quarta-feira, 5 de março de 2008

O dia do Pacabá

Sacola cheia é uma agonia. Tem dia que chega tudo novinho, fresquinho. Tem dia que estraga; e dia de domingo estraga mais ainda. Os preços caem; tem gente que sabe.Tem gente que não sabe e presencia todo o ritual. Tem gente que participa, tem gente que olha. Foi assim com Dona Carmem e Lucinha, sua filha. Domingo é dia do “Pacabá”; não tem placa avisando, mas todo mundo vai lá encher a sacola. O dia ficou célebre depois que Toninho, funcionário mais comunicativo da rede ABC, virou porta-voz da promoção imperdível. Funciona assim: as bancas vão esvaziando com o preço do sacolão, mas têm frutas e legumes que por estarem fora de safra são cotados lá em cima e a banca fica cheia. Domingo já viu, até empregado de sacolão descansa um pouco, sai mais cedo. Resultado: tudo perece e o povo padece. Assim, Toninho ficava de olho no movimento das bancas até que escolhia estrategicamente o momento e gritava com aquele ar meio risonho, sarcástico, incitando a “boiada”: Vamo lá pessoal, uva itália por apenas um real o cacho, vamo lá gente, é Pacabá....O Pacabá entrava vertiginosamente nos ouvidos e todos se amontoavam. Era uva, pêra e cenoura baroa pra todo lado. As donas mais cheiinhas liderando, as mais magrinhas e tímidas, forjando uma educação pra lá de relativa, mas atordoadas por perderem a competição. E Carmem? Atrasada, decepcionada com a banca vazia, enquanto Lucinha balançava a cabeça horrorizada com a cena e dizia: já falei mãe, hoje não é dia de vir ao sacolão. Foi sempre assim; quando iam as duas, justamente, no Domingo, não aproveitavam o Pacabá, mas o resto dos ‘sacoleiros’ saíam orgulhosos da economia, de sacola cheia e cheios de esperança para o próximo Pacabá.

2 comentários:

Bernardo disse...

hahahahhaah
li o título e imaginei outra coisa...excelente pácomeçá o dia!
abraços

Bernardo

Viviane disse...

rsrsrs
Adorei amiga...muito bom!