-11-03T15:01:00.002-02:00</published><updated>2010-11-03T16:52:44.566-02:00</updated><title type='text'>Cansaço</title><content type='html'>Ela se sentia tão cansada, tão impotente diante daquilo que se apresentava aos seus olhos, ouvidos e mente. Não era um cansaço plenamente justificável, mas um cansaço de estar sempre em um não lugar, até perante o outro. Sentia-se nesse descolamento, como se o cenário estivesse diante dela e bastasse um pulo para que se colocasse no quadro perfeito, de expectativas satisfeitas, conforme seus sentimentos mais verdadeiros. Mas aquela cena não durava nem sequer o instante do esperar, pois que ela vagava sempre em espera de dúvida, já com as forças sumidas, e o coração que batia célere era puro desatino diante das possibilidades que se multiplicavam, mas nenhuma delas fazia concerto em sua alma, eram apenas dissonâncias poéticas a virar aves sem retorno. Sentia-se incongruente, como um ângulo em geometria solitária, sem par. Sentia-se sem par, sem ar, em meio ao turbilhão de suposições improváveis, sem prova sequer, apenas supostas idéias sobre o inapreensível do outro e de si mesma. Sentia e pensava sobre as vidas no entorno e dentro de si, vidas razoavelmente esperadas, continuadas, sem tantas perguntas que angustiar, só o viver a cada dia, e queria mesmo saber porque sempre fora assim desencontrada por querer e não querer, até que toda diferença de ação restasse como se nada houvesse a que se apegar de fato, somente a dúvida e a total inadequação de viver segundo um nem sei o quê de provável e respeitável.  O mundo poderia ruir, cair, mas nada seria mais tenebroso que os escombros de si mesma, escombros vazios de vivência amontoados nela, sem projetos de construção e reconstrução. Desde que se dera por viva, sentia essa inquietude sísmica, e cismava tanto por tudo e por nada, teimava-se nessa confusão, e se cansava, cansava...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3357861497992813083?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3357861497992813083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3357861497992813083' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3357861497992813083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3357861497992813083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/11/cansaco.html' title='Cansaço'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5314135715287919317</id><published>2010-10-21T16:19:00.000-02:00</published><updated>2010-10-21T16:20:00.217-02:00</updated><title type='text'>Trocado?</title><content type='html'>Ele estava sentado ali na calçada em curva, os sapatos trocados, mas bem postos em pés sem meias, o olhar vago e o dorso nem tão emborcado. Ele achou de dar-se por ali, naquele canto sem canto, enquanto transeuntes olhavam-no dispersos, uns poucos atentos. Talvez ele fosse trocado de lugar como as vestes dos pés, talvez estivesse no lugar exato que planejara por força daquilo que não entrevia.  Não havia paisagens, embora sob a cabeça o céu fosse razoavelmente azul por nuvens em contraste, rasas nuvens de chuva.  Seus olhos também eram rasos, mas por eles não verteria chuva alguma, senão breves piscadelas sem direção, pura vaguidão. E assim ele vagou por lá sem vagar, com o vagar de quem contempla sem contemplar o de fora, mas um contemplar por dentro, de um jeito sanguíneo e melancólico, tudo em vermelho e preto, dia e noite a se fazer distante dos relógios do mundo. E por horas trocou-se por lugar algum que não aquele mesmo, onde não se situou, não voltou, nem sequer esteve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5314135715287919317?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5314135715287919317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5314135715287919317' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5314135715287919317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5314135715287919317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/10/trocado.html' title='Trocado?'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-111166554151579032</id><published>2010-10-19T10:50:00.001-02:00</published><updated>2010-10-19T10:50:54.915-02:00</updated><title type='text'>Vingar</title><content type='html'>Ela se ressentia das amizades que não vingavam; ironicamente tencionava se vingar de todos esses sentimentos desatentos, rasos, indisponíveis. Mas ela também não se redimia de tê-las também negligenciado por avaliações precipitadas ou por indigestões momentâneas e até duradouras. Essa visão sempre voltada para o centro de si mesma, ainda que disperso, por boas vezes, bloqueara essa visão plena do outro, suas possibilidades infinitas, repugnantes, mas também adoráveis.  Mas ela sabia também que o outro podia ser um caminho inóspito, e então, o dispêndio de forças em desequilíbrio teria quase sempre o efeito de ofegar e lamentar menos experiências compartilhadas. Alguns diziam que existia uma tal afinidade, uma empatia a que não se podia fugir. Ela não cria piamente nessa idéia, posto que a revelação de si para outro era sempre incompleta, e esses ‘disfarces’ de proteção ou dissimulação talvez fossem o desafio mais fundo de viver o outro. E viver o outro era surpresa a cada instante, se houvesse disponibilidade, gentileza.  Mas ela nem sempre se punha disponível, gentil, porque esse ideal subsumia diante do mundo de objetivar em que se embrenhou, diante de tanta individualização. E subjetivar o outro em suas diferenças, em suas sombras, reflexos famintos de compreensão, era todo o sentido, o significado de viver.  E se a custo da sobrevivência, a alteridade tivesse que ser desprezada, o mundo seria pouco e a sobrevida ressecada, improdutiva. Teria que se vingar a todo tempo dessa escassez de sentimentação pelo outro, do excesso de sentimentação sobre si mesma. Teria que ser sentir ação misturados, em diálogo permanente, a afastar toda materialidade ou abstração utilitárias. Teria que se convencer do convívio em fragmento, em busca de completude. Teria que se convencer da dor e da alegria de conhecer, desse entrelugar dos sentimentos em ação pendular, em perfeito desequilíbrio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-111166554151579032?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/111166554151579032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=111166554151579032' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/111166554151579032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/111166554151579032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/10/vingar.html' title='Vingar'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1860050822057947259</id><published>2010-10-15T10:52:00.013-03:00</published><updated>2010-10-16T17:42:32.146-03:00</updated><title type='text'>Rever a ilha</title><content type='html'>Há lugares que nunca mais voltaremos ou veremos como tal; sensações também nem sempre serão percebidas como dantes. Os lugares, os mesmos lugares de outrora, diferentes são porque são ida em retorno, pra guardar outras experimentações, ‘sentimentações’ sobre um sedimento qualquer de plenitude e solidão. A ilha fora para ela uma descoberta redescoberta sem tanta pressa e tanto deslumbramento por imensidão de mar, mas uma angústia por registrar cada detalhe, como se fizesse lupa humana, e humana se ‘agrandasse’ na visão sempre incompleta, naquilo que não se apreende, mas vaza em si e também retém, como represa em tempo de seca, em tempo de tempestade. A perfusão de pessoas a chegar e a ir era a mesma da outra vez, mas ela não se via assim nesse turbilhão primeiro, mas em uma meia mansidão de um já visto, nem todo visto.  E revisitava aquele pedaço de terra desgarrado do continente com desejo de rever algo que não fora esquecido, mas que encontraria de outra forma, em meio a outras pessoas em espírito vário como o de sempre, e o tempo não seria o mesmo, o ‘dorminhar’, o acordar, o pisar. Repetira alguns lugares, fora a outros, e não saberia dizer da exata sensação do ‘repetir’, do ‘descobrir’. Pensava, por vezes, que a confusão vinha dessa disposição inconstante da alma. Rever a ilha fora degustar e não abarrotar o estômago faminto. Rever a ilha fora entrar em si em descoberta de susto e calma, de apreender a ilha de dentro, solitária e gregária, em desajeito e procura de firmeza. Rever a ilha fora conviver mais de perto, enfatizar o ver e o sentir dos lugares para ouvidos mais atentos quem sabe, fora segurar mãos, segurar-se sem mãos, respirar e ficar sem ar, esquentar e esfriar, perceber esse intermeio, esse entrelugar tão humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;A praia das pedras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que gosta é de mar aberto, e margeando algumas pedras, mas nada pelo caminho. Santo Antônio, a praia em Ilha Grande, é cheia de pedra pelo caminho, e até caminho de pedra a dar em outro mar. Ter uma pedra pelo caminho pode não ser lá muito convidativo, mas várias pedras em mar alto, de rocha maciça e em falhas só pra receber o mar, é lindo de ver. A água entra arrogante nas falhas e bate tão forte que sobe em movimento chafariz. Ao longe se avistam nuvens de fumaça, delicadas rosas instantâneas, rosas fluidas, rosas de água, flores atômicas no meio do mar. Eu queria ganhar uma rosa de água todos os dias à beira mar e só olhar as pedras no caminho do mar, pedras só de admirar. E pensar que foi num desvio do caminho que fomos dar no mar de pedra, com todo custo pelas pedras do caminho fomos dar em mar de pedra, pedra boa onde brota rosa de água, que nasce e desmancha em instantes, no inconstante entrelugar da rocha e do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entre a ilha e a ilha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Que distância acha que existe entre cá e lá?’ Cá era um ponto da Praia de Lopes Mendes em Ilha Grande. Lá era a Ilha de Jorge Greco. Não havia por perto ninguém que detivesse essa informação, apenas nós, eu e Helvécio, sentados no tronco de árvore e essa pergunta em busca de resposta.  A questão era optar por um método de calcular o espaço entre a praia e a Ilha. Enquanto eu supunha quilometragens absurdas, ele tergiversava sobre a impossibilidade daqueles números e propunha uma forma de cálculo que considerasse o tamanho das construções visíveis e da falange distal do dedo polegar posicionados na conhecida fórmula matemática da regra de três, que por fim definimos que resolve quase todo problema matemático. Encontramos um número razoável de quilômetros, que fez praticamente cem quilômetros cair para dez, coisa de gente que costuma andar somente sobre terra. O mar nem estava frio e as ondas não eram muito revoltas, mas do lado de fora vigorava o vento e o céu anunciava uma chuva em breve. Optamos por voltar de barco para evitar os tropeços na trilha enlameada e quem sabe a escuridão do dia que já se findava. Tudo no entre; entre a ilha e a ilha, entre o dia e a noite, entre o sol e a chuva, entre eu e ele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Dois para Dois&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvemos no último dia estender nossos ‘estudos’ na ilha e visitar Dois Rios em abraço com o mar. Pegamos a estrada, denominada também T14, e tencionamos até migrar para a T13 rumo ao Pico do Papagaio, mas declinamos da idéia. Seguimos mesmo, eu e Helvécio, pra Dois Rios, naquela estrada já cheia de história divina em oração e macabra dos tempos do presídio. Ilha geralmente é lugar de isolamento, e para elas, as ilhas, muitos foram levados para perderem a chance de serem solução de continuidade; um isolamento físico para apagar as almas que, muitas vezes, só se sabem por conviver, só se ressentem e se embatem por conviver. Enquanto isso, íamos nós nesse convívio de caminhar muito mais que falar, nesse convívio de dar as mãos e impor o ritmo pra chegar, pra descobrir. Foram várias as paradas; no mirante pra ver a Vila do Abraão por trás, nas pontes pra ver água e resvalar por rocha, até pegar a trilhinha mágica de bambus, curta e hospitaleira, e voltar pra estrada. Chegamos enfim na guarita, registramos os nomes e avistamos e vila em círculo, pequena, meio vazia, de casas antigas e árvores altas e frondosas. Seguimos para a reserva do almoço com uma das duas Terezas e aportamos no mar azul anil, ladeado nas pontas por rochas, por trás por mata atlântica, mar pra se ver todo, pra gente se fazer solidão e companhia. Visitamos também um dos braços de rio com água a cintilar ouro da areia do mar, rio a se confundir com mar. Nadamos pouco, mais olhamos com deslumbramento de ver o belo. Almoçamos comida caseira e voltamos em passo rápido pra não perder a hora da barca, a ida de volta para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entre o barco e o frio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passeios de barco são para nós que estamos longe da vida do mar, sempre uma grata surpresa. E claro, tencionamos passear em um lindo dia de sol, e mergulhar, e secar em vento morno. Mas esse que fizemos em direção às ilhas de Angra dos Reis – Botinas e Cataguazes – e Lagoa Azul foi no frio mesmo, regado a chuva e respingo de mar. Fomos eu, Helvécio, as meninas da excursão, Elisa, Mércia, Ceura e Eliana, todas animadíssimas e sempre de bom humor a despeito do tempo adverso, e prontas pra fotografar. Todos equipados e ansiosos por ver peixe debaixo de mar, por ver paisagem reluzente.  O sol não deu o ar da graça, e o frio impiedoso em certos momentos, motivo de abraços, aconchego e conversa.  O barco foi lugar de buscar mais o outro do que vislumbrar, desbravar o de fora. O horizonte em mar aberto, o fundo do mar e as terras em forma de ilhas deixaram de protagonizar a cena para fazerem parte de um cenário real, do dia que não faz sol, mais um jeito do dia no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;O pouso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pousamos na Pousada Recanto da Pedra, onde tem pedra quase a vagar pelo meio do caminho entre a entrada e o fundo, bem no entrelugar. Lugar silencioso, beirando a estrada do caminho para Dois Rios, bem no fundo da Vila do Abraão. Tínhamos de fato uma pedra no caminho, ‘no caminho tinha uma pedra’, e Eva estava lá para nos lembrar dos momentos de desviar para o café da manhã, e também nos receber logo na entrada, na volta dos passeios pela Ilha, e para nos instruir sobre trilhas e belas paisagens.  