segunda-feira, 16 de março de 2009

Entrelugar ‘nietzscheniano’

Longe e perto de provocar-me encantamentos, a filosofia de Nietzsche traz-me senão um susto calmo, um remanso de inquietação. E agora, vendo-o mais humanizado em “Quando Nietzsche Chorou”, de Irvin Yalom, ponho a me perguntar de seu “Humano, Demasiado Humano” nos seus aforismos dispersos, quase a exaltar o devir humano, a inconstância, embora em constante busca do si por si mais verdadeiro. E se “Entre o Bem e o Mal” estamos, é exatamente nessa transmutação permanente que invocamos o destino da nossa existência, quase o prenúncio de um tombo ou de um surgir de asas. É essa constatação tão própria do entrelugar que tento por vezes devassar e ignorar que me emociona alegremente e também me entristece. Porque o caminho não está posto, embora permaneça lá para ser traçado, inquiridor, ameaçador e acolhedor. E o amor ‘nietzscheniano’? Será mesmo como um corpo relacional, quase político, nada mais que uma disputa de poder, a necessidade de contrair para si a segura crença na previsão, no controle da situação? Talvez. Contraditório? Talvez. Mas se é a contradição que mora no entrelugar e o devir é o próprio entrelugar, Nietzsche deve sim ter chorado lágrimas ferventes e gélidas com os lábios em movimentos de riso e solidão.

Um comentário:

Viviane disse...

Não há lógica em nossa razão...somos assim...contraditórias!!!
ai ai ai...