Histórias sempre estão na fronteira; por mais que tentemos acomodá-las elas esbarram no real vivido, ouvido, lembrado; elas esbarram no imaginado, sonhado, criado...por isso evocamos os entrelugares, onde cabem o contraditório, o surpreendente e até o esperado...todos eles permissíveis à intromissão do eu e também à sua ausência, mesmo disfarçada.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Amor arrebol
Ela pensava que seu amor por ele era feito um arrebol; um lugar de despedida e chegada a todo instante. Alguma coisa que se faz sem perceber; um contentamento de receber e dar, uma dor ao perder, todos os dias esse susto de ter e não ter, a inexata cor fracionada no tempo em nuances claras e escuras, feito um arrebol. Sentia uma intensidade de luz que se aproxima, uma vaguidão de luz que se afasta, como um acalento, uma despedida. Seu amor era sim um arrebol, um entrelugar, a transição do momento, sem nenhuma garantia no tempo; arrebol tão humano, desses que abandonam qualquer um tão logo venha a cegueira eterna; arrebol desumano, desses que desafia as pupilas em ardor. Não haveria melhor descrição senão esse lusco fusco para seu amor, amor arrebol, anúncio do sol e da lua e das estrelas. Um dia, mais de um, ela avistou com ele o arrebol que traz o sol, que traz a lua, e como num cegar santo por tanta beleza, ela virou amor arrebol...
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6 comentários:
nãããão, não me convenceu não, dona keila.
:)
beijo!
E não são assim todos os amores? Quanto maior a riqueza maior o medo de a perder.
O amor, o amor... quem o tem deseja conservá-lo a todo o custo!
As suas arrebatadoras palavras traduzem na perfeição esse sentimento permanente entre a posse e a perda...
Beijo,
António
"O amor é feio
Tem cara de vício
Anda pela estrada
Vai sem compromisso"
O Arnaldo, a Marisa e o Carlinhos sabem de tudo. Você também.
Texto bonito!
Arrebol. Esta é a palavra do meu momento. Aquele lusco-fusco, momento de aurora de crepúsculo. símbolo da nossa constante e infinita mudança. por falar nisso, hj é primavera. muito perfume de flor pra vc!
abraço.
Uma intermetência própria de quem desconhece as razões do seu sentimento. Alguém as conhece?
Sempre algo assim ofuscante, que chega mesmo a cegar.
Quanto à forma como nos narra este recorte, bem, leria umas tantas vezes sem cansar, até que o último sentido fosse colhido.
Bjos.
Ricardo
Amor arrebol...
Fechou redondinho com o que eu penso...AMEI!
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