O lugar do pouso, diferente das trilhas em que nos concentrávamos nos caminhos, foi mesmo o lugar de relembrar o dia que se foi, planejar o que viria;  o lugar pra levantar vôo, o lugar para aterrissar em sono bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1860050822057947259?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1860050822057947259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1860050822057947259' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1860050822057947259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1860050822057947259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/10/rever-ilha.html' title='Rever a ilha'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1818460072709997601</id><published>2010-09-24T14:47:00.002-03:00</published><updated>2010-09-24T17:50:29.281-03:00</updated><title type='text'>Encontro de sentir</title><content type='html'>Chamam lembrança essa inscrição de ti nas folhas da minha mente,&lt;br /&gt;Chamam saudade também,&lt;br /&gt;Eu chamo mais,&lt;br /&gt;Alguma coisa sem palavra, inaudita e faminta;&lt;br /&gt;Eu chamo outras palavras e se as somo penso beirar o sentido,&lt;br /&gt;Ainda assim não digo, não encontro;&lt;br /&gt;Algo permanente assim, nem potência, nem realização, um presente em desvão, incompleto e transbordante;&lt;br /&gt;E se com prazer te fito em pensamento;&lt;br /&gt;Com ternura te miro incessante, inebriada, alcóolica;&lt;br /&gt;Uma sensação de estar com, de ponte a ligar dois lugares, e um receio de desabar e em rio me fazer mistura bem distante da nascente, origem, aura esquecida;&lt;br /&gt;No espelho minha visão refletida, parca de mim;&lt;br /&gt;E carente de saber o que vês, em que retrato me julgas ou se distrai de mim, que vozes ecoam dessa imagem de condizer ou desdizer dos cliques inevitáveis no correr do tempo, sou outros tantos, mas há um outro que sou eu mesma no encontro de sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1818460072709997601?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1818460072709997601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1818460072709997601' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1818460072709997601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1818460072709997601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/09/encontro-de-sentir.html' title='Encontro de sentir'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7116134225257199157</id><published>2010-09-22T15:40:00.002-03:00</published><updated>2010-09-22T15:41:14.742-03:00</updated><title type='text'>Amor arrebol</title><content type='html'>Ela pensava que seu amor por ele era feito um arrebol; um lugar de despedida e chegada a todo instante. Alguma coisa que se faz sem perceber; um contentamento de receber e dar, uma dor ao perder, todos os dias esse susto de ter e não ter, a inexata cor fracionada no tempo em nuances claras e escuras, feito um arrebol. Sentia uma intensidade de luz que se aproxima, uma vaguidão de luz que se afasta, como um acalento, uma despedida.  Seu amor era sim um arrebol, um entrelugar, a transição do momento, sem nenhuma garantia no tempo; arrebol tão humano, desses que abandonam qualquer um tão logo venha a cegueira eterna; arrebol desumano, desses  que desafia as pupilas em ardor. Não haveria melhor descrição senão esse lusco fusco para seu amor, amor arrebol, anúncio do sol e da lua e das estrelas. Um dia, mais de um, ela avistou com ele o arrebol que traz o sol, que traz a lua, e como num cegar santo por tanta beleza, ela virou amor arrebol...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7116134225257199157?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7116134225257199157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7116134225257199157' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7116134225257199157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7116134225257199157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/09/amor-arrebol.html' title='Amor arrebol'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5728765578578568508</id><published>2010-09-13T14:28:00.001-03:00</published><updated>2010-09-13T14:28:28.952-03:00</updated><title type='text'>Esferas insustentáveis</title><content type='html'>Era no redondo e nas reentrâncias do ombro o reconhecimento do amor. Não havia outra parte mais reveladora nele, que lhe fosse mais atraente e contente de tocar, de acariciar, como se ali estivessem guardados todos os motivos de amor e desamor, tudo revelado naquela circunferência de tato, os dedos dela no ombro dele. Era como apalpar a bola mágica, e então todas as imagens não tardavam a se desfiar como claras e débeis. Era naquele sustentar frágil de certa vez, ou por todo o tempo, o ombro - um lugar que guardou sua vida, seus enlevos, suas derrotas, seus músculos e ossos em articulação de imponência e decadência -, que ela se mirava, se misturava. Era no redondo do ombro que ela sentia o pulsar do coração dele, o porquê de, por vezes, bater lento e descrente, alheio, ausente. Era talvez a profunda angústia nesse toque, a inquietude de conhecer tanto desvelamento, que o fazia delícia. E era também um ninar de criança desprotegida, como se o choro pudesse minar súbito daquele ombro e banhar em vertigem todo o corpo amado, e respingar nela, até que os dois fossem só rio, e seus ombros apenas esferas a flutuar sob um sol morno e brilhante, leves ombros por amar, insustentáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5728765578578568508?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5728765578578568508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5728765578578568508' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5728765578578568508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5728765578578568508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/09/esferas-insustentaveis.html' title='Esferas insustentáveis'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6196232398697339254</id><published>2010-09-09T10:49:00.001-03:00</published><updated>2010-09-09T10:49:53.819-03:00</updated><title type='text'>Fundo</title><content type='html'>Amor é sentimento fundo&lt;br /&gt;De tão fundo perde o fundo&lt;br /&gt;Amor não tem fundamento&lt;br /&gt;Ainda que fundamentado&lt;br /&gt;Em argumentos falhos&lt;br /&gt;Argumentos imprecisos&lt;br /&gt;Amor é coisa de se admirar &lt;br /&gt;E angustiar no dia&lt;br /&gt;À espera da noite&lt;br /&gt;Amor é céu noturno em constelação&lt;br /&gt;Às vezes tem cara de lusco fusco&lt;br /&gt;Confuso amor&lt;br /&gt;Só certeza de fazer existir &lt;br /&gt;Existir pelo amor&lt;br /&gt;Em lembrar que volta toda hora&lt;br /&gt;Grudado no sem fundo&lt;br /&gt;Subterrâneo amor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6196232398697339254?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6196232398697339254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6196232398697339254' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6196232398697339254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6196232398697339254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/09/fundo.html' title='Fundo'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8243128735441862124</id><published>2010-09-08T14:54:00.004-03:00</published><updated>2010-09-09T09:29:11.097-03:00</updated><title type='text'>"Casa Mãe"</title><content type='html'>Ela não sabia se era mesmo a ‘Menina do Rio’, porque tinha nela uma mineirice, um ar de montanha tão agarrado, que seria difícil assumir um papel assim de verão da alma. Pensava sim que os cariocas tinham uma alegria de tempo de sol, até mesmo nos momentos de humor conturbados, abriam-se em palavras rasgadas com som a reverberar, soltavam o grito, aliviavam a alma. Mas ela achava que tinha um privilégio naquela cidade de água, rocha, verde e construção, que a fazia meio de Rio, meio de Mar. Lá já tinha morada com direito a acolhimento de família, a risos em volta das refeições, mas muito mais um prazer ao retorno a um mundo lúdico e incansável, como se a juventude pudesse durar o tempo da eternidade. Lá se sentia mesmo menina, e soltava gargalhadas, e perdia o juízo pelo mar e pelo sol, e era um pouco filha da Gláucia e do Gilmar, irmã da Gabi, da Vick e do Danilo. Os visitantes dessa vez se multiplicaram; meninas de Minas, menino Paulista. A mim e Vivi se somaram a energia e o riso solto da Sílvia, o comedimento sensato da Vilmara e a meninice do Zé.  Eram cinco a mais na casa, sem contar os de lá, primos e amigos, as crianças do Rio, todos acampados em colchões distribuídos por toda Casa Mãe. O programado era visitar os pontos turísticos mais conhecidos, o Cristo, o Pão de Açúcar, mas tudo se desviou e o cotidiano da cidade ficou mais próximo no Centro do Rio mesmo, com a cadência do Samba da Rua do Ouvidor, cheia de casario antigo, pontes de luz e charmosos barzinhos e livrarias, e a travessia de barca Rio-Niterói com vista linda da Baía de Guanabara, do aeroporto Santos Dumont, da Ilha Fiscal e da dança das gaivotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Santa Terez(s)a de lá&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A de lá é parecida com a daqui&lt;br /&gt;Tem morro de subir e de descer &lt;br /&gt;Tem gente a procurar &lt;br /&gt;Tem gente a encontrar&lt;br /&gt;E tanta casinha de encantar&lt;br /&gt;E ruína de admirar;&lt;br /&gt;E a música bonita também mora lá&lt;br /&gt;E nas infinitas portinhas de vender&lt;br /&gt;O saborear dos quitutes e o bebericar, o papear;&lt;br /&gt;O bonde daqui já se foi&lt;br /&gt;Mas o de lá continua a passar&lt;br /&gt;Com gente a amontoar, a dependurar &lt;br /&gt;Até por sobre arcos a equilibrar&lt;br /&gt;Com rés e trancos do caminho&lt;br /&gt;E gente namoradeira a sorrir &lt;br /&gt;Ranzinza a reclamar&lt;br /&gt;Curiosa a olhar,&lt;br /&gt;E no susto do alto&lt;br /&gt;Até chegar no baixo&lt;br /&gt;Nos chãos depois de voar&lt;br /&gt;A lembrança de querer voltar&lt;br /&gt;Pra ver o Rio&lt;br /&gt;Vale encantado &lt;br /&gt;Do morro de Teres(Z)a Santa&lt;br /&gt;A vigiar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;‘Em Chamas’&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem lá na comunidade do Rio dos Pedras, no Rio, tem um castelo enorme a que chamam Castelão. Só que o Rei de lá não tem coroa nem cetro, parece mais um dragão a cuspir fogo pelo salão. O Funk é o grande Rei a ditar o ritmo frenético do baile, e todo mundo vira rei a se exibir, nos movimentos de requebrar, até o castelo ficar em chamas. Não há dança nobre e nem vive de nobreza o castelo, mas de uma mistura de gente de todo jeito que se imaginar. Chegam pessoas de todos os lugares só pra dançar no baile de passo sensual e criativo, ou mesmo para ver o ritual dançante do outro, mas sem reverências obrigatórias, somente o direito de se soltar e incendiar o castelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;‘Em ondas’&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afogamento não tem graça nenhuma, mas o do Zé, primo da Vivi, vai ficar pra história. Zé pensou que onda tinha natureza controlável, contornável, e se ‘misturou’ na onda.  O Zé é um paulista que foi visitar o Rio e ficou só no meio de carioca e de mineiro, melhor dizendo; mineiras. Logo no final do feriado, o Zé deu de se empolgar e mergulhar no mar de tormenta, lá na Barra. Foi ele, nesse dia fatídico, atrás do Hugo e do Danilo, primos cariocas experientes no balanço das ondas. O mar não estava pra peixe e muito menos pra gente. Dia meio frio de ventania, de mar fundo na beira, quando de repente se avista o Zé num tumulto de braços num buraco de mar, sem conseguir dar um passo nem para frente, nem para trás. Danilo e Hugo um tanto solidários, mas também receosos, nada conseguiram fazer, até que chegaram dois salva-vidas e resgataram o Zé, que saiu meio tonto, de perna bamba, uma delas manca. As meninas mineiras ficaram só a ver a cena; desconfiadas com tudo não iam abusar logo do mar. Gabi, a cicerone, não perdeu a chance de tirar mais uma foto. Todas assistiram ao salvamento no entrelugar do riso e do meio susto, porque nunca acharam mesmo que o Zé fosse se afogar. E Vivi dizia: ‘Meu Deus, já pensaram se acontece alguma coisa com o Zé? Todos iam cair em cima de mim...’, como se o Zé ainda fosse criança. Bem, não foi preciso fazer respiração boca a boca e o Zé não teve que suportar mais essa gozação de todos. São e salvo, sem perder a pose de paulista se dando bem no Rio, o Zé terminou mesmo sendo o protagonista da mais engraçada e memorável história do dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8243128735441862124?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8243128735441862124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8243128735441862124' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8243128735441862124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8243128735441862124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/09/casa-mae.html' title='&quot;Casa Mãe&quot;'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-182555117045767807</id><published>2010-09-02T15:10:00.000-03:00</published><updated>2010-09-02T15:11:01.370-03:00</updated><title type='text'>Ruído encantado</title><content type='html'>Não importava para ela a proximidade máxima naqueles instantes. Valia mais aquela audição de idéias em perfusão, aquelas palavras argumento que vinham em torno da mesa redonda, em meio à pequena sala.  