segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Crônica da Ilha II: Sentir da Ilha

Desde sempre ouvi falar que uma ilha era uma porção de terra cercada de água por todos os lados. O que eu não sabia era que as ilhas possuíam pés móveis por onde as alcançávamos mesmo pequeninos e distantes, a cada onda e balanço, sobre cascos duros arredondados; barcos com vela, barcos sem vela...acolhedores úteros do mar a esmo na sensação, mas bussolares no ritmo indescritível do nosso corpo a se acomodar e incomodar em direção a uma espera solitária, indivisa no meio do sem fim. Assim foi o meu sentir da ilha, e esta que fui era grande e apinhada de gente encantadora, que marcou encontro sem se saber e se soube tão de repente. Desde o início desejei estar lá, mas só tive certeza depois que avistei o monte de água depois do cais e aqueles barquinhos e barcões indo e vindo.

Primeiro éramos duas, na dúvida do embarque e, finalmente, na certeza da chegada. Mas e a Ilha? Será que ela nos esperava? Depois éramos nove, e por aí, nos dias que se seguiram, não cessou a multiplicação. Dos pedaços de mar brotavam barcos e escorriam pessoas de todos os lugares para dentro e fora da ilha; esbarravam nos cais e mergulhavam por entre trilhas só para avistar um pedaço de mar sonhado. Deu para entender porque todo mundo diz ‘todo mundo é uma ilha’, uma espécie de ser solitário cercado, inevitavelmente visitado. Uma infinidade de ilhas dentro da grande ilha; assim fomos nós nesse encontro, ensimesmados, observadores, dominados e conquistadores, todos querendo afastar a solidão da ilha, fazendo arquipélagos.

Um comentário:

Viviane disse...

Ai amiga...fico feliz por ter finalmente aberto uma porta de sua bela alma para todos!!! Pois eu, mas que ninguém sei...que os seus textos são feitos de puro sentimento. A técnica é mera acompanhante...o que há é dom...é inquietação de vida. Afinal...são tantas discussões...seja em msn, mesa de bar...qualquer encontro...sempre analisando, tentando entender a alma e a essência de tantos que já convivemos.