sexta-feira, 4 de julho de 2008

'Cenimétricas'

Desceu as escadas, doze degraus, três metros e meio. Abriu o portão, saiu, fechou; milímetros. Virou à direita, subiu, trinta metros. Deparou-se com uma castanheira gigante, de tronco abraçado por colar de flores. Parou, leu a árvore, as flores, o dizer no bilhete desenhado, a súplica de oração pela árvore. Observou, sorriu no coração, orou por centímetros de tempo. Apressou o passo, virou à direita de novo, subiu de novo, dez metros. Atravessou a primeira rua, andou mais um pouco, quase metro. Atravessou a segunda rua, caiu na praça, fez um quase meio círculo e deu de frente para a banca de revista, escondeu-se da rua por milímetros de segundo. Ouviu o motor do ônibus, correu centímetros. Não era o ônibus, era o caminhão da Nestlé, fez curva, ganhou a reta, confundiu sem intenção. Depois veio o caminhão Alimentos Pachá, passou, sumiu. Sentou-se no banco coberto, bem no meio, espaços largos à direita, à esquerda. Chegou alguém, disse boa tarde, sentou-se ofegante, queixou-se do morro íngreme, agudíssimo, longuíssimo. Concordaram e olharam para a pomba ciscando no meio da rua. Não voava, dava corridinhas, rebolava a cada carro; voltava centimétricamente insistente pelo cisco. Chegou o ônibus; deu o sinal, subiu, pagou, sentou, deixou árvore, caminhão, pomba, cenimétricos para trás.

Um comentário:

Bernardo disse...

oi moça. Tô aqui escutando um cara chamando Andy Mackee (conhece?)e lendo suas coisas. Tanta produção nesse tempo e eu agora li quase tudo meio aéreo, passando ileso pelas letras, me descuidando de pensar as coisas, indo pra lugar nenhum. E antes mesmo q eu fosse sem nem ter chegado me deparei com "leu a árvore"...ufa! agora dá pra dormir tranquilo.
bjo