Ecoava aquela voz grave no ambiente, e pelos seus ouvidos ávidos entravam dizeres de consentir, dizeres de duvidar, dizeres vários.  Vinha por vezes um soluço silencioso no peito, de não compreender exato, tal qual ele dizia, por não haver a comunicação perfeita, um saber a anteceder, e pela falha na interlocução, um som inaudível qualquer, perturbador, dificultava o entendimento, e ele dizia sem pudores, seguro em fortes evidências acadêmicas, sobre essa impossibilidade do diálogo perfeitamente claro, raro, apenas um ideal. Nesses momentos surgia certa angústia e a vontade dela era chegar perto e tocar a boca dele em beijo infinito, fazer laço apertado no corpo dele com o dela, mas sabia que não podia fugir dos ditos a ressoar na mente; então retornava pacientemente à audição, àqueles tons crescentes e decrescentes de voz, àqueles movimentos ascendentes e descendentes dos braços dele a conduzir a palavra em gesto, enquanto os olhos buscavam compreender também a recepção; os olhos dela de acolhimento e de incompreensão. Assim, ele sempre duvidava da compreensão dela, pensava ser tediosa sua fala, extensa, empolgada, como se o mundo dos seus próprios pensamentos girasse em torno dele, como um satélite manco, deficiente em irradiar, senão a ele mesmo, a avançar sobre si de forma inevitável.  Mas a angústia de entender era também convergente, dela pra ela. As palavras chegavam solitárias, ansiosas pelo interpretar. Nesse momento eram palavras órfãs à espera de adoção, da emoção e da inquietude de receber, de reconhecer e de estranhar. E o conviver, viver, era reconhecimento e estranhamento por meio da palavra, do movimento calado, gritado. E esse ruído impertinente devia ter mesmo algo de maléfico, mas também de virtuoso, porque permitia enviesar os caminhos e encontrar outras possibilidades; subjetividades, alteridades necessárias. Ele sempre fora para ela essa confusão encantadora, esclarecedora e ruidosa, toque e palavra a se encontrar entre razão e natureza, fronteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-182555117045767807?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/182555117045767807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=182555117045767807' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/182555117045767807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/182555117045767807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/09/ruido-encantado.html' title='Ruído encantado'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2912190111082851472</id><published>2010-09-01T15:33:00.002-03:00</published><updated>2010-09-01T15:36:03.068-03:00</updated><title type='text'>Ricardo Fabião</title><content type='html'>Recebi com muita alegria de Ricardo Fabião esse lindo texto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A FRONTEIRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Ane, Jessiely, Keila, Renata;&lt;br /&gt;mulheres que arriscam alma e palavras &lt;br /&gt;além de suas próprias fronteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com quatro dos símbolos aprendidos ele escreveu 'viver', e assim começou a história. Escreveu, que gostou, e soube como seguir. Agora cada um daqueles símbolos abria uma estranha passagem, o que ele tomou para si como ofício, para riscar nas coisas e arriscar-se mais. E desejou juntar todos eles, os vinte e seis símbolos, para chegar a todas as palavras do mundo, e com isso escrever tudo que se ouve e também tudo que se cala. Foi a professora, com algum tipo de luz nas mãos – como faz o sol, ao rasgar diariamente os caminhos e as cores aos seres – que os desenhou no quadro, com giz e magia; e não só isso foi aberto ali, o que se escreve e a estrada depois: algo que ele não sabia onde era estendeu-se muito mais mundo adentro, que ele só alcançaria de juntar e dizer todas as letras. E foi sem cansar disso até assim. Juntava então nos dedos as letras e as escrevia no ar. Escrevia, escrevia, ininterruptamente. Onde estava o mundo, lá estava seu dedo a escrever em cima das coisas, com exclamações nas ladeiras, interrogações no horizonte. Quando o ar estava cheio dos seus escritos, ele os apagava até que se refizesse o vazio para abrigar mais palavras. Até aí era o segredo, o menino. Certa vez, no desvio do caminho, quis saber como era juntar humanos e sentimentos na mesma frase, e pôs 'Lúcia' em cima, no topo da paisagem, e 'meu amor' embaixo, com reticências para que ficasse ao tempo. E contemplou a possibilidade e a fundura daquelas palavras. E tão logo percebeu que alguém poderia ler o pedaço rabiscado do vazio, que com mão demais apagou além do que deveria, e deixou um buraco no céu onde antes estava 'amor'. E assustou-se. Sem aquele pedaço de ar faltava-lhe algum caminho até ser completamente. Mas não houve jeito: agora estava lá, em todos os lugares aonde ia, no que sentia e almejava, o tal amor apagado às pressas, doendo onde não estava, um furo no céu, um oco suspenso no olhar, que seguia junto, desconhecedor das horas. E foi nessa margem menos visitada que cresceu. Assim, o adulto e o destino. Todos os dias punha escadas e escrevia no vão do amor arrancado, tentando chegar com palavras ao tamanho necessário da falta, algo que vedasse o incômodo de enxergar além. Quis remendar com linha e agulha, com adesivo e cola, mas nada fechava naquele lugar. Ainda fingiu que era janela, mas tinha de fato medidas de lacuna, e não coube uma cortina. Depois ele soube que ali estava a fronteira. Um dia encontraram apenas a escada. No mundo de cá, aos de sensibilidade, restou o que ele havia escrito. Dizem que virou poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Fabião (Agosto - 2010)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2912190111082851472?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2912190111082851472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2912190111082851472' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2912190111082851472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2912190111082851472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/09/ricardo-fabiao.html' title='Ricardo Fabião'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4962006206489170799</id><published>2010-08-26T17:45:00.000-03:00</published><updated>2010-08-26T17:46:13.188-03:00</updated><title type='text'>Dona Tereza</title><content type='html'>Com seus olhos azuis pequeninos ela adentrava todos os dias a sala de fisioterapia. Irradiava risos por todos os cantos daquele lugar, feito um anjo levado, cheia de histórias macabras, eróticas e até singelas. Ninguém diria que já alcançara, aliás, já passara dos oitenta anos, tão vívida era sua presença, de jovialidade incandescente... Certa vez contou de seu tio de Muriaé, criador de porcos. Este morrera de pescoço decepado num acidente de Kombi, e os porquinhos todos rolaram pela estrada...’uma tristeza’, dizia ela.  ‘Tiverem que costurar a cabeça pro velório...’ Outra vez contava das paqueras e do casamento que já ia nos seus cinqüenta e oito anos. Brincava com seu jeito zombeteiro, ‘Mulher tem garantia, homem não’...Tanto que de vez em quando alardeava um flerte na esquina com um moço bem moreno e cativante, depois concluía...’sou casada’...com  aquele pesar de moça namoradeira.  Dificilmente haveria em tão dura idade, quando as articulações se colam e os músculos se ressentem, alguém como Dona Tereza, a fazer gente rir todas as manhãs, tamanha a espontaneidade, o vigor.  A despeito de seus tendões do ombro rompidos, doloridos, ela era a única ‘paciente’ a não reclamar do gelo tópico no inverno, talvez porque o gelo se tornasse líquido morno rapidamente em contato com a pele dela. Ela era adaptável, dobrável; a rigidez não se fixara em sua alma. Lembro-me do seu toque carinhoso em minhas mãos e no meu rosto; as jovens mãos de Tereza ávidas por carinho, cheias de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4962006206489170799?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4962006206489170799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4962006206489170799' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4962006206489170799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4962006206489170799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/08/dona-tereza.html' title='Dona Tereza'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-461173446058552597</id><published>2010-08-23T13:57:00.008-03:00</published><updated>2010-08-24T09:35:28.941-03:00</updated><title type='text'>Beatbrasilis 5</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/THKpolhCylI/AAAAAAAAAKo/YmJRgqQQsVI/s1600/capa+(Medium).jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/THKpolhCylI/AAAAAAAAAKo/YmJRgqQQsVI/s320/capa+(Medium).jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508651808958106194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queridos amigos que me lêem, que me vêem assim pela escrita; acaba de sair a 5ª edição da revista eletrônica Beatbrasilis´, textos bacanas e três pequeninos meus! Será um prazer uma visita de vocês no,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.beatbrasil.blogspot.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço grande a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-461173446058552597?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/461173446058552597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=461173446058552597' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/461173446058552597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/461173446058552597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/08/beatbrasilis-5.html' title='Beatbrasilis 5'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/THKpolhCylI/AAAAAAAAAKo/YmJRgqQQsVI/s72-c/capa+(Medium).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8285498764692171587</id><published>2010-08-20T16:28:00.000-03:00</published><updated>2010-08-20T16:29:40.115-03:00</updated><title type='text'>Elas em Pirambu</title><content type='html'>Quisera um dia poder voltar ‘praquele’ lugar no meio de mar, no meio de rio&lt;br /&gt;Quisera poder balançar na onda e repousar na calmaria daquele entre&lt;br /&gt;Em meio a barcos pesqueiros, barcos de gente peixe a enredar, terra de gente cabocla contemplativa&lt;br /&gt;Quisera voltar a ver as casinhas em fileira cor de fumaça de gota suspensa, quase miragem&lt;br /&gt;Da baixa areia beira mar avistar aquele romper de mancha d’água em guerra pra ir pro rio, pra ir pro mar&lt;br /&gt;E o rio a se misturar com mar sem o sal se desmanchar, riomar de gosto forte, &lt;br /&gt;Marjaparatuba, Japaratubamar&lt;br /&gt;Ela e mãe em Riomar entrelugar a festejar&lt;br /&gt;A nadar, A caminhar, A admirar...&lt;br /&gt;Elamãe, Mãela em Riomar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8285498764692171587?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8285498764692171587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8285498764692171587' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8285498764692171587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8285498764692171587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/08/elas-em-pirambu.html' title='Elas em Pirambu'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2533236959632115798</id><published>2010-08-17T17:17:00.002-03:00</published><updated>2010-08-17T17:20:00.160-03:00</updated><title type='text'>Qual era a música?</title><content type='html'>Ela deveria estar em outro lugar, mas não sabia qual. Não havia desejo preciso no pensamento dela, mas a sensação clara do lugar errado. Sempre se sentira assim em lugares errados, porque não os escolhera, não os desejara de fato, fora a eles apresentada, ficara; e uma vez assim neste estado de ficar sentia grande dificuldade das despedidas e de que os outros lugares também não fossem os lugares certos, ao menos por algum tempo. Então ficava e se admoestava por pensamentos de ir, enquanto seu corpo não movia e a sensação de lutar era antes uma falta de revelação incontida que um manifestar evidente e necessário sob os olhares de incompreensão.  Ah...ela lutava por ir enquanto ficava; era sempre assim; esse ir por dentro que não ia por fora, e o tempo em vertigem sobre o abismo do mundo e da alma. Ela sabia que ele, o tempo, era o motivo exato de tanto pensar em ir, posto que se não fosse poderia não haver mais tempo. E ficava esse ressoar de fala em caverna dentro da cabeça; vá, vá, vá...Uma caverna apinhada de morcegos pendentes, cegos de visão e visionários do som.  Ela sabia que havia uma música qualquer que devia ser a música dela, mas os ratinhos voadores não faziam concerto; somente alternavam a expectativa de uma seqüência de sons. Ela tentava em vão escutar o seu som, porque as notas não tocavam harmônicas e sequer faziam dissonância rara a repetir de tempos em tempos. Ela só precisava de um sinal sonante ou dissonante, qualquer sinal de ir pra outro lugar sem medo de não estar novamente, como sempre não esteve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2533236959632115798?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2533236959632115798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2533236959632115798' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2533236959632115798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2533236959632115798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/08/qual-era-musica.html' title='Qual era a música?'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4825429940469682488</id><published>2010-08-13T16:36:00.003-03:00</published><updated>2010-08-13T16:46:31.309-03:00</updated><title type='text'>A Maior Flor do Mundo | José Saramago</title><content type='html'>Como as 'pequenas coisas' podem se agrandar,&lt;br /&gt;Como as ‘grandes coisas’ podem se apequenar...&lt;br /&gt;Pena, por vezes, termos visão tão nublada...&lt;br /&gt;Pena sermos engano de pensamentos e ações...&lt;br /&gt;Pena sofrer os olhos dessa imaginação invertida, que pouco cria, e quase sempre copia...