sábado, 3 de maio de 2014

A forma que damos

Te amo a despeito de tudo que passamos De tudo que não passamos também Porque sempre desfilarão por nossos olhos Instantes de viver atentos e desatentos Te amo a despeito das inconstâncias do seu ser E do meu ser também E os momentos; os terei fielmente guardados Nessa mente que não se cala Nesse silêncio que sente Nas irreverentes cenas de amar E desejar nossas solidões compartilhadas Eu aqui, você ali Nós aqui ali fazendo sons incompreensíveis a nós mesmos Palavras cheias de vãos E a despeito dessas frestas, falhas, te amo Porque não há previsões consolidadas de fato Porque o amor muda e permanece no formato que lhe damos E a despeito de suas nuances, há sempre uma espécie de reamar Um reclame, um costume de reivindicar amar e ser amado E a despeito das acusações de por que amar É o não porque que se mantém Inconformes em amar e reamar por motivos que se desfazem e refazem Te amo a despeito, com pesares recalcados, com alegrias iminentes, Só pra ver o seu lábio ligeiramente rasgado a querer sorrir, Seus olhos a brilhar na busca do de dentro dos meus... E a despeito da boca apertada, dos olhos foscos e tristes, te amo Te amo no inesperado, porque deixou de haver precisão, necessidades O que espera se apaga lentamente...

2 comentários:

Daniele Negreiros disse...

Que lindo, Keila!
Adoro vir aqui pra relaxar a mente...
Sua escrita gesticula com o silêncio da alma.

Ulisses Borges disse...

Muito, muito bonito, Keila.