quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pátio do abandono

Enquanto a viagem seguia o menino ia a perguntar ao pai os porquês daquela máquina alada, o que a fazia voar; porquês e mais porquês, até que avistou algumas máquinas maravilhosas daquelas abandonadas no pátio do aeroporto. ‘O que aconteceu com elas papai?’ ‘Estão abandonadas, respondeu.’ ‘E por quê?’ Bem, talvez algumas partes ou peças envelheceram e outras não puderam ser substituídas.' ‘Papai...esse avião em que estamos também vai ser abandonado um dia?’ Papai olhou fundo nos olhos do menino e pela primeira vez naquele diálogo que seguia fluido, constante, interrompeu-se em pensamento...e vagamente respondeu; ‘não sei meu filho, pode ser...’Talvez tenha pensado na máquina humana abandonada, na possibilidade do espírito ausente ou carente de atenção, ou acreditasse que alguma máquina ou humano poderia eternizar-se em constantes manutenções. Quem dirá sua percepção de finitude tenha sublimado por instantes, ou mesmo soprado em seu peito como uma dor, mas o menino não tardou a perguntar mais e mais, e ele a responder sem nenhuma subestima pelo pequeno, até chegarem ao pátio de destino.

2 comentários:

valeria soares disse...

Ma-ra-vi-lho-so!!!!!

Nina Blue disse...

Seu texto é bom e leve como a infância. Beijos Keila!