terça-feira, 7 de junho de 2011

'Desabedoria'

Meu caminho é te acompanhar de olhos, a sentir quando tu vais em aclive, quando vens, mesmo que em sono, em declive. É como eu fosse o abismo de onde tu emerges e onde cais e submerge, ainda que em relutância protetora. Tu em mim como uma salvação e uma perdição. E então vais sempre em despedida e deixa-me o despertar da percepção de tudo o que antes não sabia, sequer entrevia nas linguagens que me rodeiam. Uma surpresa sempre, uma parte ou reentrância de ti descoberta em angústia de lembrar, em alegria incontida, que jamais saberás. Que o amor é essa desabedoria do outro por mais que se queira, que se espreite. É desaber da gente mesmo e repetir pra saber e continuar duvidoso na ânsia de mais amar.

2 comentários:

Binho disse...

amor não necessita muita sabedoria não, rs. é viver e deixar fluir :) magnífico texto, podia virar música

Adilson Silvestre da Silva disse...

Tuas palavras mostram a sublime arte de transformar o que os nossos sentidos entendem como meros acontecimentos em formidáveis alegorias.