domingo, 1 de março de 2009

Atravesse

Se há alguém do outro lado da rua
Que seja mesmo uma avenida
Se te dá uma comichão
Uma curiosidade
Pelos trajes
Pelo menear dos cabelos
Pelo andar vacilante ou seguro
Atravesse sem medo
Diga olá
E verseie
Fale de Fernando Pessoa
Recite até Camões às avessas
Mas faça algo lisonjeiro
Aceite ver o nascer do sol
Mesmo em dia nublado

Quem não se conhece merece odes
Altivez e reverência
Porque a surpresa é amiga da vida
E se lá do outro lado não encontrar um grande amor
Daqueles de turbilhão inesquecível
Poderá encontrar a exata afinidade rara
Os dizeres de quem se reconhece
Mesmo de repente como se há muito...
Se já houvesse um outro encontro
Escondido no tempo irreconhecível
Colocado no presente esquecido do passado

Se há alguém do outro lado da rua atravesse
Não hesite
Mesmo que do outro lado não haja o que espera
Ainda assim atravesse no instante certo
Antes que a imagem se desfaça
Que vire sonho perdido
Amizade roubada pelo vento
Por favor, atravesse...
Em linha reta
Ou obtusa
Balbucie ou grite
Mas retenha o momento
Fortaleça a lembrança
Atravesse...
Se achegue...

2 comentários:

Viviane disse...

Ô ô...tem q atravessar né...atrever!!! mas, pq não tomamos essa atitude que parece tão simples?!

Viviane disse...

Amei!!!