quarta-feira, 2 de julho de 2008

"Mora ao lado?"

A morte mora ao lado?
Não, ela está de frente,
Escancarada, na casa da frente;
Ficou lá durante uns três dias,
Rondando o ar que ela respirava,
Tirando a força de suas pernas,
O controle de seus músculos,
Estava lá pra dizer que o esquecimento é amigo da morte,
Do esquecimento que faz o tempo ser malvado,
Esse tempo, o outro tempo,
O tempo amante da solidão e da morte,
Do desinteresse pelo outro,
Tão perto, na presença discreta,
Na vida,
Na luz de penumbra refletida na janela;
A vida escassa, se dispersando,
Até que alguém arromba a porta,
Descobre excrementos, secreções,
Sinais da vida que não quer escapulir,
Gritos com seus cheiros fortes, revoltos,
Chega o socorro,
Levam a vida de maca,
Para retomar as luzes acesas,
As rotinas higiênicas,
A vida sugada pela morte.

Um comentário:

Fernanda disse...

Parabéns!!! Suas palavras fazem a gente viajar, entrar na história. Cada palavra um sentimento. Adorei!
Bjs