&lt;br /&gt;Pena escapar o sentimento da imaginação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object style="background-image:url(http://i2.ytimg.com/vi/YUJ7cDSuS1U/hqdefault.jpg)"  width="480" height="295"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YUJ7cDSuS1U?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YUJ7cDSuS1U?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" width="480" height="295" allowScriptAccess="never" allowFullScreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4825429940469682488?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4825429940469682488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4825429940469682488' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4825429940469682488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4825429940469682488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/08/maior-flor-do-mundo-jose-saramago.html' title='A Maior Flor do Mundo | José Saramago'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5411249514579636316</id><published>2010-08-11T17:53:00.001-03:00</published><updated>2010-08-14T11:58:34.759-03:00</updated><title type='text'>Não se sabe</title><content type='html'>Aquela sala de fisioterapia era o exato lugar do passar do tempo, primeiro nos seus próprios tendões e músculos a fadigar, depois naquelas imagens já antigas a resmungar dores nas pernas, dedos em cãimbra, colunas em ardor, pelves em desalinho. Seu problema parecia simples; disseram-lhe ser coisa de tecido mole, um tendão aborrecido a queimar o calcanhar, a relembrar uma dor de infância, que tinha dentro do osso, assim lembrava. Antes, disseram-lhe que era dor da perda, da separação, da falta quem sabe. Agora, atribuíram às dores a sua anatomia cava dos pés. Talvez seja esse fosso nos pés que guardava tudo, pensava. Mas na perspectiva médica era um mecanismo normal de compensações a ser suficientemente remediado com antiinflamatórios e fisioterapia. Dito e feito. Lá se foi ela todas as manhãs em busca da ‘cura’, mas temerosa de que estivesse a esconder um presságio da alma, do coração. Contudo o tempo que passava com a doutora (assim diziam as mais velhas) era agradável, posto que vinha  cheia de acalento  em panos quentes, massagens vigorosas e delicadas e aquelas conversas de gente velha nada velha, só nos ossos e nas carnes já gastas. Percebera que a antiguidade se renovava, e algumas, até irmãs e carolas, diziam da igreja, dos padres, mas diziam também das patroas italianas a fazer um filho enquanto outro nem havia começado a andar.  Diziam da lavoura, da política inacreditável. Diziam de tudo e menos da dor.  Perguntavam-lhe, tão moça e já aqui? Concluíam que dor era coisa de ‘jovem’ também; consolavam-se? A sala era acolhedora, a doutora talvez na metade do tempo, no entrelugar da ‘moça’ e das ‘velhas’, contava histórias, ouvia histórias, lembrava o passado, antevia o futuro? O calcanhar ia aos poucos revelando novas sensações, não se sabe se de cura permanente, ou de dor que vem e passa, um aviso da alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5411249514579636316?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5411249514579636316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5411249514579636316' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5411249514579636316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5411249514579636316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/08/nao-se-sabe.html' title='Não se sabe'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5637661882542998301</id><published>2010-08-11T15:38:00.001-03:00</published><updated>2010-08-11T15:38:35.795-03:00</updated><title type='text'>Espero...</title><content type='html'>‘Você espera alguma coisa de mim...’ ‘Como?’ ‘Você espera alguma coisa de mim...’ ‘Não, espero tudo...não espero alguma coisa; espero o tudo que cabe muito, que cabe qualquer coisa, até o nada, mas todos juntos na cadência indecifrável e necessária do humor e da circunstância que não anula em nada o bem querer. Espero suas certezas, suas incertezas, suas contradições...Espero um sorvete no banco da praça, chegadas ao luar e no sol a pino marcadas e não marcadas, presença de pensar, qualquer plano que não seja eterno e longíncuo, mas terno, simples e próximo, plano de ficar, plano de ir a qualquer lugar. Espero absolutamente tudo e tenho tudo pra dar-te também, mesmo meu vazio, minha dúvida...mesmo meu sentimento confuso por aprender...Espero tudo porque não compreendo nada que não seja tudo, que tudo é presença de qualquer forma cabível e incabível, tudo é conciliar, tudo é compartilhar, tudo é testemunhar...Não, não espero alguma coisa...que não há marcação específica no tudo que contém tudo...porque tudo é inesperar cada dia...porque tudo é  ousar completude em face das partes...porque tudo é amar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5637661882542998301?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5637661882542998301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5637661882542998301' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5637661882542998301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5637661882542998301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/08/espero.html' title='Espero...'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6895480731775075790</id><published>2010-08-02T17:21:00.001-03:00</published><updated>2010-08-02T17:21:30.936-03:00</updated><title type='text'>Lamento</title><content type='html'>Lamento não ter a leveza dos loucos...Lamento não ter a dureza dos arrazoados...Lamento por me perder entre espaços de motivos alheios, que terminam meus, que no fundo são meus, e que me lembram do esquecimento tão necessário ao bem viver, que retorna como lembrar perturbador...Poderia  simplesmente apagar  os motivos da razão diante da emoção, da emoção que faz tudo tão terno e raro, tão belo... Lamento querer amar tanto e me confundir entre a entrega e o disfarce; que disfarce é coisa custosa pra mim, porque não aprendi camuflar sentimentos, confusões em mim...Lamento que me vejam assim tão frágil em perfusão de frases contraditórias por razões e desrazões tão muitas...Lamento que não compreendam lamento meu de momento que dura eterno no sentir...Lamento ter encantos quebráveis, que encanto é arte de desencanto submerso que vem à tona pra respirar e vazar pelos olhos de lágrimas, e pela boca a escapar coração...Lamento...Lamento ser oscilação tão clara, tão fatal...Lamento...Lamento....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6895480731775075790?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6895480731775075790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6895480731775075790' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6895480731775075790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6895480731775075790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/08/lamento.html' title='Lamento'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3848056622538341350</id><published>2010-07-16T16:12:00.002-03:00</published><updated>2010-07-16T16:14:26.752-03:00</updated><title type='text'>Camaleão</title><content type='html'>Parecia-lhe que o amor vinha tarde; e por assim ser, tardio, vinha com força descomunal, num ímpeto de solidão mesmo em presença, num querer abarcar todo instante com sentimento repleto, num transbordamento de cachoeira a escorrer por rocha cheia de falhas, a respingar o mundo.  Parecia-lhe que o amor vinha cedo; e por assim ser, impúbere, vinha com incertezas certas a desequilibrar corpo e mente como redemoinho de rio a deixar ponta de pés e cabeça inviesados, puro lamento e afogamento, puro encanto e salvação até ver o céu de novo. Parecia-lhe que o amor vinha no tempo; e por assim ser, certeiro, vinha na madureza duvidosa, no tempo da fronteira, tempo de visões amplas, de visões especulares, lupanares, microscópicas. Parecia-lhe que o amor fugia; e por assim ser, fugidio, desvinha em turbilhões de fantasmas, de imaginários tortuosos, oceanos em tormenta, obscenos. Parecia-lhe que o amor vinha e desvinha, um camaleão em terra ferruginosa, ressequida e sedenta, em terra de vegetais de curvas repetidas e fatais, curvas de cores ocres, troncos de pele; e camaleão lá grudado,  pele na pele a memorizar cada nuance,  a sobreviver...amor camaleão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3848056622538341350?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3848056622538341350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3848056622538341350' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3848056622538341350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3848056622538341350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/07/camaleao.html' title='Camaleão'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-72209219707010886</id><published>2010-07-14T17:58:00.003-03:00</published><updated>2010-07-15T11:51:54.362-03:00</updated><title type='text'>Poetar</title><content type='html'>Queria uma poesia larga de mim&lt;br /&gt;Mas a caber-te &lt;br /&gt;A entrar-te num justo movimento&lt;br /&gt;Num agir compreensível&lt;br /&gt;Queria a tua poesia também em mim&lt;br /&gt;A estreitar-se pelos meus caminhos&lt;br /&gt;Mesmo num susto de descoberta&lt;br /&gt;E até em estreitamento &lt;br /&gt;Queria todo desvelamento de mim em você&lt;br /&gt;De você em mim&lt;br /&gt;Poesia astuta e sensível&lt;br /&gt;Poesia verbo eu e você&lt;br /&gt;Poetar-te &lt;br /&gt;Poetarmo-nos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-72209219707010886?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/72209219707010886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=72209219707010886' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/72209219707010886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/72209219707010886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/07/poetar.html' title='Poetar'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8567707629062598463</id><published>2010-07-08T11:02:00.002-03:00</published><updated>2010-07-08T11:12:15.332-03:00</updated><title type='text'>Aprendiz de voar</title><content type='html'>Hoje amanheci com mamãe a socorrer uma rolinha aprendiz. Chegou com a toda redondinha de penas, aparentemente calma, mas querendo voar. Mamãe pensou; ‘caiu do ninho’...'corre perigo com tanto gatuno por aqui’...Mamãe abriu a porta numa fala mansa , cheia de carinhos com a bolinha de pena, em  mãos acolhedoras, mãos de mãe, preocupada com os gritos da rolinha mãe. A passarinha tinha biquinho saliente e cor de penumbra...e só queria voar...Abriu as asas e deu um rasante e foi parar no chão, bem debaixo da minha cama. Mamãe a resgatou e a colocou sobre o muro, na dúvida de que sobreviveria...Até que chegou a mãe rolinha,  e num lance de vôo pro alto motivou a decolagem de bolinha filha..Bolinha acertou o passo, acertou o vôo, e mamãe ficou orgulhosa lá embaixo ao vê-las, mãe e filha no mesmo lance de laje a contemplar quem sabe outro lance mais alto, até o rasante virar vôo alto de vez...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8567707629062598463?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8567707629062598463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8567707629062598463' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8567707629062598463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8567707629062598463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/07/aprendiz-de-voar.html' title='Aprendiz de voar'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7407096035968922414</id><published>2010-07-07T11:46:00.006-03:00</published><updated>2010-07-08T11:14:39.273-03:00</updated><title type='text'>Desaviso</title><content type='html'>Lembrava-se...Sim, lembrava-se claramente daquele namorico adolescente que tivera; tão intenso que parecia nuvem baixa, aterradora, a chover forte e fraco, sem parar. Ele postou-se no portão de sua casa, bem do outro lado da rua, com uma pequena sacola dependurada nas mãos, vindo de uma cidade distante, logo ao amanhecer. Ela amanheceu assim amanhecida por ele num susto de visita desavisada.  Ele vinha ver o amor de poucos beijos meio incongruentes, segundo a acusara, de quem beija das primeiras vezes; beijos de descoberta...Mas ele disse que viria assim mesmo, a despeito daqueles beijos atrapalhados, porque vira ela como uma membrana de libélula, não perfeita, mas absolutamente transparente, incoerente. Ela abriu-lhe o portão com dores na barriga de tanto susto, mas não deixou que ele entrasse. Disse que já ia; somente guardou a sacola em casa, e levou-o logo cedo para a escola. Não teve coragem de apresentá-lo como namorado de palavra dita, só de presença não dita. Alguns viram neles semelhança curiosa; acusaram-nos de serem irmãos pelo traçado do nariz e da boca, até pelas pernas, pelo jeito acusativo de ser; jeito de gente comum e incomum no sentir, perdidos no encontro que não fora marcado. Passado o tempo de aula se foram e deixaram-se ficar numa das primeiras paradas do ônibus para assistir um filme, do qual não se lembrariam de cena alguma, senão da sua própria cena dirigida para o acerto do beijo e surgir de novas carícias. Teria que levá-lo para casa finalmente e aceitá-lo com qualquer olhar, ainda que esse olhar pudesse fugir dela mesma, escapar do seu vôo, do seu pouso de libélula. Ele entrou sem susto na casinha simples, conheceu a mãe dela, pediu para tomar um banho e seu foi...Ela ainda se lembra do cheiro forte do perfume a exalar pela casa após o banho, e até hoje a fragância submete a sua lembrança em qualquer lugar que surja. Tiveram outros encontros apesar da distância, mas aquele dia desaviso adolescente não se repetiu...o delicioso desaviso, impulso a amedrontar, encantador...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7407096035968922414?