Histórias sempre estão na fronteira; por mais que tentemos acomodá-las elas esbarram no real vivido, ouvido, lembrado; elas esbarram no imaginado, sonhado, criado...por isso evocamos os entrelugares, onde cabem o contraditório, o surpreendente e até o esperado...todos eles permissíveis à intromissão do eu e também à sua ausência, mesmo disfarçada.
sábado, 30 de agosto de 2014
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Cada vez mais compreendia e descompreendia a necessidade das interpretações, investigações sobre as reais intenções, os poréns e subliminares da vida e dos textos vivos. Escrever não parecia a ela um ato racional, embora afeto às normas gramaticais, à pontuação; e claro, a versar sobre descrições e explicações. Em fuga dos trejeitos acadêmicos, recheados de referências e conceitos, o escrever simplesmente, a que chamam literatura, ou mero diário de alguém, está muito além da compreensão. É possível sim cortar o fio narrativo, rebuscar as expressões, caminhar na aridez filosófica por vaidade ou mesmo apreço. Mas a escrita latente, viva, esta tem uma fluidez indecifrável e diz absolutamente tudo com singeleza e agudeza. É uma quina e uma pancada a encher a carne e os ossos de dor; serve também para enternecer e morrer de vontade de adormecer e sonhar.
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