terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Olhar de amor...

Depois de um certo tempo a necessidade de um grande amor se desfaz sem sofrimento, senão por um certo pesar daquele bater descompassado no peito e daquela necessidade de aconchego, daquelas sensações tão nossas, indivisíveis com o outro. Começamos a destilar olhares de cobiça e conquista, mas com a quase convicção de que o amor, ah o amor, esse não pode jamais ser grandioso se não tem explicação. Começamos então a cuidar de olhar sempre, mas sem o sentimento de posse pelo ideal, mas de doação daquilo que nos surpreende exatamente por não ser nosso, e nem queremos mais que seja, a menos que se configure como afeto sem ansiedade, curiosidade sem pressa, aquele ouvir da fala mansa, em cadência de piano teclado delicadamente, daquele olhar que não incomoda, mas que incomoda porque não olha, porque buscamos o olhar mais de proteção que de admiração, que no fundo, deve ser mesmo o olhar de amor. Começamos a pensar no amor manso, porém revolto na cumplicidade do toque. Começamos a pensar no intenso repleto e aí vem um vazio intolerável enquanto o escudo nos protege. E vamos multiplicando os escudos e abaixando as armas para que o amor venha como num abrir de portas e aparecer de cenários repetidos e surpreendentes, chorosos e sorridentes, de montanha e de mar. Para que o amor apareça insistentemente, na mente e no corpo, na fala que grita e silencia, no gesto diminuto, imperceptível, de confiança, adorável.

Um comentário:

Viviane disse...

ah o amor! Ele existe...mas pra poucos?!