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7407096035968922414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7407096035968922414' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7407096035968922414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7407096035968922414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/07/desaviso-adolescente.html' title='Desaviso'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2786337418759952360</id><published>2010-06-24T13:37:00.001-03:00</published><updated>2010-06-24T13:37:32.861-03:00</updated><title type='text'>Não arre(mate)</title><content type='html'>Não queria mais que a olhassem. Queria que a sentissem. Que a sentissem de todas as formas, com admiração e desdém. Negava a imagem, porque nela nem sempre se revelavam os sinais do sentir; e mesmo do não sentir, de quem morava profundo num vazio tantas vezes, até sem buscar o sentido, porque no meio do caminho não vinha ânsia alguma de continuar, quando o pulsar do coração enfraquecia, esvaecia... De quem morava profundo em significados por vezes, em sentimentos recônditos e explosivos, de um querer compartir, estar perto, amar... Essa imagem não condizia, senão pelas palavras pensadas, que proferira, que calara. Esse retrato não combinava, era parco, fragmentado... e ela parca e fragmentada era  irretratáveis momentos de angústia e euforia,  de permanência e inconstância...Negava, negava esse quadro arrematado por tantos olhares estranhos...e que a julgavam num traçado de expectativas vãs, num meio sorriso, ou num sorriso todo,  contentamento; ou num franzimento entre os olhos, desespero...Não queria mais que a olhassem só imagem, que sem palavra dita, redita e calada era ninguém, porque não fora pintada com rigores de cores exatas, com profundidades e traçados em arte de ver e analisar, mas no sentimento de rigores, rigores tão fundos que afundavam nas molduras e iam morar dentro das paredes cheias de falhas, ou amalgamadas com cimento forte, ou esfarinhadas, paredes frágeis, paredes sanitárias...Essa imagem a combatia, a  esfacelava, doía  como ferida os olhares, pois que ela era apenas espectro em lugares vastos e restritos...era apenas possibilidades impossíveis, uma fotografia viva escrita no tempo, pelo tempo, até desaparecer, tal como desaparecia a todo momento de vidas, de lugares, de si mesma...Negava o olhar avaliador, de arre(mate)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2786337418759952360?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2786337418759952360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2786337418759952360' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2786337418759952360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2786337418759952360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/nao-arremate.html' title='Não arre(mate)'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2141156819466012969</id><published>2010-06-23T10:37:00.000-03:00</published><updated>2010-06-23T10:38:02.236-03:00</updated><title type='text'>Crochê</title><content type='html'>Aprendera crochê com a mãe. Algumas peças terminavam por duas mãos, ainda que fosse um pequeno acabamento a garantir a solidez da peça. Outras vezes era no decorrer o compartir, no crescer da peça, quase uma competição justa  ponto a ponto, carreira a carreira, no ir e vir da agulha, meio. Sempre achara fabuloso um único ponto, uma única laçada formar tantas formas e figuras, e cobrir, e vestir, e enfeitar e aquecer. Admirava o crochê, processo e resultado, embora, muitas vezes, percebesse certos olhares a ignorá-lo, por desconhecer sua alma. Cada ponto e intervalo precisava ser medido com precisão imprecisa de dedos, um humano, pessoal, raridade no mundo fabril. Entrevia no crochê o amor da mãe, que nada há mais amável que ensinar e fazer junto. Entrevia no crochê a dedicação do tempo, o esforço da mãos para agradar, envolver  pessoas e olhares, mimar. Tinha primas, tias ‘crochezeiras’; mas uma tia, em especial, já além do tempo da mocidade, permanecia moça na animação e no preparo dos vestidos rodados de crochê, das blusas aplicadas em flor, dos boleros, exatamente pra dançar juntinho boleros e outras danças no baile semanal. O crochê era atávico, parecia, por vezes. Era um gostar que passava por gerações, e quando escapava em alguém da família, era um nó ou um fosso, como um erro do crochê, um mimo que não se desenvolveu, um fazer que se perdeu. Certa vez com os escritos ‘desassossegados’, do poeta Fernando Pessoa, percebeu ainda mais a sutileza do crochê, sua semelhança com a cadência de viver. Amou-o mais, compreendeu-o mais...Não poderia deixar o fio do crochê se cortar, embaraçar, desacarinhar o mundo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2141156819466012969?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2141156819466012969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2141156819466012969' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2141156819466012969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2141156819466012969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/croche.html' title='Crochê'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7401297258157524006</id><published>2010-06-21T14:23:00.001-03:00</published><updated>2010-06-21T17:38:38.417-03:00</updated><title type='text'>Você</title><content type='html'>Você me maravilha, porque enquanto cega-me os olhos, abre-me outros em todas as partes do corpo e da alma. Abre-me olhos na fronte, na nuca, no peito, nos braços, nas pernas. Abre-me olhos na minha face invisível, impalpável. Desvela em mim os traços mal e bem traçados da minha linguagem, de mim mesma com testa franzida e sorriso solto, e quietude e inquietude latente. Abre-me janelas por todos os lados de mim, até no avesso, e faz vazar todas a etiquetas descartáveis, de números precisos, de instruções objetivas. Abre-me olhos de águia, faz-me visionário na escuridão. Faz-me ver estrelas e coordenadas e me descoordena diante da razão. Faz-me pensar sobre o que eu não pensei e o que pensei de outro modo e do mesmo modo que pensei e multiplica meus pensamentos sobre todo o desimportante que importo, puro malogro. Faz-me virar um mapa de terras desconhecidas, de conquistas sem data, de geografia serena e enlouquecida. Faz-me correr e parar e ofegar num jeito submisso insubmisso para outras ordens que ignora, ou pressente, ou simplesmente despreza, enquanto faz-me experimentar, experenciar amar, mesmo que ainda paire dúvida sobre o que é o amor, mas certo do amor. Faz-me angústia e melancolia por incerteza obrigatória, necessária. Faz-me agir em mim, retombar de ditos e não ditos de todo o tempo perdido e encontrado. Faz eco em mim, ressoa em mim, abraça em mim o abraço. A você se seguem todas as reticências dos impossíveis possíveis em mim. Seguem-se pontos, vírgulas, exclamações, interrogações do sentir. Maravilha-me você em mim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7401297258157524006?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7401297258157524006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7401297258157524006' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7401297258157524006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7401297258157524006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/voce.html' title='Você'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3467968529036039244</id><published>2010-06-18T16:47:00.001-03:00</published><updated>2010-06-18T16:53:08.174-03:00</updated><title type='text'>Pensava nele</title><content type='html'>Nessa quase hipotética metade restante da vida, ela queria o Tempo fluido, nada mais. Queria o Tempo repleto, transbordante ainda que em copo vazio, porque sabia que todo continente carregava a sombra do vazio, mesmo aparentemente cheio. E percebia mais, percebia que o vazio era só um ponto cego, inevitável de toda ordem, porque o que se supunha cheio eram certezas de um tempo fragmento, antes do pensar e do pensar viver.  E a morte? Incomodava às vezes, mas somente pelo pesar do Tempo corroído, pois preferia o Tempo ‘adorido’ e mesmo dolorido, intenso Tempo.  Queria o Tempo lembrado, mesmo que depois não pudesse mais lembrar, por não estar mais; que Tempo que lembrar é Tempo vívido, Tempo em lua cheia, clarão, guardado até na escuridão. Pensava também no Tempo sonho, Tempo da imaginação que não se gasta, Tempo em potência de multiplicar, em que se poderia viver tudo sonhado sem sono, e até os desavisados momentos que nunca na mente consciente insurgiram, pura magia e surpresa. Pensava na altivez e na submissão do Tempo, no cambiante Tempo culpado por tantos, apenas uma informe substância psicológica, previsível e fatal, passional, inocente. Pensava nele, sempre pensava nele, e temia que ao se concentrar tanto nele, ele se descontrolasse mais ainda, enquanto ela se alienava dele por pensamentos. Mas pensava nele; ele era sua paixão irrequieta, imprevisível. E ele vinha sempre ávido por consumi-la, e ela o deixava vir, por vezes, ou o continha, mas nunca sabia exato como recebê-lo. Então, o tempo ficava descontente, veloz nos momentos felizes, lento nos tediosos; teimoso tempo. Se ele ia rápido, ela sofria; se ia lento, sofria também. Todo o movimento do Tempo era tempo de pensar no Tempo. Então ela pensava nele, sempre pensava nele...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3467968529036039244?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3467968529036039244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3467968529036039244' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3467968529036039244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3467968529036039244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/pensava-nele.html' title='Pensava nele'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7309234796210441301</id><published>2010-06-18T15:56:00.000-03:00</published><updated>2010-06-18T15:57:16.804-03:00</updated><title type='text'>Vai e Morre</title><content type='html'>Tempo lento&lt;br /&gt;Indício de passar veloz&lt;br /&gt;‘Inaproveitado’ tempo&lt;br /&gt;Fluido a escorregar&lt;br /&gt;Desperdício vício&lt;br /&gt;Inércia de não esperar&lt;br /&gt;Por vontade duvidosa&lt;br /&gt;Em direção ausente&lt;br /&gt;Difusa descontente&lt;br /&gt;Tempo vai&lt;br /&gt;Tempo morre...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7309234796210441301?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7309234796210441301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7309234796210441301' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7309234796210441301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7309234796210441301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/vai-e-morre.html' title='Vai e Morre'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5561615414570299278</id><published>2010-06-16T14:59:00.002-03:00</published><updated>2010-06-18T17:05:55.488-03:00</updated><title type='text'>Enquanto 'dorme'</title><content type='html'>À meia luz, insone, ela se posta de olhos abertos, atentos à face ao lado; Nos cantos da boca dele o meio sorriso beijado de lábios rasgados, uma imensidão que ela beija agora sem tocar; O sentimento do respiro suave das narinas, do olfato obtuso em querença de compreensão, o cheiro compartido feito lastro; Os olhos dele estão fechados em sono irrecusável, indecifrável, enquanto os dela, vigilantes, teimam em congelar a cena, a encantadora cena alheia ao contemplar dela, frágil no ressonar delicado, desprotegido; forte na alienação do mundo onírico; Inerte num movimento encantador de imagem plácida, perfeita escultura de tons rasos e profundos, traços delineados; Imagem amada em exagero do peito dela das horas de pensar e ‘impensar’ por só sentir; Aquela imagem ali, ao lado, sob vigília de um olhar à procura de densidade, de precisão, de atenção; No oculto da penumbra, liberdade; no acalento imprevisível do sonho dele, prisão? Que sonho sonha ele? Ah, ela teme não ser o sonho daquele instante; Ela nega aquele sonho por não participá-lo; Admira aquele sonho que não vê; Sonha junto aqueles sinais do rosto, aqueles pulsares involuntários do corpo dele; Que vaguidão se permite ele naquele momento que escapa dos dedos de nervos, aguçados desejos dela? Naquela festa do inconsciente libertário, caótico, maravilhoso e até horrendo para a qual não foi convidada? Enquanto ele ‘dorme’, ela adormece o real e sonha o sonho dela; Enquanto ele ‘dorme’, ela desperta o seu sonho de olhos arregalados; E desenha aquele rosto com rigores de afeto; Revela e amplia na mente a fotografia dele enquanto ‘dorme’...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5561615414570299278?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5561615414570299278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5561615414570299278' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5561615414570299278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5561615414570299278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/enquanto-dorme.html' title='Enquanto &apos;dorme&apos;'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5946482159829003574</id><published>2010-06-09T16:41:00.000-03:00</published><updated>2010-06-09T16:42:21.245-03:00</updated><title type='text'>O amor</title><content type='html'>O amor do outro é o amor da gente. O amor outro em nós espelhado. O amor é olhar tão indiscreto em nós que vem e lê as sutilezas dos nossos sentidos indiscretos, desnudados, escancarados mesmo em face de recato. O amor é um estranho perfeitamente reconhecível, que nos faz experimentar cada gesto como novidade rara e fazer de conta que nunca viu, nunca sentiu, e não sentiu mesmo, porque o amor é descoberta tão funda que parece rasa, até se fazer entender amor. Ah...se fazer entender amor é peito em  disparada só por pensamento de cumplicidade no gozo do outro, na angústia do outro.  