segunda-feira, 11 de maio de 2009

Anuviados

Ele ficou guardado no tempo, no exato feitio esperado, esculpido na mente com precisões estéticas e incongruências cegas. Permaneceu na adolescência sonhadora e na juventude infantil, de batidas disparadas no coração, de suores gélidos e tonteiras passageiras, na subida da rua, na descida, no recreio da escola, no meio fio e em tantos passeios no entorno do colégio, da casa e da praça. Virou menino de olhar anuviado, nariz empinado, e no sonho desse olhar e desse passar que nunca a vira ele se foi. E bem depois, solidificou-se no olhar desencontrado que nunca a tinha visto mais uma vez, embora ela jurasse de pés juntos que ele olhara pra ela sem olhar. Encontraram-se e desencontraram-se sem as reverências justas ao amor que ela devotava a ele. Passaram-se anos bem depois do depois e nada cresceu ali senão lembranças engraçadas e até nobres de uma ilusão de amor de quem nem sabia o que era amor, mas o fantasiara de todas as formas, rodeado de guirlandas, de sorriso largo de menino quando mostra os dentes depois de retirados os aparelhos ortodôndicos; daquele dia de liberdade do riso dele, das olimpíadas do colégio e das pernas finas correndo no salão atrás da bola com tênis redley e recebendo as medalhas de ouro. Depois do bem depois e dos anos bem depois do depois o menino permenacia lá, magrinho, de andar meio contido e olhos brilhantes de pupilas sangrando a enganar os olhos da menina que ele nunca vira...A menina é que tinha os olhos anuviados e nem sabia...

Um comentário:

Viviane disse...

Eu amei...mas o melhor de tudo tudo tudo foi o detalhe do tênis...rsrs...levou-me pra quando eu era menina tb...os primos q iam daqui...os de lá... rsrsrs...todos com tênis redley de todas as cores! Era menina...ô saudade!rs