Histórias sempre estão na fronteira; por mais que tentemos acomodá-las elas esbarram no real vivido, ouvido, lembrado; elas esbarram no imaginado, sonhado, criado...por isso evocamos os entrelugares, onde cabem o contraditório, o surpreendente e até o esperado...todos eles permissíveis à intromissão do eu e também à sua ausência, mesmo disfarçada.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Traslados póstumos
Traslados póstumos nunca fora uma opção instigante de trabalho. Mas sua Caravan era espaçosa, de cor sóbria, e as mortes tão corriqueiras quanto os nascimentos. Só nunca pensara na possibilidade de conviver tão perto da morte, embora ela sempre estivesse a espiar. E foi como uma oportunidade mais ou menos plausível que os traslados pós mortem entraram definitivamente em sua vida. Foi até a casa funerária e ofereceu seus préstimos...Hoje passeia garboso em sua banheira motorizada, mortiça, de letras garrafais cor se sangue anunciando o inevitável...Ressente-se quando alguém manifesta desdém de seu ofício e cumprimenta todos da vila onde mora com sorriso largo, vívido e resignado.
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Um comentário:
sabendo que a qualquer hora qualquer um deles pode precisar de uma carona...
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