O amor de tão dito perdeu qualquer dito de precisão por ser precisão tão premente. Amor é falta desajustada sem coisa qualquer que lhe compense, que lhe valha, porque o excesso torna-se diminuto, um exceder surreal, que escorre e fica fluido, e ferve, e sublima, e vira só aroma, enquanto nós farejamos loucos de medo, medo de perder. Amor é medo, é solidão, é larguidão...De tão largo, o amor faz distração em nós,  atenção descomedida, poesia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5946482159829003574?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5946482159829003574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5946482159829003574' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5946482159829003574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5946482159829003574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/o-amor.html' title='O amor'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2839124675539744021</id><published>2010-06-02T17:16:00.002-03:00</published><updated>2010-06-02T20:19:10.521-03:00</updated><title type='text'>Febre</title><content type='html'>Nunca tivera tendências ou características febris, embora sempre medisse temperatura alta, enquanto outros eram amenos. Pensava que era coisa de coração e mente agitados a fazer o sangue correr veloz e a esquentar o corpo. O prenúncio de qualquer enfermidade nela, virótica ou bacteriana, jamais se combinava com estados febris; reagia com outros sintomas clássicos, mas não tinha febre, até que um dia chegou; veio-lhe com intervalos de calafrios, seguidos de mais quentura. Disseram-lhe que finalmente a febre se manifestara, que talvez fosse malária, pois ela tinha, há pouco, visitado um estado do norte. Fez os exames e nada foi diagnosticado. O aquecimento vinha como uma carícia em cada parte do corpo, ou mesmo um beliscão de assustar; torturas diminutas e repetidas. Vez por outra as sensações agigantavam-se, e pareciam percorrer um caminho feito corrente elétrica em fio de carne. Queimada a carne exalava odores que a incomodavam, embora ninguém ousasse dizer que percebia, mas sempre a alertavam do rosto vermelho e das mãos abrasadas. Ela tinha uma urgência qualquer que a inquietava, desviava pensamento, desconectava tudo. Seu equilíbrio parecia cada vez mais frágil, cada vez que essa corrente quente percorria suas reentrâncias e falhas da alma. Tudo o mais se perdia naqueles momentos febris, posto que tudo era ensejo de sonho, solidão e amplidão, sensações opostas multiplicadas. Passou tempos assim, na alternância do frio e do quente, intermitente, nessa febre maleita. Um dia sua mãe estranhou o passar da hora de todo dia, da hora de levantar.  Girou a maçaneta e quase desmaiou diante da figura da filha abrasada sobre a cama, a exalar um cheiro ácido e adocicado. Pensou o pior. Mas ela levantou-se sorridente a contar do sonho que tivera, da dança em volta da fogueira, das maçãs em brasa soltando mel, do calor no peito e na alma, dos abraços que deliciara em torno do fogo e do degustar das frutas vermelhas; os sentidos todos inundados; olhos flamejantes de luz, boca de saliva fluida como rio doce, nariz de abas levantadas a sentir toda sutileza do cheiro, mãos em mãos, em peles de conforto, ouvidos em som de risos, em silêncio de risos. Depois desse dia ela não teve mais febre, era só calmaria; e de vez em quando exalava um perfume adocicado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2839124675539744021?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2839124675539744021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2839124675539744021' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2839124675539744021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2839124675539744021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/febre.html' title='Febre'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4320657147171589533</id><published>2010-06-01T11:04:00.004-03:00</published><updated>2010-06-01T16:56:09.262-03:00</updated><title type='text'>‘O rumor do medo’</title><content type='html'>E o medo não vem do rumor, do ‘rumor da língua’? Pegajoso e contorcionista como um anelídeo em fuga; substância travosa nas papilas em pavor; o medo está na língua que profere e cala. Escarlate e violeta, todo subida e descida em esforço e disparada, o medo é o ressoar surdo das palavras, é o grito agudo inaudível. É sentimento líquido e veloz, o sentir escorrer em abismo de cachoeira; respinga cortante o medo; pingo de luz arco-íris ofuscado em escuridão. É tudo que dizem e disseram e desdisseram e retrataram e reviram e solidificaram como pedra diamante; indissolúvel o medo real. ‘Medinho’ não...Medinho é só um jeito de pedir carinho. Medo real é palavra guardada, severa na mente, refletida no corpo, pulsante no coração...Medo real carece muito mais que carinho medido, precisa afago descomedido, porque o rumor da palavra fica lá feito vento cortante, atávico...vento rumor de ditos que viajam sem sair do lugar, familiares, indeléveis na alma a escapar em humores ácidos e melancólicos...em rostos plácidos de terror...uma pintura irreconhecível...um rumor para o ouvir de orelhas de lobo, suspensas, sensíveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E seguindo a sugestão do amigo Paulo do Marcas d'água...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O poema pouco original do medo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De ALEXANDRE O'NEILL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo vai ter tudo&lt;br /&gt;pernas&lt;br /&gt;ambulâncias&lt;br /&gt;e o luxo blindado&lt;br /&gt;de alguns automóveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ter olhos onde ninguém os veja&lt;br /&gt;mãozinhas cautelosas&lt;br /&gt;enredos quase inocentes&lt;br /&gt;ouvidos não só nas paredes&lt;br /&gt;mas também no chão&lt;br /&gt;no tecto&lt;br /&gt;no murmúrio dos esgotos&lt;br /&gt;e talvez até (cautela!)&lt;br /&gt;ouvidos nos teus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo vai ter tudo&lt;br /&gt;fantasmas na ópera&lt;br /&gt;sessões contínuas de espiritismo&lt;br /&gt;milagres&lt;br /&gt;cortejos&lt;br /&gt;frases corajosas&lt;br /&gt;meninas exemplares&lt;br /&gt;seguras casas de penhor&lt;br /&gt;maliciosas casas de passe&lt;br /&gt;conferências várias&lt;br /&gt;congressos muitos&lt;br /&gt;óptimos empregos&lt;br /&gt;poemas originais&lt;br /&gt;e poemas como este&lt;br /&gt;projectos altamente porcos&lt;br /&gt;heróis&lt;br /&gt;(o medo vai ter heróis!)&lt;br /&gt;costureiras reais e irreais&lt;br /&gt;operários&lt;br /&gt;(assim assim)&lt;br /&gt;escriturários&lt;br /&gt;(muitos)&lt;br /&gt;intelectuais&lt;br /&gt;(o que se sabe)&lt;br /&gt;a tua voz talvez&lt;br /&gt;talvez a minha&lt;br /&gt;com certeza a deles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ter capitais&lt;br /&gt;países&lt;br /&gt;suspeitas como toda a gente&lt;br /&gt;muitíssimos amigos&lt;br /&gt;beijos&lt;br /&gt;namorados esverdeados&lt;br /&gt;amantes silenciosos&lt;br /&gt;ardentes&lt;br /&gt;e angustiados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah o medo vai ter tudo&lt;br /&gt;tudo&lt;br /&gt;(Penso no que o medo vai ter&lt;br /&gt;e tenho medo&lt;br /&gt;que é justamente&lt;br /&gt;o que o medo quer)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo vai ter tudo&lt;br /&gt;quase tudo&lt;br /&gt;e cada um por seu caminho&lt;br /&gt;havemos todos de chegar&lt;br /&gt;quase todos&lt;br /&gt;a ratos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim&lt;br /&gt;a ratos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4320657147171589533?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4320657147171589533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4320657147171589533' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4320657147171589533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4320657147171589533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/06/o-rumor-do-medo.html' title='‘O rumor do medo’'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8292143974464800313</id><published>2010-05-27T09:41:00.013-03:00</published><updated>2010-06-01T17:48:29.792-03:00</updated><title type='text'>Revista Beat Brasilis</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_JBcIkBT68ho/S_27H4LS3_I/AAAAAAAAABk/uDV9ud559cs/s320/beatbrasilis4_p01+%28Large%29.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_JBcIkBT68ho/S_27H4LS3_I/AAAAAAAAABk/uDV9ud559cs/s320/beatbrasilis4_p01+%28Large%29.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Queridos 'leitores' do entrelugar, leitores que me escrevem, escritores que me leiem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaba de sair a edição anual da revista Beat Brasilis. Foram publicados três textos meus e outros tantos de ler, sentir e refletir. Podem baixar a revista por meio do blog da Beat:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.beatbrasil.blogspot.com/"&gt;http://www.beatbrasil.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aproveitem para dar um passeio no blog da Beat!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale conferir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço grande&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8292143974464800313?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8292143974464800313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8292143974464800313' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8292143974464800313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8292143974464800313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/revista-beat-brasilis.html' title='Revista Beat Brasilis'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_JBcIkBT68ho/S_27H4LS3_I/AAAAAAAAABk/uDV9ud559cs/s72-c/beatbrasilis4_p01+%28Large%29.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2190704411292889700</id><published>2010-05-26T14:52:00.002-03:00</published><updated>2010-05-26T17:45:15.588-03:00</updated><title type='text'>Estranheza</title><content type='html'>Ela sempre os achara estranhos; a conversa em alto tom, os trajes informes, desalinhados, os cabelos meio alvoroçados e brilhantes, como recém-lustrados. Eram dois, por vezes três, mas em constância eram dois; ele e ela. Ele, filho maduro sem madureza a matraquear; ela, mãe de faces já marcadas e cãs. Traziam consigo sempre aquelas sacolinhas brancas de supermercado com uma, duas ou três latas vazias, catadas no ir e vir. Desciam e subiam ruas num diálogo exaltado sobre coisas só deles e quem dirá dos outros, outros esses que jamais saberiam do dizer deles, pois que andavam assim apartados em sua dita loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia desses, ela observara os dois a caminhar na sua rotina e olhou para si, viu-se nesse mesmo caminhar de loucura, talvez mais loucura, mesmo sem o figurino tão desacertado e em meio ao silêncio aparente, mas num falar consigo mesma irremediável e incontrolável.  Por vezes, ela denunciava da varanda a passagem dos dois, ou os avistava a distância pelas ruas mesmo e comentava; sempre os dois na mesma coreografia diária, no mesmo cenário. Dizia deles, falava sobre eles, até os achava engraçado algumas vezes. Estranhava e pensava o porquê da cena tão repetida e aparentemente ensandecida; esquecia-se da sua imagem habitual de todos os dias, de sua loucura insana, de sua sanidade louca, esse limite tênue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois transeuntes de todo dia revelavam a loucura em um futuro qualquer, imediato ou mediato, revelavam-na a todos, conhecidos e desconhecidos, em algum momento; possibilidades. Ela ficava assim parada nesse olhar, com mente em pensamento sobre as loucuras que o tempo faz, nas contingências, nas incongruências, nas ‘desrazões’, nas fatalidades; a loucura a chamar a vida em falso esplendor e esperança; a loucura ali, sempre a rodear. Pensava também nas sanidades a esconder as loucuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois soube notícias de memórias daquela família. Ele, que sempre acompanhara a mãe, nascera em desarmonia de mente; o terceiro e o quarto também. Ela, diziam; era bela, bem conformada e alinhada; os cabelos escorridos loiros e os olhos verdes de sedução causavam estranhamento bom, admiração. Após o casamento com moço também em alinho, nasceu ele, o terceiro e um quarto. O quarto, que foi o primeiro nascido, já se foi; contaram que se fora desnorteado, ‘overdoseado’ de substâncias várias. O terceiro, na verdade, o segundo, o do meio, aparecia pouco e sempre alvoroçado, endoidecido. O marido pôs-se a reviver a mocidade, sempre de vestes e corpo ‘honrados’, enamorado; não fazia mais parte daquele clã.  Agora, pelos caminhos ao alcance do olhar dela, o corriqueiro era aparecerem os dois; ele, o caçula, atavicamente loiro de olhos verdes arregalados; ela , já de verdes baços a se fechar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2190704411292889700?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2190704411292889700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2190704411292889700' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2190704411292889700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2190704411292889700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/estranheza-rodear.html' title='Estranheza'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-4200242961127066790</id><published>2010-05-25T15:19:00.001-03:00</published><updated>2010-05-25T15:25:52.152-03:00</updated><title type='text'>Sons e vãos do sem fim</title><content type='html'>‘E o sem fim pode ter cerca?’ Quincas se perguntou numa dessas suas andanças diárias pra roça do Seu Pedro Ramiro, onde labutava com rebanho sem conta, em vastidão e solidão de campos.  ‘Claro que pode’, pensou consigo mesmo; ‘tem cerca que nunca acaba e vai mesmo é parar no sem fim; é só linha de céu que não se acaba e a cerca a correr por baixo; só mesmo quando a noite despenca sem estrelas é que não se avista mais o sem fim e nem a cerca...’ Depois pôs-se a matutar da divisão, dos dois lados que dão sentido pra cerca, e angustiou-se dos limites, até que pensou mais e repensou; ‘cerca é só um limite falso de arame fino ou grosso, liso ou farpado; é muro desfiado, cheio de vão, onde uma terra dança com a outra; arranham-se ou se gabam  de pular  de um lado pro outro sem se machucar, e assim os dois lados ficam ali vazados a escorrer paisagens, enquanto os donos ficam crentes dos limites. ‘Muro é bem pior’, pensava Quincas, ‘porque não deixa ver’. Certa vez Quincas foi visitar terra de casas muradas numa cidade sem campos. Havia só pequenas porções de campo com verdinhos escassos, a que chamavam canteiros, e ele se punha a lembrar era da cantoria dos campos abertos, dos mugidos, do vento e da chuva ressoando alto sem limites, mesmo com cercas pra todo lado.  Ele achava sim que cerca era um tipo de muro, mas muro sem cola, só de enlace pra desfazer e cheio de janela sem fim. Nunca quis voltar na cidade dos muros e dos canteiros, que preferia mesmo era cerca e cantoria de campos, os sons e vãos do sem fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-4200242961127066790?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/4200242961127066790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=4200242961127066790' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4200242961127066790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/4200242961127066790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/sons-e-vaos-do-sem-fim.html' title='Sons e vãos do sem fim'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3365654394567454996</id><published>2010-05-25T09:54:00.006-03:00</published><updated>2010-05-25T17:38:56.442-03:00</updated><title type='text'>Mais tanto</title><content type='html'>Certa vez disseram a ela: 'eu te amo'. Ela duvidou desse amor e nunca soube se era mesmo amor ou vontade de amor, posto que o amor acabou. Continuou para sempre na dúvida dessa expressão tão corriqueira entre os enamorados. ‘Eu te amo’ virou expressão de incerteza. Preferia gosto tanto, quero-te bem demais, se possível  acompanhados de reticências multiplicadas; enfim, qualquer palavra que julgasse mais amena seguida de outra enfática. Não sabia por que exato tinha tanto pudor desse corriqueiro dizer do amor, mas achava as outras formas mais sinceras, como se entre as palavras, uma a carregar a outra, houvesse um tempo de pensar, de refletir o sentir.  Entre amigos sinceros achava a expressão definitiva ‘eu te’ mais ‘amo’ plenamente justificável, pois que via nela, nessa sintaxe de aproximação eu te, algo muito perto da amizade; desse diálogo, amor entre amigos, acalento. Mas do amor enamorado, sujeito ao apego exagerado do corpo, sorriam-lhe as reuniões de pedaços como a descrever com fôlego um sentimento sem descrição, misto de corpo e mente, fadado a desequilíbrios constates, como se o corpo buscasse a mente e a mente o corpo, e esses dois se digladiassem até o fatal. Não adiantava; tinha birra do ‘eu te amo’ e acusava-o de fingido porque viu tanto amor declarado assim se desfazer como um desencanto, sem dizer algum entre ‘eu e te’. Bom mesmo, ela pensava, era enamorar amigo; ‘eu te’ então soaria laço por amor de dizer amor e sentir amor, não apenas o lapso habitual dos enamorados prestes a se soltarem diante do definitivo ‘eu te amo’. Para ela, o ‘eu te amo’ penalizava qualquer ato falho, qualquer deslize ou inconstância; virava expressão falseada, impulsiva, não sentida, quase banal. Mas no fundo ela queria ter coragem de dizer ‘eu te amo',  mas ‘eu te amo’ sentido como tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3365654394567454996?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3365654394567454996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3365654394567454996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3365654394567454996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3365654394567454996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/mais-tanto.html' title='Mais tanto'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-7810404831205946487</id><published>2010-05-24T12:18:00.002-03:00</published><updated>2010-05-24T15:35:07.491-03:00</updated><title type='text'>A fusão dos olhos azuis</title><content type='html'>Hoje, em um intervalo dos cotidianos, beirei a janela, contemplei o céu e veio-me na mente a cena de uma sala de aula há tempos ida, mas que a lembrança fez-me retornar; ela lembrança que faz a gente ficar em todo lugar e pessoa que já visitou. Visitei alguém que não me lembro bem do nome, mas dos olhos azuis a contemplar o céu azul numa fusão irrefreável nesses intervalos de contemplar. Não saberia dizer o que via, se o nada era o que via, ou o cheio do nada infinito. Sei que era professor de física e que lidava com ela não de forma apaixonada, assim me parecia, mas afirmava da facilidade de resolver as questões propostas como quem não intentava alcançar a poesia da física em nós, mas facilitar o desprezível daqueles momentos, os quais não saberia dizer da importância exata. Assim, o físico de olhos azuis perdia-se no azul do céu, enquanto nós nos debruçávamos sobre o uso simplificado de suas fórmulas, e nem sabíamos que era o passo pro acerto do mundo desacertado em nós. Decorei aquelas leis em formatos de resolver; passei nas provas sem saber do poético equilíbrio e desequilíbrio dos movimentos do corpo e das máquinas, das velocidades e dos tempos embutidos e desembutidos, das inércias. Ficou-me, por agora, por depois, por antes, somente os olhos azuis em fusão com o céu; o professor que retornava atordoado do contemplar, a ditar a próxima formulação incompreendida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-7810404831205946487?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/7810404831205946487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=7810404831205946487' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7810404831205946487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/7810404831205946487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/fusao-dos-olhos-azuis.html' title='A fusão dos olhos azuis'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-2406491389567978545</id><published>2010-05-23T13:49:00.004-03:00</published><updated>2010-05-24T09:13:39.154-03:00</updated><title type='text'>Blog de Ouro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/S_ldTtMeRfI/AAAAAAAAAJs/dS58ysn1VPI/s1600/selo8.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 156px; height: 154px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/S_ldTtMeRfI/AAAAAAAAAJs/dS58ysn1VPI/s320/selo8.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474509415176357362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Fabião do blog Curvas da palavra acaba de encher-me de contentamento com o selo Blog de Ouro. Com tempo indicarei mais 10 blogues. Para o recebimento do prêmio devo responder a três perguntas...aí vão elas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Por que acho que mereci o prêmio?&lt;br /&gt;O motivo da escrita é sempre o leitor; o outro, o outro em nós, nós mesmos, na tentativa de compreensão, de comunicação. Assim, vejo a gentileza do selo como um reconhecimento da escrita na mente e no coração, uma espécie de empatia do sentir razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Na minha opinião, qual post do blog é o que mais merece receber este selo?&lt;br /&gt;Tenho certos mimos com meus escritos, mas, por vezes, vejo-os falhos e imprecisos.  Nem por isso deixo de gostá-los. Tem um pequenino que se chama De través que gosto muito, porque diz exatamente dessa confusão em nós, desses muitos que nos habitam e que nos fazem angústia e alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Do blog que me indicou, o que mais me agrada? Ele mereceu este prêmio? &lt;br /&gt;Ricardo apareceu, visitou-me sempre com flores nas mãos. Nunca o vi pessolmente, mas senti que o vi porque me acolheu com palavras do sentir. Ricardo sabe tirar poesia de poesia, trata a palavra com carinho...tira desse nosso passar, por aqui, percepções, que as temos cada vez mais escassas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Keila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-2406491389567978545?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/2406491389567978545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=2406491389567978545' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2406491389567978545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/2406491389567978545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/blog-de-ouro.html' title='Blog de Ouro'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/S_ldTtMeRfI/AAAAAAAAAJs/dS58ysn1VPI/s72-c/selo8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-6329570860702587693</id><published>2010-05-19T09:36:00.002-03:00</published><updated>2010-05-19T10:30:07.988-03:00</updated><title type='text'>Himalaia</title><content type='html'>Ele vinha todas as noites, impreterivelmente uma hora após o anoitecer, quando o breu já era cortina de disfarce. Ela o aguardava nos muros, silenciosa, ou mesmo em outra parte que lhe conviesse, mas sempre de orelhas erguidas, predispostas a ouvir o seu som. Ele chegava com grito alto, desesperado de saudades, de olhos verdes em regalo, naquele corpo felino, todo a esticar como se o corpo corresse mais que a mente, como se corpo e mente disputassem uma corrida inevitável pela chegada nos cumes, Himalaia. Ela se chamava Himalaia; seus picos nevavam tanto, queimavam. Ele nunca teve nome, porque ele era só chamar Himalaia...Corriam pelos muros, pelos telhados, fundiam-se num estrondo rouco e agudo, soltavam-se exaustos e raivosos, ela de garras, ele de susto; admiravam-se por horas, enquanto o sereno esfriava  seus corpos, e loucos  se procuravam...Um dia ele veio na hora marcada de sua Loucura Himalaia, sedento por seus cumes ainda inexplorados, sempre secretos. Ele a convidou a ir sem lugar de chegada. Ela o seguiu. Nunca mais se ouviu falar deles e do grito Himalaia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-6329570860702587693?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/6329570860702587693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=6329570860702587693' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6329570860702587693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/6329570860702587693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/himalaia.html' title='Himalaia'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1899566355829621043</id><published>2010-05-17T09:12:00.004-03:00</published><updated>2011-01-13T11:54:37.260-02:00</updated><title type='text'>In(comunicante)</title><content type='html'>O japonês chegara com sua família há tempos no Brasil. Falavam do seu jeito rude, da sua dificuldade em falar o português, da sua resistência do dizer e do sentir na língua estrangeira, como se quisesse esconder os motivos da animosidade com os outros, posto que ninguém saberia do que se tratavam os seus rompantes . Assim, ele ficou, praticamente, um oriental sem lugar, mas de casa posta em terras brasileiras. O dinheiro para o sustento da família era mínimo. As brigas com a esposa japonesa reverberavam por toda a rua e no coração dos filhos, que nasceram brasileiros. Em casa só se falava japonês. A mulher se foi, e a herança de discussões, agora com os filhos, continuava a render comentários imprecisos, uma vez que todos continuavam ausentes dos motivos. Um dia nem tão belo, nem tão feio, o viúvo japonês deu de olhar para uma loira da vizinhança; olhava pra ela de olhos miudinhos num apertar que a ela parecia muito sedutor. Estabeleceu relação amorosa com ela, somente para as coisas do corpo e do bolso, já que não se falavam por incompreensão da língua. Comprou-lhe mimos, pagou-lhe cirurgia para aumentar os seios e outras partes, divertiu-se com a possibilidade de deixá-la cada vez mais desejável a ele e a ela também, a qual não se furtava de manifestar sua ânsia de consumo. Ninguém sabe como se davam as negociações e sequer se havia algum mediador, enfim, como era o diálogo entre eles. Pouco tempo se passou e o japonês sofreu um acidente vascular cerebral. Hoje os filhos o colocam pra tomar sol e ar na porta de casa, e por definitivo ele não entende nada em português e esqueceu-se também do japonês. Sua língua agora 'descansa' e deixa vazar a saliva escorrida, que antes eram perdigotos rígidos, cifrados em japonês, ao alcance dos rostos e olhos retesados de espanto. A amante contraiu outro amante, homem mais jovem de poucas posses, mas continua a passar pela rua com os seios cada vez mais fartos e rebolado firme, enquanto o japonês escuta atordoado línguas em desacerto, ininteligíveis...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1899566355829621043?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1899566355829621043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1899566355829621043' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1899566355829621043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1899566355829621043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/incomunicante.html' title='In(comunicante)'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3813408752678795433</id><published>2010-05-14T11:45:00.003-03:00</published><updated>2010-05-14T12:08:32.894-03:00</updated><title type='text'>Angústia</title><content type='html'>Ela não tinha canto algum para se recostar, senão nela mesma; um canto desarmônico, de melodia ensurdecedora e muda. E tudo aquilo que gritava era fundo, surdo, enquanto seu corpo revelava de si para si uma inquietação desconcertante; e ela se postava perante a angústia, crente, penitente, e ninguém ousaria imaginar os turbilhões que percorriam sua carne e ossos. Nada mais poderia dizer de si, senão da dúvida e da certeza que vinham tempestuosas, em corredeiras e redemoinhos, em ventos por corredores estreitos, ecoando nas madrugadas frias. O dentro e o fora eram tangentes; beijos de enlace, reconhecimento; beijos em escapada, desejo e ansiedade. Não saberia dizer de que matéria vinha esse humor angustiado, se do querer amar a si, o outro, ou a si própria revelada no outro, o outro que a fazia existir, uma percepção, uma reflexão de ângulo perturbador e encantador. Tinha para si que esse angustiar era o querer descobrir, e que o sentir dessa descoberta como negação , a deixaria  irrefletida no viver, sem marcas de outros, daquele outro, o qual ansiava reconhecer;  sem o qual viveria, mas diminuta, próxima do sentimento de finitude. Era urgente essa calmaria, esse outro a acalentar, a interpelar sem receios e julgamentos no ouvir, esse outro reflexo dela mesma nas sensações e lapsos de conclusões de cada parte de seu corpo e de sua mente. Inferia que essa angústia era desejo de amar e de ser amada...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3813408752678795433?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3813408752678795433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3813408752678795433' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3813408752678795433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3813408752678795433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/angustia.html' title='Angústia'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8445484638485035377</id><published>2010-05-13T15:13:00.001-03:00</published><updated>2010-05-13T15:13:48.905-03:00</updated><title type='text'>Outrora</title><content type='html'>Desde outrora, aqueles olhos continuavam anuviados, sem pupilas definidas, quase um nevoeiro. Desde outrora nunca o vira inteiro, mas só os olhos de tempestade à vista, e navegava neles em tormenta. Desde outrora não o vira e o vira sempre nos momentos mais inesperados, como no dia do corte de cabelo. Estava lá sentada em frente ao espelho, enquanto o cabeleireiro repuxava seus fios, com mãos bruscas, mas em pose de moça afetada, meio homem, meio mulher, delicado no acolher, severo no gesto; até que ele entrou e se sentou ao lado de alguém que folheava uma revista e não ousava olhar; ao lado de outro alguém que só esperava e o olhava sem receio algum, porque nada nele se poderia dizer, por desconhecer. Mas ela sentada ali meio distante nos arremates das madeixas, de lado, sem poder se virar, identificara-o pela alcunha anunciada e pelo soslaio dos olhos. Respirou fundo enquanto a hora de levantar da cadeira se aproximava. Levantou, pegou o cartão, discutiu sobre o acerto das sobrancelhas da próxima vez, olhou para o banco e só viu os anuviados; balbuciou um oi seguido de um nome bem soletrado; o nome, não a alcunha, que não tinha intimidade para isso, embora ele fosse tão íntimo em sua história. Rompeu porta afora e escada abaixo com coração meio disparado, inconcluso do sentimento. Depois descobriu que era susto do passado, dos olhos anuviados de outrora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8445484638485035377?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8445484638485035377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8445484638485035377' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8445484638485035377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8445484638485035377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/outrora.html' title='Outrora'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-8592946424457392936</id><published>2010-05-12T16:14:00.001-03:00</published><updated>2010-05-12T16:30:20.555-03:00</updated><title type='text'>Partes</title><content type='html'>Disseram-lhe; não há amor sem dor&lt;br /&gt;Que dor...&lt;br /&gt;Incompreendeu-se da dor de amor, tola...&lt;br /&gt;Porque o via repleto,&lt;br /&gt;Continente que extravasa;&lt;br /&gt;Esquecia-se do incompleto amor, todo amor...&lt;br /&gt;Do todo amor, amor de partes,&lt;br /&gt;Que só as temos; as partes,&lt;br /&gt;Até as partes de nós...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-8592946424457392936?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/8592946424457392936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=8592946424457392936' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8592946424457392936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/8592946424457392936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/partes.html' title='Partes'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3550549190396573594</id><published>2010-05-12T10:25:00.000-03:00</published><updated>2010-05-12T10:26:18.675-03:00</updated><title type='text'>Beirada</title><content type='html'>O sexo era um prenúncio; Era a pretensão de uma completude vaga, Pelo gozo de desfalecer e esquecer o instante, e viver o instante; Era talvez um presságio de não existir, para reconhecer a existência parca, sumida, que finita se refazia em novo prazer de reviver; O sexo era vida e morte, um espelhado no outro; a face brilhante ainda que fosca diante da escura máscara; e ao fundo um riacho, límpido de peixes a ir, em cardumes coloridos, na fuga da isca, na procura da isca; O sexo era vertigem rasa e funda nas peles sobrepostas em delírio convulso, profundo e epidérmico; Era mesentérico o sexo, no ventre repleto, anelar, solar e lunar; Era submarino, andarilho, era o suspense da próxima cena não vista, sentida torta no olhar do outro, de olhos fechados em sonho de êxtase e abertos nublados, visionários, solitários e ansiosos de compartir o sentir indizível, indivisível; O sexo era o outro lembrado e esquecido, a disputa entre reconhecer a presença e a não presença, o lugar distante e próximo, alçapão; O sexo era razão e natureza, sentir razão, pensar natureza, sobrepostos,  em estado de fronteira, beirada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3550549190396573594?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3550549190396573594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3550549190396573594' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3550549190396573594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3550549190396573594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/beirada.html' title='Beirada'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1592728922695382133</id><published>2010-05-10T16:31:00.001-03:00</published><updated>2010-05-10T16:40:09.270-03:00</updated><title type='text'>Prêmio Dardos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/S-hg9FjJnoI/AAAAAAAAAIk/9iKjiEivuWQ/s1600/selo+%3DD.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 120px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/S-hg9FjJnoI/AAAAAAAAAIk/9iKjiEivuWQ/s320/selo+%3DD.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469728350019362434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi do autor do blogue "Curvas da Palavra", o prêmio Dardos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este selo foi uma criação do Junior Vilanova do blogue Contactos Imediatos e da Olga do blogue Pensamentos, Ideias e Sonhos, e segundo eles - trata-se de um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega, ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Agradeço a indicação de Ricardo Fabião, que me acolhe sempre com palavras de mente e coração cheias de sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, no entanto, algumas regras a serem seguidas após o recebimento deste selo:&lt;br /&gt;1 - exibir a imagem do selo em seu blogue;&lt;br /&gt;2 - postar um link para o blogue que o escolheu;&lt;br /&gt;3 - escolher outros quinze blogues a quem entregar o prêmio;&lt;br /&gt;4 - avisar aos escolhidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escolhidos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - "Damaria"&lt;br /&gt;2 - "Sabe de uma coisa"&lt;br /&gt;3 - "Specullum"&lt;br /&gt;4 - "Marcas d’água"&lt;br /&gt;5 - "Borboletas de Fevereiro"&lt;br /&gt;6 - "Num Café Pequeno"&lt;br /&gt;7 - "Suprasensorial"&lt;br /&gt;8 - "Eu e mim mesma"&lt;br /&gt;9 - "Rudaricci"&lt;br /&gt;10 - "Sara-evil"&lt;br /&gt;11 - "Da Cor da Felicidade"&lt;br /&gt;12 - "Michelfm"&lt;br /&gt;13 - "Freiregari"&lt;br /&gt;14 - "Curto Circuito Literário"&lt;br /&gt;15 - "Poros"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1592728922695382133?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1592728922695382133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1592728922695382133' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1592728922695382133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1592728922695382133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/05/premio-dardos.html' title='Prêmio Dardos'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/S-hg9FjJnoI/AAAAAAAAAIk/9iKjiEivuWQ/s72-c/selo+%3DD.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-3568705660738948006</id><published>2010-04-29T10:14:00.002-03:00</published><updated>2010-04-29T10:25:08.798-03:00</updated><title type='text'>Outro ele</title><content type='html'>Até hoje sinto falta do Zé Leôncio. Ele era bravo feito onça, mas vez por outra vinha de manso, cheio de delicadezas, todo mudado do jeito comum de todo dia. Tem gente que é assim mesmo, de humor confuso; alguns até se fingem de resolvidos na maneira de ser e aí vem um sentimento qualquer que vira tudo e a pessoa fica assim incompreendida no susto refletido nos olhos dos outros. Mas entre mim e Zé Leôncio não; ele mudava e sabia que eu sabia disso, que eu gostava era dessas horas de ternura desavisada, rara gentileza que deixa a gente de coração e respirar em disparo, um susto, até vir aquele encanto de contemplar lago em dia ameno, de sol quase tímido, mas brilhante, de sensação de aconchego. Ele chegava assim num toque de face, de mão, quase um arranhar felino sem querer machucar, e não raras vezes ronronava no seu dormir em meu peito. Depois acordava assustado como bicho em armadilha, frágil de dormir assim e deixar sua vigília de lado, esquecida. Zé Leôncio dizia que eu fazia reviravolta nele, e que ele assim era mais ele, mas deixava de ser onça brava não, que só por mim virava bichinho pequeno, presa de mim, descobridor do outro ele, muito mais ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-3568705660738948006?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/3568705660738948006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=3568705660738948006' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3568705660738948006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/3568705660738948006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/04/outro-ele.html' title='Outro ele'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-1378636654500006998</id><published>2010-04-27T09:51:00.001-03:00</published><updated>2010-04-27T11:52:26.429-03:00</updated><title type='text'>Parto</title><content type='html'>O parto maior que ela sonhara era o da palavra em potência, germinada em paredes uterinas rubras e almofadadas de epitélio de ondas, em aconchego cíclico de progesterona que cala e grita em escamas, num fluxo irremediável. Era essa palavra do tempo circular, difusa de humores, de sabores da alma que exala em estrógenos convulsos e morre todo tempo em partos sucessivos que ela sonhara viver; a palavra vida que aborta e nasce, que cresce e se retrai em silêncio profundo, palavra de útero partido em instantes de expectativa e frustação, útero palavra viva, que nasce potência, quente cor de sangue, cortante, tranqüilizante, inquietante...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-1378636654500006998?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/1378636654500006998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=1378636654500006998' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1378636654500006998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/1378636654500006998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/04/parto.html' title='Parto'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-59436813031473775.post-5405462474236370653</id><published>2010-04-23T10:49:00.000-03:00</published><updated>2010-04-23T10:50:06.902-03:00</updated><title type='text'>Puxadinhos</title><content type='html'>Embora muitos exaltassem os olhos grandes e amendoados por sua beleza, ela cria quase piamente que aqueles puxadinhos como janelas entreabertas fossem muito mais visionários; porque ficavam o tempo todo na dúvida do movimento, no atávico entrelugar do fechar e do abrir, e sempre passavam a impressão de sonolência, como entressonho, um caminho entre o real e o inconsciente. Sabia que era delírio seu, mas se permitia encantar com essa possibilidade anatômica ligada às coisas da alma. E quando esses traços vinham distantes do oriente mistificado, historicizado, surpreendia-se mais, porque pensava em uma aldeia pequenina de olhinhos puxados, janelas duvidosas de acanhamento e mistério para alguém empurrar vagarosamente e morar lá dentro um tempo, dentro do sono cheio de sonho de sol, de lua, estrelas e mato infinitos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/59436813031473775-5405462474236370653?l=entrelugares.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://entrelugares.blogspot.com/feeds/5405462474236370653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=59436813031473775&amp;postID=5405462474236370653' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5405462474236370653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/59436813031473775/posts/default/5405462474236370653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://entrelugares.blogspot.com/2010/04/puxadinhos.html' title='Puxadinhos'/><author><name>Keila Costa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14233976855656992753</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_GA2RnKq_SFw/TSNnVbPsRWI/AAAAAAAAAMI/02c9nTOt6R8/S220/foto_entre.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
